Aconteceu mais uma noite dedicada à boa música entre as portas do Sabotage Rock Club. Foi no dia 5 de Fevereiro e desta vez a primazia era o punk, tendo como convidados os The Dirty Coal Train e os magestosos The Parkinsons.

 

Os The Dirty Coal Train são lisboetas, existem há cerca de 6 anos e foram convidados pelos anfitriões. O comboio onde viajam segue a uma grande velocidade por linhas sujas de rock de garagem, punk e algum rockabilly. A presença em palco é forte e a energia contagiante. Apresentam um som cru de faixas rápidas e ruidosas que rasgam o ambiente com sede de desordem. Ressalva-se o facto de as letras serem curtas, tal como as faixas e de a voz masculina ter mais força e garra que a feminina. Em cerca de 35 minutos foram tocadas 14 faixas a 2 guitarras, bateria e 2 vozes com direito a passeio por entre a plateia.

Entre outras mais, ou vimos as mórbidas e moribundas “Beast of Boliqueime”, “Queen of the Jungle”, “Dirt Road”, “A Rock to the Muzzle” e “Malasuerte”.

 

Não havia mais espaço livre na sala do Sabotage. Onde quer que estes rapazes toquem, ninguém os quer perder!

As palavras serão poucas para descrever o que aconteceu naquela noite. Loucura, desordem, caos, destruição e muito punk podem fazer uma espécie de resumo.

Os The Parkinsons já são conhecidos por terem uma das melhores performances e atitude em palco. A música, o ritmo e a loucura são contagiantes, não existindo qualquer barreira entre o palco e o público. Todos pertencemos à mesma família e essa união consegue reforçar mais a energia que circula nas salas que percorrem. Em cada concerto, transportam-nos para os clubes underground numa cave qualquer de Londres que alberga o melhor punk de sempre.

À segunda música, Afonso já estava sem t-shirt e poucas músicas depois o suor já lhe escorria pelo corpo franzino. Escorria-lhe também, por entre o suor, fúria, força e fome. O caos estava instalado e Afonso voava pelo ar, agarrava-se aos tubos existentes no tecto, subia paredes, encarnava papéis, deitava-se no chão e demonstrava a sua expressividade no expoente máximo.

Em baixo, o público louco e completamente embriagado pela aventura que via diante de si, voava igualmente, empurrava-se, subia ao palco e contraia as nódoas negras que no dia a seguir lhe traria um sorriso ao rosto. A única regra que existia era aproveitar o melhor possível a boa música e energia destes rapazes, as outras regras não interessavam e nem precisávamos delas.

O som deles é do mais cru possível: a raiz do punk e a força deste movimento reúnem-se nestas quatro pessoas. A bateria, comandada por Paula, quase que explode e galopa a um ritmo por vezes inalcançável. Já a guitarra de Victor oferece riffs ensurdecedores e desconcertantes com compassos marcados e marcantes. Por sua vez, o baixo de Pedro tenta acalmar as almas, sem qualquer sucesso. Quase que se podem comparar aos The Clash ou Sex Pistols.

Cerca de 1h de concerto foi suficiente para existirem pessoas a ficar sem voz e sem camisolas. O ambiente foi aquecido por uma chama de loucura e caos. Puderam ouvir-se, entre muitas outras, “Bad Girl”, “Back to Life”, “Nothing to Lose”, “Girl From Another World”, “City of Nothing” e “So Lonely”, havendo ainda direito a um encore de duas músicas onde se repetiu a “Bad Girl”.

 

Posso dizer que a melhor coisa que fizeram foi ter ido para Londres e lá ter crescido ainda mais musicalmente e terem conseguido seguir o caminho que os guiou à posição onde se encontram neste momento enquanto banda.

Algo demasiado intenso se viveu entre aquelas paredes na passada noite de sexta-feira e, certamente, que vai ficar na memória de todos, restando a sede de mais concertos assim.

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Luis Sousa