No sábado, dia 03 de Dezembro, o céu parecia não dar tréguas. Horas e horas de aguaceiros fizeram com que a matiné do Barreiro Rocks fosse cancelada devido a problemas técnicos e inundações. Mesmo que nada previsse que a chuva ia parar, houve uma aberta para ajudar na caminhada ao Grupo Desportivo dos Ferroviários do Barreiro. Mal sabíamos o que estava prestes a acontecer, mas o nervoso miudinho e a inquietação começavam a dar de si.

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Diante duma sala que se ia preenchendo timidamente e para surpresa de todos, os The Japanese Girl, que tocavam à tarde, abriram o palco e a noite. Apesar de não ter tido uma boa experiência sonora na primeira vez que assisti a um concerto deles, este concerto serviu para contrariar esse facto e ainda bem que existem segundas oportunidades! O som meio cru e áspero do garage misturado com o rock psicadélico produzido essencialmente pelas teclas e sintetizadores. A voz continua a não entrar! Talvez não seja usada da melhor maneira mas os riffs electrizantes sobrepõem-se a este facto e conduzem o concerto por caminhos certeiros.

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Do norte, a fúria amistosa dos 800 Gondomar num concerto com uma energia fora de série. Dois anos depois de lançarem o EP no Barreiro Rocks, voltam à margem sul do Tejo, desta vez no palco maior para nos inundarem com a sua sujidade apetecível. Com riffs a fazerem lembrar os crus inícios dos anos 80 do mundo musical em Portugal e um instrumental que mistura uma série de estilos, não deixando nunca de transparecer uma bela camada de boas energias, ainda que insanas. “Cabeçudo” foi dedicada ao Nick Suave e, porque era festa, tocaram a versão punk rock da “Solo Se Vive Una Vez” das Azucar Moreno, terminando ainda com o guitarrista a saltar do palco e a desaparecer por entre o público.

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É verdade que me posso estar a tornar repetitiva mas também é verdade que não consigo esconder que os Espanhóis fazem o melhor punk da Península Ibérica. Falamos daquele cru, rouco e de revolta que está nas bases deste estilo musical. Aquele de letras brutas e despidas de preconceito, de calças skinny rasgadas e tremores pelo corpo todo. Não esperava outra coisa de Biznaga. A banda punk de Madrid tocou demasiado rápido para o bom momento que se estava a saborear (mas não é a rapidez que caracteriza o punk?). O pedal era hiperactivo e os riffs a rasgar, a voz, em espanhol, era áspera e o conjunto fazia cortar a respiração de um só golpe. Em cada música uma explosão. “Mala Sangre”, Maquinas Blandas”, “Brigadas Enfadadas”, entre outras ecoam na cabeça algum tempo. Foi a estreia deles em terras lusas e esperamos que voltem mais vezes. Houve muitos concertos da noite neste sábado e este, certamente, que está no top 3.

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Entretanto, no bar, estava o mítico Crooner Vieira à nossa espera. Ele, que não tinha marcado presença no dia anterior devido ao facto do seu clube não ter ganho, brindou-nos com a interpretação de umas quantas canções da sua era e da nossa também. Paixão não lhe falta e muito menos carisma, era imensa a multidão de pessoas à sua volta e a energia transpiarava dele.

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+ fotos na galeria Barreiro Rocks’16 Dia 3 Dezembro Crooner Vieira

Da Grécia, prontos a espalhar uma onda de caos delicioso, vinham os Bazooka. Não foi preciso muito para se dar início ao mosh e ao crowdsurfing. A música deles era demasiado contagiante e vinha com uma embalagem de energia e poder inexplicáveis. Um punk rock vibrante e viciante saia pelas colunas e nós entregámos-nos a ele com a intensidade de quem precisa dum concerto daqueles para viver. São 2 elementos de percussão e umas teclas maravilhosas! São também cordas diabólicas e uma voz coesa e algo perversa. No fundo, tudo junto, tornou este  momento inesquecível tratando-se de um concerto onde se viveu, se transpirou e se deu o melhor. Só temos a agradecer por isso!

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Diogo Augusto também nos surpreendeu com a sua aparição no bar. Com ele trazia uma guitarra, pedais e um PC e não precisava de mais nada para nos transportar para ambientes distorcidos e cheios de fuzz, num acto de algum experimentalismo contagiante.

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Os holandeses The Anomalys, não são só grandes em tamanho mas também em talento. Quem olha para eles não espera a selvajaria que criam. Também foi a estreia deles em Portugal e decidiram causar boa impressão, não correctamente, mas em modo loucura (o nosso correcto). Logo no início, Bone reclama com as grades existentes, que lhe condicionam o acesso ao público. Afirma que isto é rock’n’roll, logo trata-se de liberdade, não de prisão. Mas não foram estas que o impediam de vir tocar para o meio do público (até para o meio do mosh) com uma força e garra indescritíveis. O punk rock que tocam é rápido e galopante, as faixas são curtinhas mas intensas o suficiente para nos desassossegar. Convidaram um membro dos Les Grys Grys para os acompanhar na harmónica, fizeram magia com faixas como “Rock’n’roll World”, “Soul Saver” e “Fatal Attraction” e espalharam muita loucura!

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Com a sala já um pouco despida, os italianos The Dirtiest subiam ao palco já meio alterados e dispostos a continuar a estragação. Duas guitarras, bateria e voz criavam um garage punk que tanto tinha de seco e cru como de romântico. O álcool dava sinal de si, mas não se podia esperar menos de uma noite tão intensamente vivida! Apesar disso, o concerto foi dado como se as pilhas não acabassem com uma pujança grave. Das vezes que tentaram comunicar connosco pouco se decifrava uma palavra, mas não faz mal! O que interessava era a música que nos traziam. Ás 10 para as 4 Fábio mergulha na bateria e o concerto acaba.

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A sala do pavilhão estava encerrada mas no bar a festa continuava com The Twist Connection. Uma partilha de rock’n’roll com almas sedentas e incansáveis. A voz de Carlos é completamente viciante e entranha-se em todos os poros do nosso corpo. Uns belos passos de dança neste fim de noite a terminar com o rock’n’roll puro e bonito destes 3 rapazes.

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Nesta noite o punk reinou e passaram diante de nós as mais variadas derivações deste género musical, desde o mais cru e bruto ao mais romântico e delineado. A verdade é que o punk traz felicidade, seja de que maneira for!

Os mais duros continuaram para o 5º e último dia de festival com uma matiné no domingo na escola. Nós tivemos de ficar por aqui. No entanto, saímos com aquele sorriso parvo de adolescentes apaixonados. O que vivemos nestes dois dias de festival foi algo demasiado intenso, genuíno e quase inexplicável. Os concertos encheram todas as medidas e até vazaram para fora e o todo do que é o Barreiro Rocks plantou um bicho dentro de nós que vai precisar de ser alimentado de ano para ano em cada edição existente. São festivais e eventos como este que nos fazem continuar a caminhar e a ter a certeza que todo o esforço é compensado da melhor maneira! Parabéns e um grande bem-haja à organização e a todos os que fazem parte da família.

Toda a informação sobre o Barreiro Rocks 2016 está disponível no nosso website em Reportagens > Festivais > Barreiro Rocks.

Os artigos e fotografias de cada dia estão disponíveis em:

+ Barreiro Rocks’16, terceiro dia: Quando o rock’n’roll é Rei
+ Barreiro Rocks’16 Dia 2 Dezembro Conan Castro & The Moonshine Piñatas
+ Barreiro Rocks’16 Dia 2 Dezembro The Brooms
+ Barreiro Rocks’16 Dia 2 Dezembro The Sunflowers
+ Barreiro Rocks’16 Dia 2 Dezembro Les Synapses
+ Barreiro Rocks’16 Dia 2 Dezembro Ambiente

+ Barreiro Rocks’16, quarto dia: O punk rejuvenesce a alma!
+ Barreiro Rocks’16 Dia 3 Dezembro The Japanese Girl
+ Barreiro Rocks’16 Dia 3 Dezembro 800 Gondomar
+ Barreiro Rocks’16 Dia 3 Dezembro Biznaga
+ Barreiro Rocks’16 Dia 3 Dezembro Crooner Vieira
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+ Barreiro Rocks’16 Dia 3 Dezembro Diogo Augusto
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+ Barreiro Rocks’16 Dia 3 Dezembro The Twist Connection
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+info em https://www.facebook.com/barreirorocks/

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Luis Sousa
Evento – Barreiro Rocks 2016
Promotor – Hey, Pachuco! Associação Cultural