No terceiro dia tivemos um extenso cardápio de bandas de Rock’n’Roll, na sua mais pura essência. Não fossem os lendários Metallica os cabeça de cartaz terem esgotado o primeiro dia desta edição. O ambiente no recinto esteve bem diferente dos dias anteriores, com as t-shirts da banda de James Hetfield a dominarem o outfit dos festivaleiros. Muitos pais orgulhosos de poderem levar os seus descendentes a experienciarem o que é fazer parte da “Metallica family”, e muitos séniores preparados para reviverem mais um momento explosivo da banda de culto.

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Apesar do alinhamento confluir para um Rock mais puro na sua essência, ainda tivemos umas escolhas um pouco ao lado, como AJ Tracey (rapper) no palco NOS e a argentina Ncki Nicole no palco Heineken. Mas na generalidade, quem não era verdadeiramente apreciador dos gritos das guitarras elétricas não teve muitas alternativas neste dia.

Ainda durante o calor escaldante das 17h00, os Alta Avenue subiram ao palco Heineken (com pelo menos mais dois graus do que na rua) e esforçaram-se para não desiludir os poucos roqueiros que estiveram na tenda. Dotados de um som que marcou os anos 1980, a banda originária de Los Angeles nos EUA tocou pela primeira vez em Portugal e demonstrou gratidão por estar num festival onde iriam atuar os Metallica (aliás, todas elas fizeram essa referência durante as suas atuações). Na tentativa de enriquecerem o espetáculo, imagens de vídeos foram permanentemente projetadas no ecrã, algumas delas, confesso, tive dificuldade em fazer conexões com as músicas. Mas isso também pouco importa, deve ter sido do calor (!). Dentro de uma composição clássica de instrumentos, introduziram um violino tocado pela voz feminina dos coros (ucraniana), com a intenção de dar um pouco mais de originalidade aos riffs já tão batidos. Intenção que não passou disso mesmo, ou seja, não acrescentaram nada de novo ao cartaz.

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No compasso de espera entre o palco Heineken e o primeiro concerto do dia no palco NOS, passámos pelo palco Coreto, onde a portuguesa Meta conseguiu dar-nos uma lufada de ar fresco com a sua sonoridade limpa e melódica. Apesar de ter sido de fugida, conseguimos perceber que Meta continua com uma beleza singular nos sons de improviso (loopsation), e que as suas letras ganharam maturidade literária. Pena ter sido muito pouco tempo.

A banda britânica de Bedford teve a sua estreia em palcos portugueses em 2019 no Festival nortenho Marés Vivas. Já nessa altura tiveram uma forte presença em palco e em Algés foram ainda mais explosivos. Que concerto! Todos os músicos de altíssima qualidade, com estilos diferentes entre si mas com uma união na entrega durante toda a atuação. Estiveram com tudo! Comunicação constante com o público, incentivo permanente a mosh e a circle pit, o que não deixou ninguém indiferente. Músicas com ritmos entre o rock alternativo e o pop-rock, com algumas jardas mais hardcore, o que as tornam, na generalidade, bastante diversificadas. Sem repetições maçudas de acordes, cada tema era uma explosão de energia e boa disposição. Aproveitaram muito bem o aparato de extensões de palco que foram montadas para os Metallica, e partilharam que estavam mesmo muito felizes por o fazerem e por poderem tocar no mesmo dia que “a melhor banda do mundo”. A pandemia também foi tema de conversa (como todas as bandas neste festival), e apresentaram algumas músicas do álbum que gravaram em 2021, “Amazing Things”. Os Don Broco são meninos para voltar mais vezes (assim esperamos) e quem sabe em nome próprio (LAV?).

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Os londrinos Sea Girls tiveram a sua estreia em Portugal e, ainda no calor da tarde (18h30m), puxaram das guitarras e eletrizaram o palco Heineken! Atraíram todos os fãs ingleses que estavam no recinto do festival e conquistaram o público português que ainda não os conhecia. Os Sea Girls são uma banda de indie rock formada em 2015. Apesar de uma reduzida discografia, ‘Under Exit Lights’ (EP) e ‘Open Up Your Head’ (álbum) ambos de 2020, e acabadinho de sair ‘Homesick’, são conhecidos pelas suas poderosas atuações em palco. E no NOS Alive repetiram essa proeza! Henry Camamile e o seu look meio punk rocker e simpatia, contagiou todos à sua volta. Já próximo do final andou pelo público em pé, esticando a mão para se segurar. Momento que já é habitual nos seus concertos. Mais uma banda para voltar (Coliseu?).

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Eram 19h30m e o rapper AJ Tracey conseguiu puxar os mais jovens para o palco NOS, porque os mais velhos e as crianças aproveitaram essa hora para jantar. E fizeram muito bem, pois os Royal Blood iriam antecipar Metallica e, com 55.000 pessoas no recinto, guardar o lugar seria imprescindível.

A cantora Nicole Denise Cucco atuou no palco Heinekein às 20h, em substituição de Tom Mish que cancelou o concerto alegando motivo de doença. A jovem de 21 anos é argentina (cidade de Rosário) e conquistou o Grammy Latino de ‘melhor artista revelação’ em 2020. Com um reportório bem composto para a idade, Nicki despertou muitas curiosidades no festival. Acho que todos estávamos expectantes para ver a sua atuação. Independentemente da escolha ter sido um pouco “ao lado” face tipo de bandas deste dia, o “show” revelou-se bastante profissional e (secalhar) a pedir um palco um pouco maior, dada a quantidade de músicos, coros e bailarinos! Ritmos dentro do hip-pop e pop, Nicki Nicole não desiludiu quem ali estava pois o gingar de ombros do público e a sua permanência no concerto levaram-nos a crer que afinal a moça até foi uma boa alternativa a AJ Tracey.

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Royal Blood. E depois do jantar o duo britânico fez o aquecimento para os gigantes Metallica. E que aquecimento! Mike Kerr (baixo e voz) e Ben Thatcher (bateria) provaram que são dignos de um palco de dimensões avantajadas e de atuarem para milhares de pessoas a salivar metal. Sabemos que um público sedento de amplificadores e de uma bateria potente, reagiria sempre em conformidade, ou seja, acompanharia freneticamente o que lhes aparecesse em palco. Mas com os ‘monstros’ que estavam no alinhamento, essa reação poderia ser mais contida. No entanto este duo (+ teclas), que estivera neste mesmo festival em 2017 no palco secundário (na altura palco Sagres), cresceu à medida das exigências do público que tinha à sua frente e foi exímio na responsabilidade que tinha às costas. A reação dos milhares que ali estavam foi incrível, acompanharam desde o primeiro momento os grandes rasganços da guitarra baixo de Mike Kerr e puxaram pelos solos de bateria de Thatcher. Dos hitts mais antigos, como “Figure it Out” (2014) aos mais recentes, “Trouble´s Coming” (2021), tudo esteve amplificado e levado ao limite pelos músicos. A satisfação e o orgulho por estarem naquele palco fez com que cada tema fosse mais apurado que o anterior. Um final simplesmente apoteótico, com Kerr em cima da bateria (numa plataforma elevada) num longo despique com Thatcher e que deixaram no público descargas de adrenalina! Foi preciso um breve descanso antes do clímax da noite, Metallica.

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