Que relação há no nosso título? Hoje, no dia em que o Real Madrid se sagrou tricampeão europeu, e os madrileños Vetusta Morla tocaram no Coliseu dos Recreios em Lisboa (depois de ontem terem esgotado o Hard Club no Porto), é toda e mais alguma, se dúvidas ainda houvessem.

Não sabemos se os Vetusta Morla serão todos madridistas – não confundir com os seus rivais Atleti, madridista é o termo usado para se identificar um adepto do Real Madrid – mas o certo é que o concerto agendado para as 22h00 iniciou apenas às 22h15, quem sabe para dar tempo à comitiva nuestra hermana de festejar mais um feito do futebol espanhol.

À entrada da banda em palco ouvia-se nos 1500 fãs presentes no Coliseu o cantar do já conhecido “Campeones, Campeones, ole ole ole”, acreditamos que, pelo castelhano esclarecido da maioria da plateia, seriam também estes maioritariamente espanhóis. Não chegaram para lotar o Coliseu em Lisboa, mas sobraram em calor e presença durante aproximadamente duas horas de concerto.

Começando a noite que seria de apresentação em Portugal de “Mismo sitio, distinto lugar”, o último trabalho da banda editado em Novembro do ano passado, iniciaram o concerto com alguns dos seus temas mais calmos – “Deséame suerte” ou “El discurso del Rey”, para arrancar para uma grande noite de rock em Lisboa. Pucho, carismático e energético vocalista da banda, que se dirigiu ao público quase sempre num claro português, confidenciava o quanto é sempre agradável voltar a uma linda cidade como Lisboa depois da última presença por altura do NOS Alive’16. Percebendo que na plateia tinham público muito afeto à banda, acabou por se libertar da profundidade do palco – demasiado longe dos seus fãs – para com eles cantar em coro alguns dos temas mais conhecidos como “Copenhague”, “La Vieja Escuela”, “Al Respirar”, “La Deriva” em que dançava freneticamente na frente de palco, “Mapas” ou “Salvesen Quien Pueda”. Termina o concerto com “Fiesta Mayor”, mas este fim seria apenas um proforma para um encore de mais três temas com grande destaque para “Los días raros”, um dos temas mais aclamados dos fãs.

Sabendo de antemão que a tendência atual está longe dos registos rock mais indie, convenhamos, ainda para mais em castelhano, devemos dar o nosso braço a torcer para a realidade de que estes Vetusta Morla merecem a oportunidade de um Coliseu esgotado em Lisboa para os rever. A qualidade da banda é inequívoca, e a presença de Pucho faz toda a diferença.  Se em Espanha são considerados com uma das bandas rock mais influentes atualmente, esgotando recintos de 35000 ou 50000 pessoas, também percebemos que em Portugal deve-se dar o tempo necessário para voltarmos a ter nestes Vestusta Morla uma referência como já nos foram Heroes Del Silencio ou La Union nos Anos ’80 e ’90. Assim esperamos que seja. Parabéns também a estes campeones de Tres Cantos, uma localidade cerca de 20 km a norte de Madrid, hoje fomos todos Madrileños, e alguns de nós Madridistas também.

 

Texto – Carla Santos
Fotografia – Luis Sousa