O ano e o tempo que passaram a correr trazem-nos de volta a casa. Aquela casa que nos faz feliz, completos e cheios de uma leveza inexplicável.
Paredes de Coura não é só um festival, é uma cidade que nos acolhe, um rio que tanto nos gela como nos apazigua e uma natureza que nos faz renascer.
Mais uma edição do Festival Vodafone Paredes de Coura com um cartaz equilibrado e com a qualidade a que estamos habituados e, como é habitual, voltamos ao vosso encontro para vos dizer as nossas sugestões para os próximos dias 13 a 16 de Agosto.
Mas antes disso, temos o já tradicional Festival Sobe à Vila que começa a 10 e vai até 12. Dia 10 os concertos vão acontecer na Caixa de Música com Rabbit e DJ set de Alcrud3, dia 11 já no coração da Vila temos Gato Sapato, BBB Hairdryer e os DJ’s Set de Ana Rock On e BOTAFOGO, para finalizar, no dia 12 haverá IBSXJAUR e Travo e os DJ’s Set de Lei da Paridade e The Ema Thomas.
O dia 13 começa na relva com o habitual Jazz na Relva, neste dia com a participação de Boca-Rota e Caio. Após isso damos início à jornada musical no nosso mais querido anfiteatro natural.
Os destaques deste primeiro começam no palco BacanaPlay com Being Dead, o trio de Austin tem uma sonoridade indie com rasgos de surf e pop psych e conta já com dois discos.
Passamos para o palco Vodafone para uma sonoridade elegante com Nilüfer Yanya. Uma cantautora britânica com uma voz poderosa que, seguramente, nos vai tocar na alma.
Regressamos ao palco secundário para um reencontro com a serenidade bela de Cass McCombs. O cantautor de indie folk que já nos é conhecido pelo aconchego musical vem apresentar o seu mais recente trabalho Seed Cake on Leap Year, lançado no ano passado.
Na linha da serenidade e aconchego, no palco Vodafone, vem MJ Lenderman com o seu alt-country vestido de indie. Membro da banda Wednesday regressa um ano depois a Coura para apresentar o seu trabalho a solo.
Passamos para o palco BacanaPlay onde nos espera o australiano Don West e uma soul elegante e suave que nos vai, certamente, abraçar carinhosamente. Com um EP apenas, lançado no final do passado, promete ser uma boa revelação.
Para não fugir à linha ténue deste início de festival, no Palco Vodafone apresenta-se Zaho de Sagazan. A jovem cantautora já muito aclamada pela crítica traz o seu primeiro trabalho lançado em 2023 que mistura música electrónica com indie e alguma pop.
Terminamos em modo festa com o regresso dos Vampire Weekend a Portugal. A banda indie que mistura várias sonoridades confluindo sempre na pop, traz agora o mais recente disco Only God Was Above Us, lançado em 2024. Promete ser um belo momento de descontracção e dança para sairmos de sorriso no rosto.
O segundo dia de festival começa à beira rio com os mergulhos habituais e as atuações de Monstro e Marta Lima.
Abrem as hostes no recinto os nortenhos amantes de rock’n’roll Bed Legs que regressam ao festival, desta vez ao palco secundário, para mostrar o seu mais recente disco Decadance.
Passamos para o palco Vodafone com os veteranos Linda Martini que estão de regresso a Coura e aos discos com o seu mais recente Passa Montanhas. Mantém-se o seu registo electrizante e cru com letras que reflectem o estado preocupante do país.
Regressamos ao palco secundário e ao norte com os Glockenwise que têm vindo a sofrer mutações ao longo da carreira, encontrando-se agora num registo que foge ao rock e se aproxima do indie pop com letras em português.
Ainda no registo indie, desta vez cantando em português do brasil, temos Terno Rei. A banda de São Paulo vai tentar adoçar o fim de tarde com a sua indie sonhadora e o seu último disco Nenhuma Estrela.
Regressamos ao palco Vodafone para uma performance que será intensa e bastante performativa, pelo menos é a isso que Perfume Genius nos tem habituado. Traz Glory, o seu mais recente trabalho, lançado este ano.
Passamos para algo mais ritmado e endiabrado. O Palco BacanaPlay vai ser alvo de uma boa descarga eléctrica e muita adrenalina com os Fat Dog. Numa mistura de música electrónica com pós-punk e bastante energia, os ingleses vêm apresentar o seu primeiro disco, lançado no ano passado.
Ainda de Inglaterra mas num formato mais indie e pop, Lola Young vai tornar o palco um pouco mais dançável antes dos cabeça de cartaz.
Para evitar corpos mais adormecidos, regressamos ao palco secundário para um belo mosh com os Soft Play. É um duo e também vem de Inglaterra prontos para incendiar corpos e palcos com o seu punk rock com laivos de hardcore.
Para encerrar o palco principal Portugal. The Man. A banda do Alasca está de regresso ao anfiteatro natural num registo menos pop chato e um pouco mais psych com distorções, a avaliar pelas últimas coisas que saíram. Alguma expectativa para este concerto e para a segunda oportunidade que lhe darei.
De Los Angeles para encerrar a segunda noite do Festival, The Hellp com uma electrónica com algum trash e dance music. Para os mais resistentes.
Num instante já estamos a meio desta jornada de música e sonhos e a começar o terceiro dia de festival, aquele que será o mais díspar a nível de equilíbrio musical. Na relva temos Ry Vuh Redux Expand e Dora Morelenbaum. Já no recinto, o dia começa tranquilo com as texturas jazzísticas com algum post rock dos Memória de Peixe que lançaram o seu mais recente disco no ano que corre.
Mantemo-nos no palco BacanaPlay para receber Cassandra Jenkins para uma ambiência mais pop e folk num registo sonoro elegante e carregado de energias suaves, perfeito para dançar levemente.
No palco Vodafone apresenta-se Geordie Greep, membro fundador de Black Midi visitantes de ambos os palcos do Festival. Num registo totalmente diferente do anterior, com pop, jazz-funk e, até, ritmos latinos esperemos que faça jus à dimensão do palco que vai pisar.
Falharam no ano passado, mas neste ano vão compensar. Os Bar Italia vão estar no palco secundário prontos para nos encher de ritmo e boas energias com o seu indie pop bem pincelado de synth pop.
Segue-se depois uma calmaria extrema com o concerto de Black Country, New Road no palco Vodafone. A banda inglesa que prima por grandes composições e por misturar vários estilos musicais, vem apresentar o seu mais recente trabalho editado este ano. Levem uma manta, podem ter de se sentar.
Regressamos ao ritmo e a algo mais espevitado para podermos despertar de alguma dormência que possamos ter do concerto anterior. As Lambrini Girls são duas e não nos vão deixar parar de certeza com o seu punk contagiante.
Como se estivéssemos numa montanha russa, voltamos a baixar o nível de adrenalina no palco Vodafone com o regresso de King Krule a Coura. King Krule é um compositor exímio e consegue ir a diversas paisagens e fazer criações sonoras incríveis, mas vai, certamente, ser estranho depois das Lambrini.
Mais um pico de ritmo no palco BacanaPlay com o duo La Jungle que podiam fechar a noite, mas não o vão fazer. Os belgas vão inundar-nos com uma mistura de techno, kraut, transe e noise.
Com algum ritmo mas não o suficiente para acompanhar La Jungle, vem o último concerto do palco principal. Mk. Gee estreia-se em Coura com o segundo disco lançado no ano passado.
Encerra-se o terceiro dia com Ela Minus no palco secundário e uma electrónica suave que cria com uma boa colecção de maquinaria.
Num instante se chega ao fim desta odisseia pela natureza com uma banda sonora de encantar.
Sábado, dia 16, é o último dia de festival, que começa com Hot Air Balloon e A Sul no Jazz na Relva.
No recinto e no palco Vodafone começamos com o ritmo quente de Ana Frango Eléctrico que nos vai fazer seguir as ondas de calor que seguramente vão aparecer ao nosso redor.
No BacanaPlay esperam-nos as Chastity Belt que nos trazem uma folk cheia de sonhos e pop, ao contrário do que sua cidade espelha.
Um dos concertos mais esperados, para mim, virá a seguir, num horário estranho, mas que esperemos não estragar a envolvência da banda. Os DIIV deram um dos concertos da minha vida naquele palco, em 2019. Numa bolha sonora que mistura dor, shoegaze, indie rock e synth rock, os DIIV são capazes de nos guiar a diversos locais durante os concertos, basta fecharmos os olhos. Trazem Frog In Boiling Water, lançado no ano passado.
Segue-se outro que vai ser um concerto intenso e marcante. Sharon Van Etten é uma deusa do rock. Das vezes que a vi, arriscaria chamá-la de Patti Smith dos tempos modernos e acho que não preciso dizer mais a não ser que tem disco novo, lançado este ano.
Passamos para o post punk dos londrinos Warmduscher no palco BacanaPlay. Com o quinto disco lançado no ano passado vão, de certo, dar-nos um boost de energia para aguentar as últimas horas de festival.
Costumo dizer que Air é daquelas bandas a par com Portishead e Massive Attack que não devia fazer festivais, principalmente em horário nobre. São bandas maravilhosas mas demasiado mortiças e espero que Air, aqui, à hora que é, não dê uma valente quebra de energia.
Encerra-se o palco principal com os escoceses Franz Ferdinand e o seu dance rock que tão bem nos vai fazer. The Human Fear, lançado este ano, vai ser, certamente, a estrela da noite, sem esquecer os êxitos que tão bem sabemos de cor.
Passamos para o palco secundário para vermos Gurriers. Estes rapazes são um grito de revolta, um soco no estômago e um post punk destes da moda mas com qualidade. Agarram em nós, abanam-nos e mandam-nos contra a parede sem que consigamos manter os pés no chão. Depois disto, cama com um belo sorriso a rasgar o rosto.
Para os mais resistentes ainda há dança com Xinobi.
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Não se esqueçam de ficar atentos às Music Sessions que são sempre surpresa e garantem momentos especiais e, na sua maioria, inesquecíveis.
Até já!



