20170713 - Festival Super Bock Super Rock 2017 @ Parque das Nações
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Super Bock Super Rock’17, dia 13 – Boogarins, Morby e Tigerman: A Luta de David contra Golias

Quinta-Feira, 13 de Julho. O Parque das Nações recebe o Super Bock Super Rock. Depois de alguns anos no Meco, o Festival fez as malas e instalou-se na Zona Oriental de Lisboa. Vai para a terceira edição neste espaço, e poucos não concordarão que estamos perante um espaço cénico para a realização de um festival deste tipo.

Apesar dos bilhetes terem há vários meses desaparecido dos canais de venda, o recinto mostrou-se apto para receber tão numerosa multidão. Os festivaleiros não se depararam com demasiadas filas, tudo decorria com normalidade. O festival conta, este ano, com a presença de três palcos: o Super Bock Super Rock, o Palco EDP, ornamentado pela denominada Pala de Siza, e o Palco LG, o menor dos três. Se em alguns pontos do recinto a presença das marcas não se destaca pela descrição, isso não pareceu acossar a maioria dos presentes, que se dirigiam aos diversos palcos e aproveitavam a bonita envolvente com que se deparavam.

20170713 - Festival Super Bock Super Rock 2017 @ Parque das Nações

fotos na galeria Super Bock Super Rock 2017 Dia 13 Ambiente

Depois de uma volta de reconhecimento pelo recinto, detivemo-nos na interessante imediação do Palco EDP, onde um número considerável de admiradores do Psicadelismo Brasileiro aguardavam os Boogarins. De facto, apesar das amiúdes visitas ao nosso país, era quase palpável a expectativa com o concerto dos Brasileiros. Se parte dos presentes se encostava às grades, os restantes iam-se alegremente sentando no chão, literalmente à pala daquela enorme sombra.

Se foi através do sublime As Plantas Curam que os Goianos se libertaram do anonimato, foi com Manual, ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos que se tornaram uma das bandas mais proeminentes da cena indie mundial. Recentemente lançaram para stream o álbum Lá Vem a Morte, onde, por ironia ou não, revelaram justamente o inverso. No entanto, como todos antecipávamos, foram os dois primeiros trabalhos da banda que mereceram a maior fatia da atenção. Os temas Enzin, Auchma foram espaços em que a distorção provocou ora sorrisos, ora cabelos agitados. No entanto, o título mais celebrado do concerto caiu muitíssimo bem a um clássico imediato de seu nome Doce. Do seu mais recente trabalho, os Brasileiros lograram bastante receptividade em FoiMal e Elogio à Instituição do Sinismo. Feitas a contas, enquanto o público saiu do concerto com vários sorrisos estampados no rosto, os Boogarins, por seu turno, deixaram o festival com a reputação ainda mais reforçada e alastrada.

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fotos na galeria Super Bock Super Rock 2017 Dia 13 Boogarins

Seguiram-se os The Orwells, com Mario Cuomo, o seu caricato front-man, a sugar a generalidade das retinas. Passando pelas habituais Dirty Sheets, Vacation ou The Righteous One a banda de Chicago conseguiu incendiar uma plateia ávida por receber aquela mistura de Garage Punk com Garage Rock nostálgico, influenciado claramente por bandas como The Hives e a espaços por Kaiser Chiefs. Enquanto Cuomo parece ter entrado numa aposta consigo mesmo para ver em que música reproduzia a dança mais sui-generis, o público, entusiasmado e entusiasmante, fragmentava-se entre aqueles que jogavam cervejas ao ar, os que faziam Stage Diving e aqueles que faziam moche.

Antes de partir, a banda ofereceu um cover de Stedy as She Go, dos Raconteurs de Jack White, e uma muito comemorada Double Feature. Apesar do entusiasmo dos que cercavam as grades, o concerto reproduziu reacções diversificadas por parte público curioso.

20170713 - Festival Super Bock Super Rock 2017 @ Parque das Nações

fotos na galeria Super Bock Super Rock 2017 Dia 13 The Orwells

Depois da tempestade veio uma bonança que dá pelo nome de Kevin Morby. E se nos últimos anos a internet repetiu a frase “Quem me dera estar em casa a abraçar Kevin Morby”, ali, no Super Bock Super Rock, o cantautor americano tinha uma plateia bem preenchida pronta a abraçar tudo o que era acorde seu. Num concerto que esteve nos antípodas do anterior, e que se repartiu entre os vários álbuns do Americano, não se mostraram essenciais quaisquer folclores para que a música transmitisse toda uma vida de joelhos esfolados e hematomas da alma. Neste concerto, onde apresentaram City Music, o seu mais recente álbum, Crybaby, Parade e All of my Life foram apostas seguras de Morby, que depois de elogiar a cidade e o país despediu-se com Dorothy, tema de Singing Saw. Dos presentes, talvez tropeçássemos mais naqueles que não conheciam Morby, no entanto, e apesar de os espíritos estarem já noutro palco, ninguém terá abandonado aquele espectáculo com o sentimento de decepção. No entanto, notávamos já, todos os pensamentos estavam no concerto que ia acontecer noutro palco, e para o qual foi longa a espera.

20170713 - Festival Super Bock Super Rock 2017 @ Parque das Nações

+ fotos na galeria Super Bock Super Rock 2017 Dia 13 Kevin Morby

Antes do Concerto de The Legendary Tigerman desdobramo-nos até ao Palco LG onde uma verdadeira festa dava pelo nome de Throes + The Shine. Com o seu Rockuduro a banda não permitiu que uma pequena multidão permanecesse com os pés no chão por qualquer segundo, com temas como Batida ou Capuca a serem dos pontos altos do gig, e, porque não, da noite.

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fotos na galeria Super Bock Super Rock 2017 Dia 13 Throes + The Shine

Ao Voltar ao Palco EDP, percebemos que Paulo Furtado, o nosso Homem Tigre, tinha uma missão ingrata: se a generalidade dos festivaleiros se encontrava sedenta por hits e diversão instantânea, este estava prestes a apresentar pela primeira vez Misfit, o seu novo álbum. Além disto, teria ainda que lutar contra o propósito generalizado de ir “guardar lugar” para o concerto que a maioria estava ali para ver.

Apesar destes pormaiores, inúmeros fãs não arredaram pé, ao que o Conimbricense respondeu com um dos concertos mais competentes da noite. Sempre coadjuvado com uma notável banda, assistimos a um novo álbum que apresenta avanços face aos trabalhos anteriores, seja um instrumental que agora respira mais e melhor, seja a introdução de novas sonoridades. Se Fix of Rock N’ Roll serviu para entreter a curiosidade relativamente aos novos temas deste sexto álbum, em Sleeping Alone Furtado afirma que espera que se alguém dormir sozinho, isso seja por livre e espontânea vontade. I Finally Belong to Someone foi outro dos temas mais comentados pelo público, mas a incrível e habitual Twenty First Century Rock ‘n’ Roll, tema do álbum True que encerrou o palco, foi o momento mais alto daquela atuação.

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fotos na galeria Super Bock Super Rock 2017 Dia 13 The Legendary Tigerman

Seguiam-se os cabeça de cartaz e, pelas movimentações do público, isso notava-se. Se nada se pode apontar às atuações desta noite, será justo afirmar que a maioria dos trauseuntes comprou bilhete para ver Red Hot Chili Peppers. Os artistas viram-se numa luta desigual – seja contra os americanos, seja contra o desconhecimento, ou, até, contra o guardar lugar lugar – que travaram, e muito bem, com as armas que tinham.

De seguida assistimos aquele que terá sido o momento mais ansiado e celebrado do festival. A reportagem da MDX ao concerto que inegavelmente marcou esta edição do Super Bock Super Rock poderá vista aqui.

20170713 - Festival Super Bock Super Rock 2017 @ Parque das Nações

Todos os artigos estão disponíveis em:

DIA 13

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Texto – Tiago Pinho
Fotografia – Luis Sousa
Evento – Super Bock Super Rock 2017
Promotor – Música no Coração