A escolha de bandas que continuam a passar no 4º Aniversário do Sabotage Club (Cais do Sodré) foi de excelência. No segundo dia, a diversidade de registo foi ponto de honra e a prestação dos músicos alvo de elogios. A zona Centro foi bem representada por duas bandas solidamente reconhecidas, Cave Story e Memória de Peixe. Da capital, uma das bandas revelação de 2016 com o primeiro álbum “Mirror Lane”, o heterónimo de Alexandre Rendeiro, Alek Rein.

20170428 - Concertos - Cave Story + Alek Rein + Memória de Peixe @ Aniversário Sabotage Club

Sala cheia de verdadeiros conhecedores das bandas, que ao juntar ao acompanhamento das letras, felicitaram os músicos oferecendo golos de cerveja. Esta cumplicidade entre os músicos e o público é já uma imagem de marca deste espaço, sendo a proximidade uma vantagem.

Passava pouco das 22h30m quando a primeira banda da noite entrou em palco. Os Cave Story que desde 2013 “inventam pérolas de Rock desalinhadas” (Mário Lopes, in Público) das Caldas da Rainha para o mundo, exorcizaram as cordas eléctricas durante 60 minutos. Num alinhamento que percorreu boa parte da discografia editada, com especial destaque para o mais recente álbum (Out-2016) “West”, agora também em vinil. Saída apoteótica nos ritmos punk-rock, a fazer recordar uma bretanha de volta “ao outro lado do rio”. Gonçalo Formiga (voz e guitarra), Pedro Zina (baixo) e Ricardo Mendes (bateria).

Sem tempo para encore, uma rápida passagem de testemunho que se traduziu na mudança de instrumentos. O espaço ficou de repente com uma maior massa humana, sedenta de se instalar na fila da frente e receber Alek Rein. A bateria arrancou em ritmo crescente, orquestrando a nostalgia do baixo e os acordes dos anos 1970 da guitarra de Alexandre. Um revivalismo futurista, deambulante nas passagens trabalhadas do baixo e na sofreguidão assertiva dos fios soltos da guitarra. Um trio de complemento perfeito, capaz de dissertar poesia nas notas e projectar a pauta na voz. Nos 8 temas da noite, 3 deles novos, ainda em incubação para o próximo trabalho. Esta actuação foi uma vez mais a constatação da solidez de Alek Rein, na sua autenticidade rítmica e poética. Alexandre Rendeiro (voz e guitarra), Alex Fernandes (baixo) e Luís Barros (bateria).

A terceira passagem da noite, esta um pouco mais demorada pela complexidade nas ligações dos pequenos elementos electrónicos da banda. Uma guitarra e uma bateria que orientam a multiplicidade de ritmos saídos daqueles aparelhómetros. A engenharia na montagem foi igual à da actuação! Miguel Nicolau (guitarra) e Marco Franco (bateria) excederam o limiar dos níveis de ansiedade, deixando o público (falo por mim) colado aos movimentos rápidos de sincronização de braços e de pés. Um concerto de Memória de Peixe tem que ser assistido na primeira fila, de forma a acompanhar a velocidade estonteante em que os pés do Miguel se movem sem nunca deslizar um único acorde. Com dois trabalhos editados, álbum homónimo (2012) e “Himiko Cloud” (2016), os Memória de Peixe quiseram “matar o loop” neste percurso de 4 anos. Mas apesar de ritmos mais orgânicos, ele continua a encaixar na perfeição em cada tema. Uma memória que acelera o ritmo cardíaco, e que perdura muito mais que 3 segundos.

Para finalizar uma noite de grandes músicos, só mesmo com grandes DJs. Tivemos a sorte de ouvir a escolha de Mário Lopes, António Manuel e Nuno Rabino.

Parabéns ao Sabotage Rock n’ Roll Club e a toda a excelente equipa, por nos ter dado 4 anos inesquecíveis e óbvio, contamos festejar convosco muitos mais. Obrigada! 

Texto – Carla Sancho
Fotografia – Luis Sousa