O Campo Pequeno encheu-se com pompa e circunstância no passado domingo, 29 de Setembro, para receber o regresso do Yann Tiersen, depois de uma ausência de cerca de três anos, desta vez para apresentar o álbum ALL. Regresso esse que foi recebido com entusiasmo.

Ainda antes do próprio concerto do Yann Tiersen, uma breve menção de destaque para a primeira parte, a cargo do duo francês Geysir, que com uma eletrónica contagiante criou uma atmosfera e uma condição perfeita para a atuação do pianista/multifacetado músico francês. Embora a quantidade de gente a chegar ainda fosse assinalável, isso não desconcentrou Lionel Laquerrière e Marie-Céline Leguy de entreter e cativar o público. A título de curiosidade, o álbum que tocaram durante o passado domingo irá sair em novembro, mais concretamente a 15 de novembro.

Agora acerca da principal atração da noite. Falar sobre Yann Tiersen é falar sobre uma exploração de sentidos, sentimentos, emoções e um contacto próximo entre a terra e o homem. É isso que Yann Tiersen provoca. Se o EUSA, hino citado à sua região na Bretanha, onde vive, foi álbum e orientação escolhida para o penúltimo trabalho, o ALL é uma simbiose de tudo. Dom homem com a natureza e da natureza com o homem.

Por isso é que o francês se introduz em palco com uma voz off que conta a história da montanha, da caça, do mundo natural. Por isso é que o Yann Tiersen recorre a uma multiplicidade de instrumentos para abranger a máxima diversidade possível. Por isso é que o Yann Tiersen recorre a um gravador, batizado de Alex, no meio do palco, que transmite sons da natureza, captados em algumas das suas viagens.

20190929 - Concerto - Yann Tiersen @ Campo Pequeno

Escrever sobre Yann Tiersen é falar do equilíbrio entre o perfeito e a tranquilidade, e o delírio e a eletricidade. Neste nirvana alcançado ao longo dos vários discos, ainda assim é no ALL que se concentram a maior parte das atenções do artista e da banda que o acompanha e ainda dá voz a alguns temas, algo não visto no último concerto em Lisboa, no Coliseu de Lisboa.

É um equilíbrio que é percorrido em temas como Porz Goret, tema que deu início ao concerto, mas depois percorre com Tempelhof, La Jetée ou ainda Comptine d’un autre éte: L’Après-Midi, onde vemos a amplitude do artista, que passa com naturalidade do piano para a melódica, para o violino, dando ainda uns toques no carrilhão.

20190929 - Concerto - Yann Tiersen @ Campo Pequeno

A relação já é intima entre público português e artista, que solta uns tímidos obrigados, mas é como sentisse em casa. Pelo menos o público faz por isso, quando o aplaude, principalmente no final, com a ovação em pé, que é respondido com um encore. A despedida em Portugal fez-se com o concerto no Porto, mas sempre com a sensação que o artista é uma pérola como poucos e nós temos o privilégio de ver ao vivo.

Como dito na reportagem feita em 2016, “Boa viagem, Yann. Vai, mas regressa“.

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