Já todos sabemos que o Sabotage Rock Club nos presenteia com noites especiais onde podemos assistir ao melhor que anda pelas estradas nacionais e internacionais. A passada noite de quinta-feira, dia 16, não foi diferente!

20171116 - The Picturebooks @ Sabotage Club

Pudessem os The Picturebooks entrar de chopper em palco e o deleite estaria completo. Foi só isso que faltou no panorama visual, porque de resto, a nível sensitivo foi tudo sentido e representado interiormente na sua plenitude como se as ilustrações do livro que nos estava a ser apresentado ganhassem um contorno distinto aos olhos de cada alma presente. Nesta sala, nesta noite, houve algo que não foi distinto: o talento, a paixão e o poder que existiu em cima do palco transpuseram uma aura de energia magnética para todos nós.

O duo alemão partilhou connosco aquilo a que chamarei de fome de boa música. Os riffs de desert rock entranharam-se em nós e, podíamos saborear a brisa do deserto quente e ensolarado rasgado ao meio pela Route 66 onde passeamos confortavelmente durante o concerto. O poder de Phillip na bateria era tão grande que quase nos explodiram os vasos sanguíneos da cabeça, sem qualquer dor, apenas prazer. A garra com que tocam é tão forte que isso se sente em cada gota de suor que lhes escorria já no fim da primeira música. A voz de Fynn, extremamente consistente e a soar a América ajudava ao desenho por nós idealizado onde, nos perdemos por quase 1h20! Em “Wardance”, a intro de bateria mostrou-se algo tão intensa que quase ficamos sem ar para, logo de seguida, dançarmos sensualmente e cantarmos em coro “Zero Fucks Given”, a música que representa o caminho de todos na estrada e na vida.

20171116 - The Picturebooks @ Sabotage Club

A acompanhar as faixas cruas, corpulentas e sábias, por vezes, ecos de índio com os quais nos íamos cruzando ao longo do deserto e tambores que nos faziam querer sentar ao largo da fogueira com estes dois rapazes. “Home is a Heartache”, “Bad Habbits Die Hard”, “The Rabbit And The Wolf”, “Your Kisses Burn Like Fire” trouxeram êxtase e uma euforia sã a toda a plateia que gesticulava, dançava ou simplesmente, passeava de olhos fechados. A empatia criada foi automática e tudo aconteceu em modo crescendo, tanto o concerto como a relação humana entre eles e nós e as músicas e nós. Houve ainda tempo para um encore, onde, em primeiro Fynn, tocou sozinho “On These Roadas I’ll Die” e depois com Phillip já na bateria “This Bridges I Must Burn”. Depois do concerto, pairou a serenidade genuína de quem esperava por este momento há muito e o desejo do regresso que, esperamos todos, seja para breve!

 

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Luis Sousa