No passado dia 21 de março, o Lisboa Ao Vivo recebeu um dos concertos mais especiais da carreira dos UHF. Sob o mote “UHF Underground”, a banda lisboeta propôs uma viagem menos óbvia pelo seu repertório, resgatando temas menos mediáticos — autênticos “lados B” — que, longe de serem esquecidos, foram cantados em uníssono por um público fiel, provando que o estatuto underground dos UHF não é apenas estético, mas profundamente identitário.
Antes mesmo de se ouvir a primeira nota, o ambiente já se fazia sentir nos bastidores. Num gesto de rara proximidade, a banda recebeu calorosamente toda a imprensa convidada nos camarins, disponibilizando-se para breves conversas e fotografias em grupo, num momento descontraído que antecipava a cumplicidade que viria a marcar toda a noite.
Com sala esgotada, o Lisboa Ao Vivo encheu-se de um público maioritariamente acima dos 40 anos — uma plateia que cresceu com os UHF e que continua a acompanhar a banda com devoção. Essa ligação geracional foi evidente ao longo de todo o concerto, com cada tema a ser vivido intensamente, como se de um clássico se tratasse.
A noite teve também um elemento particular: António Manuel Ribeiro, carismático líder da banda almadense, apresentou-se limitado fisicamente, impossibilitado de tocar guitarra devido a uma lesão no braço esquerdo. Ainda assim, a sua presença em palco manteve-se firme e magnética, conduzindo o espetáculo com a intensidade e entrega que sempre o caracterizaram.
O alinhamento refletiu na perfeição o conceito “Underground”, com temas como “O truque é morrer cedo”, “Persona non grata”, “Devo eu”, “Lisboa Hotel” ou “Geraldine” a surgirem lado a lado com outros momentos marcantes como “Noites lisboetas”, “Vernáculo (para um homem comum)” e “Estou de passagem”. A reta final trouxe ainda “Quero sair vivo (deste mundo menor)”, antes de um encore que devolveu ao público alguns dos maiores clássicos: “Caçada”, “Cavalos de corrida” e “Rua do Carmo”.
Como já é tradição, coube a “Bora Lá” encerrar a noite, numa celebração coletiva que sintetizou na perfeição o espírito do concerto — uma comunhão entre banda e público que ultrapassa gerações e modas.
Mais do que um simples concerto, este “UHF Underground” foi uma afirmação de identidade. Tal como a própria banda afirmou recentemente, “UHF é e sempre será underground” — não por estar à margem, mas por nunca deixar de dizer exatamente aquilo que precisa de ser dito.



































































