Vila Praia de Âncora volta a acolher o SonicBlast Fest de 6 (dia de warmup) a 8 de agosto, e o Música em DX vai marcar presença para mais uma cobertura de um dos festivais de verão mais excitantes do país. Na nossa 9ª participação, viajamos do imersivo folk de Emma Ruth Rundle ao pesadissimo doom/post de Amenra, deixamos algumas sugestões de cada dia do Sonicblast.
Dia 6 de agosto (quarta-feira)
O festival inicia por volta das 22h00 e demonstra as suas apostas em vários géneros logo no warmup, com o punk rock dos Overcrooks a açoitar no palco 3, seguidos de Daily Thompson, que forçosamente teve de cancelar a presença na edição de 2024, a trazer o primeiro “banho” de desert rock e influências de grunge. O thrash de Nerve Agent estará encarregado de levantar o pó (literalmente) pouco depois da meia-noite e mesmo antes de assentar, teremos um dos nomes mais antecipados do festival no palco, Castle Rat. A banda terá oportunidade de tocar em dois dias, com o seu stoner clássico e teatralidade a deliciarem-nos.
Dia 7 de agosto (quinta-feira)
O dia 1 inicia com estrondo de thrash e punk dos Capela Mortuária e BØW, respectivamente, onde os últimos já provaram no ano passado que sabem desabilitar as defesas do público e incitar às mexidas. Entre o psych dos Hooveriii e de Spoon Benders (juramos que o baixo soa a veludo, inacreditável), regressamos ao stoner e aos Slomosa que não são estranhos no nosso país (novamente, baixo incrível) e à intensidade que estes noruegueses nos mimam.
Estou intrigado com o que os DITZ possam oferecer com o seu indie/noise, pois nos últimos anos a recepção desta sonoridade tem sido muito positiva (a olhar para vocês Frankie and the Witch Fingers e Wine Lips); o sunset estará encarregado (e bem) aos Earthless. King Woman será também um ponto de interesse a investigar, o último álbum – Celestial Blues – deu muito que falar, com doomgaze mas é na apresentação que mais me empolga. Será cativante e sombria? Às 21h20 saberemos.
Amenra dispensa intros nesta fase, é peso emocional e bruto))), é comunhão de doom marcado no palco 1. Por falar em peso, Fu Manchu é imediatamente a seguir no mesmo local, com um feel good stoner que decerto irá causar euforia, dos mais aguardados!
Dia 8 de agosto (sexta-feira)
O segundo dia está um pouco mais focado no stoner/psychedelic com algumas excepções. Pode-se declarar como o dia mais relaxante, com o instrumental (japonês) de Tō Yō a iniciar e My Sleeping Karma mais tarde às 22h00, Witchcraft logo a seguir e Daevar no palco 3. Não faltam opções para este dia de realeza stoner… Há mais, claro, mas com habituais nuances de se distinguem.
Recuando um pouco para os japoneses, tenho alguma curiosidade aqui pois poderemos ter um deja vu de Minami Deutsch aquando o seu concerto em 2019 neste festival, é um pouco niche este rock oriental mas tenho a certeza que seremos recompensados. Nagasaki Sunrise dispensam apresentações, com uma postura de veni vidi vici, nunca vi um concerto deles que não tenham vindo e conquistado. Desta vez a guerra é no palco 2 e há ordens de mobilização. Os Gnome com barretes pontiagudo parecem algo caricaturescos mas o stoner com alguns toques de metal não só não são de brincar como, a par de Witchthroat Serpent, vão-nos brindar com lentíssimos (!) riffs super catchy, danças, headbang…
Chalk também uma daquelas cartas fora do baralho que dará alguma dinâmica, um electro/noise mais dançável e emotivo, a criar um combo interessante com Dame Area no mesmo dia.
Dia 9 de agosto (sábado)
O dia começa com uma das bandas mais antecipadas, os italianos Messa, com o seu novo trabalho The Spin. Uma chapada de doom logo a abrir que me faz recordar a distribuição do dia 3 no ano passado, que não foi nada amigável felizmente. King Buffalo não são estranhos para nós, deram um fantástico workshop de desert rock em 2022 que ainda hoje me ecoa. Dead Ghosts e Castle Rat (segundo concerto no fest) são as restantes do palco 2, com Patriarchy no meio.
Não haverá meio termo tanto com estes assim como Molchat Doma, no entanto tem havido sempre boa resposta com novos géneros adicionados ao lineup. O auto-denominado snuff pop que Patriarchy trará vai decerto mexer com o nosso corpo e mente, assim como os bielorussos de Molchat estarão já habituados a fazer. Antes destas danças, há magnitude de Monolord e anarquia de Circle Jerks. Os suecos voltam a casa, depois da chuva abençoada de 2019, para nos banhar com mais stoner/doom de se arrancar a cara. Por falar em derreter faces, Dopethrone está na área. Não tocam baladas nem slows, apenas puro e imundo sludge.
Vinnum Sabbathi fecha o dia, e festival, com a sua sonoridade mais cósmica para nos fazer lançar na estratosfera, final adequado. Depois de 2017 terem sido dos primeiros a abrir no palco 2, desta vez o space rock fecha.
Muita escolha para os dias e para a nossa fome musical! Temos o familiar e o desconhecido a rodar entre 3 palcos, assim como uma praia (literalmente) ao lado. Até já e digam-nos olá!



