Há ânsias difíceis de controlar. As que nascem da espera por uma hora ou um momento em que sabemos que vamos ser felizes. Assim passei o dia inteiro da passada sexta-feira, dia 21 de Setembro. Não podia ser de outra maneira, era a terceira vez que iria ver The Cavemen e seria a primeira vez num clube, o Sabotage.

Paul, Jack, Nick e Jake subiriam ao palco quase perto das 23h30 com aquela cara tímida e angelical de quem tem uma alma serena e tranquila. Poucos segundos foram necessários para que essa cara ficasse para trás e assumissem um controlo descontrolado e genuíno fruto de quem escorre garra, talento e muita adrenalina.
Os The Cavemen carregam consigo o cheiro das caves e a atitude de quem nasceu para ser animal de palco numa era em que os Stooges já não existem mas o seu legado mantém-se vivo e encarna em forma de muitas destas maravilhas que nos são oferecidas.
Não há como não nos deixarmos levar por toda a adrenalina e explosão energética que sai do palco que pisam. São rápidos, diabólicos e demasiado intensos!

20180921 - Concerto - The Cavemen (NZ) @ Sabotage Club

Esta noite não foi excepção a nada! E naquela hora e pouco o tempo parou, a água escorreu pelas paredes escuras do Sabotage e pela pele de cada um. O coração acelerou e o calor que vinha de dentro e de fora fez com que a inércia física se tornasse impossível.

Nuke Earth saiu em Abril deste ano e anda de país em país a fazer pessoas felizes, foram apresentadas 8, das 13 faixas que compõem esta maravilha auditiva e, em palco, fizeram jus, uma vez mais, a toda a ambiência e envolvência que transportam.
As pessoas berravam, subiam ao palco e a cerveja voava, tudo em forma de espelho do que tinham diante de si. Poucas músicas depois do início da montanha russa arrancar, já estavam em tronco nú. Paul, já andava no meio das pessoas e Jack a rebolar no chão. “Mess”, “Dead To Me”, “Boyfriend”, “Janey”, “Don’t Know Why”, “Why wont You”, “Elvis Is Alive” entre muitas outras, faziam-se ecoar pelos quatro cantos, vindas das entranhas de quem vivia aquele momento como se fosse o último das suas vidas. É isto o que significa The Cavemen! Uma espécie de prova de que viver é tão bom e de que a vida deve ser levada ao expoente máximo de adrenalina que o nosso coração possa aguentar. Engane-se quem ouve os discos, pois ao vivo é tudo mais rápido e intenso! A bateria acelera, Paul canta e grita e as cordas quase que nos deixam desnorteados! Para além de que a atitude que os olhos alcançam e aos ouvidos não chegam perto em casa.

 

Satisfação e emoções à flor da pele viam-se nos rostos de quem respirava fundo após o vazio que ficou no palco. Não fosse o desgaste e o calor acredito que estes quatro rapazes não saíssem tão cedo daquele turbilhão desconcertante e autêntico que tanta força nos deu.
Foram 2 os encores e mais tivessem havido! O público estava saciado mas insatisfeito, o desejo de mais é impossível de controlar! E ainda bem que a insatisfação existe para poder ver nascer meninos de ouro como estes.

Que o rock’n’roll nunca vos mate como diz a “Elvis is ALive” e que venham, pelo menos, uma vez por ano, matar a sede de caos a estes corpos e mentes.

 

Promotor – Sabotage Rock’n’Roll Club

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