As sextas-feiras 13 podem revestir-se, ou não, de um encanto próprio ou cedido por alguma entidade. Na passada sexta-feira 13, a entidade responsável pela mística sentida foi o Sabotage Rock Club que nos ofereceu caminhos entre desertos com cobras, cowboys, fogueiras, sol abrasador e uma bela duma lua cheia.

Depois do Reverence, em 2014, o regresso de Spindrift a Portugal fazia-se longo. Nesta noite, receberam-nos no Sabotage com o seu abraço mais quente. As boas energias pairavam pelo ar e muito contribuíram estas 4 almas do faroeste em cima do palco.

Uma doble neck pousava gentilmente nos braços de Michelle, que nos ia espreitando por entre as abas de um chapéu de cowboy. A harmonia gerada entre os elementos da banda e deles com o público ia aumentado ao longo da noite. As passagens perdiam-se entre o psicadélico e a areia de um deserto algures no faroeste. Por vezes, desviavamo-nos de tiros soltos saídos pela coluna, lembrando-nos que fazíamos parte de um “O Bom, o Mau e o Vilão”. A perdição sonora e a maturidade de Kirpatrick empurravam-nos para um momento de deleite e sensualidade sonora que nos fazia dançar por entre as vagas palpáveis de calor, num oasis qualquer onde repousavamos a alma.

“Speak To The Wind”, “The Legend of God’s Gun” e “The New West” recordavam-nos as viagens de carro da infância em que a demora em chegar ao destino era compensada por uma bela banda sonora e uma paisagem a condizer. Com “Drifter’s Pass” dançamos de olhos fechados e dentes nos lábios no meio das cobras enfeitiçadas que montámos a seguir e nos passearam por um todo transcendente que cada um criou na sua mente.

As ondas que emanam os Spindrift para além de envolventes, são repletas de um vício que nos faz querer que a viagem dure eternamente. A simpatia ajudou e a presença humilde de um frontman com muitos quilómetros de estrada e palcos, também. Nesta noite a paz encontrou-se e as almas levitaram. Esperamos poder saborear mais passeios por este deserto em breve!

 

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Daniel Jesus