Este terceiro dia, o mais fraco a nível de line up, na minha opinião, começava da forma mais emotiva que algum dia havia sentido em Coura. Não só foi um momento especial, como trouxe um pouco de esperança, mesmo que o mundo esteja a cair aos pedaços.
Sérgio Godinho foi o protagonista deste momento especial. Ele, a sua banda e os seus convidados. Numa altura em que a humanidade está cada vez mais desumana e o ser humano cada vez mais egoísta, fútil e destrutivo, sabe bem sentir uma união genuína, forte e sólida pela defesa de valores e, principalmente, da nossa liberdade, que a tanto custo nos foi dada.
No fundo do palco, fotografias de várias idades de Sérgio Godinho ajudavam a sentir que não só estávamos perante uma celebração da liberdade mas, também, da vida.
Confesso que, na hora a que foi, nunca tinha visto este anfiteatro natural tão cheio, como naquele dia, para aquele concerto e isso aprofundou mais a emoção. A entrar individualmente ou em par, estiveram no palco Samuel Úria, Manuela Azevedo, Ana Lua Caiano, Milhanas e A Garota Não e juntos cantaram em comunhão e em homenagem a este grande senhor da nossa cultura. Foi uma festa feita com amigos, para amigos. Foram inúmeros os rostos que vi lavados em lágrimas, incluindo o meu, tal como a pele de galinha. Em harmonia gritámos pela liberdade e pelo enterro do fascismo. Éramos muitos! e isso foi a coisa mais preciosa que podíamos trazer dali! Não só éramos muitos, como muito jovens. Mas não é este o espírito deste festival?
Para simbolizar ainda mais o momento, apareceu nos ecrãs o Presidente António José Seguro, que via, também ele, em lágrimas este concerto em cima do palco! Que nos lembremos mais vezes de momentos como este e lutemos para que não sejam destruídos!
Ryan Davis & The Roadhouse Band já nos esperava no palco secundário para nos manter a serenidade e aconchego. A voz é quente e encaixa na perfeição com o estilo de música que toca: um country com muito rock e distorção de mão dada com americana. Faz-se acompanhar de uma banda de excelência que nos prendeu do início ao fim!
Foi a primeira vez que veio a Portugal e, espero, que seja a primeira de muitas.
Ao mesmo palco sobem, mais tarde, os Terraplana, banda de shoegaze do Brasil. Numa atmosfera coberta de um baixo quase palpável e uma voz feminina a servir de instrumento, rapidamente nos guiaram numa viagem tímida, intensa e introspectiva cheia de explosões e implosões. As vozes masculinas fazem-se notar de forma mais demarcada e, todo o conjunto, acaba por ser uma mistura entre a intensidade de DIIV com as paisagens texturadas de Slowdive.
Para encerrar esta noite, tínhamos os ingleses Bloc Party no palco principal. Kele tem aquela voz incrível de quem nasceu para cantar e mantém-a desde o início. Em 1999 a banda fora inovadora e pioneira na mistura de indie com electro e algum post punk e marcou várias gerações, influenciando várias bandas mas neste momento está a piscar ligeiramente o olho ao hip hop, o que torna tudo algo mais estranho. Apesar das distorções e bateria enérgica foi um concerto morno, fazendo com que perdesse a vontade de ficar até ao fim.
Fotografias dos restantes concertos do dia cobertos pela nossa equipa
Benjamim Clementine





































































































































































































