O Indie Music Fest, festival que no ano passado chegou aos ouvidos de toda a gente por ter sido distinguido como o Melhor Micro Festival que acontece em Portugal, prémio atribuído pelo Portugal Festival Awards após votação do público, teve este ano a sua 3ªedição entre os dias 3 e 5 de Setembro no Bosque do Choupal em Baltar.

Para quem não sabe, Baltar é uma pequena freguesia do concelho de Paredes, a 30km da cidade do Porto, habitada por aproximadamente 5000 pessoas, e não é de perto nem de longe o núcleo central da música alternativa portuguesa na região norte. No entanto, Tiago Nalha e alguns amigos da terra, resolveram a um par de anos lançarem-se numa pequena loucura como é a organização e realização de um festival como é hoje o Indie Music Fest, considerado já um local de culto para a música alternativa portuguesa, e onde muitas bandas jovens, talentos, procuram aparecer para se mostrarem a um público que gosta realmente de música.

O Música em DX procura na sua essência a música que poucos conhecem e o talento que nos pode surpreender. Mas procura também os locais onde essa música acontece, por norma, também eles com muito de alternativo ou diferente, e de certa forma, plenos de magia e interesse. O Bosque do Choupal é um desses locais. Numa pequena saída de estrada nacional à entrada de Baltar encontramos um caminho pedestre que nos guia rapidamente à entrada principal do festival, e onde não imaginamos o que a partir daí acontece. Este ano foi um ano de estreia para nós, e embora algumas das bandas do cartaz já fossem nossas conhecidas, a curiosidade em desmistificar o que é o Indie Music Fest era enorme. O facto de acontecer num Bosque também. Tornava este momento ainda mais mágico, levando a nossa imaginação para cenários ao género dos melhores filmes de fantasia da Warner Bros.

O verde da vegetação predomina, algumas bancas de artesanato ou iguarias locais também, e por isto, vagamente se parece com um festival onde as grandes marcas decoram o cenário. Nós gostamos muito disso. Sentimos-nos mais em casa, mais confortáveis sem aquelas luzes ao melhor tipo de Las Vegas. Uma vez que não tivemos a folga generosa do chefe que nos paga o “chocapic”, apenas tivemos oportunidade de estar em Baltar no dia 5, sábado, o terceiro e último dia de festival. À chegada procurámos adaptarmos-nos rapidamente ao meio, conhecer todos os cantos, e travar conversas com alguns locais que nos ajudaram a conhecer melhor onde estávamos.

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A primeira banda do dia foi Miss Titan, a iniciar ligeiramente mais tarde do que inicialmente previsto, mas nada de grave quando se tem o dia e noite pela frente, e a vontade em ver e ouvir música é grande. Esta banda de Lisboa teve a responsabilidade de começar o festival, e para rimar, não se deu nada mal. A Inês, muito bem acompanhada pelo resto da banda, é uma pequena força da natureza, e a sua entrega em palco não deixa ninguém indiferente.

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Seguiu-se Adeus Júpiter, banda que tocava quase em casa, de gente competente que já tem vários quilómetros de estrada, e isso notou-se. Rock ligeiro agradável de acompanhar, mas longe do nervo e dos registos mais duros que levam qualquer um à saudável loucura de uma grande noite de rock.

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Os The Sunflowers no Palco Cisma deram as boas vindas à noite, e já se sabe, de noite é quando tudo pode acontecer. Esta banda do Porto composta pela Carol e pelo Carlos rapidamente mostraram para quem ali estivesse, que se preparasse para tudo. Ou não fosse a decoração do micro com um lindo girassol, e o vestido sexy do Carlos a deixar mostrar as duas tatuagens nas pernas. O primeiro grande concerto da noite.

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Os Old Yellow Jack foram de Lisboa até Baltar para mostrar Magnus, o seu último álbum, e foram a primeira banda do Palco IMF, o palco principal do festival. Iniciaram a festa neste palco, prometeram novidades em breve, e nós cá estaremos para os receber.

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A seguir, aquele que consideramos o concerto da noite. Pela surpresa, pela envolvência com o público, pela proximidade, pela entrega, pela imprevisibilidade, e pelo registo também, The White Kights, a banda de Braga estoirou literalmente com tudo. Loucura à solta, moches, crow-surf, técnicos de palco em ansiedade e histeria constante, e muita, muita, muita, poeira no ar. Muito obrigado por esta memória.

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Depois do furacão que tinha passado no Palco Cisma, era obrigatório baixar a poeira, recuperar a serenidade, baixar o ritmo cardíaco, e voltar ao Palco Portugal 3.0/Antena 3. Os Tøuløuse, banda de Guimarães, trouxe à noite o sorriso e o transe necessário para ganharmos forças, e continuarmos com as bandas que se seguiam. Foi uma boa surpresa que esperamos ver mais vezes em breve.

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Com Thunder & Co. começava a nossa série contínua dos concertos no Palco IMF, o principal, e no registo que já conhecemos, é contagiante o ritmo de Rodrigo Gomes e Sebastião Teixeira em pôr todos a dançar. Boa energia, sorriso constante – foi evidente a satisfação da banda em estar no meio dos “indies” – e de novo prontos para tirar o pé do chão.

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Seria mentira se disséssemos que Keep Razors Sharp não eram um dos grandes destaques da noite. A já designada “super banda” composta por Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate) têm corrido o país com o álbum “Keep Razors Sharp” lançado no ano passado, e este tem tido as melhores criticas de toda a imprensa. Depois de no fim de semana anterior termos estado com a banda no Reverence Valada, voltámos a encontrar estes Keep Razors Sharp a tocar o que consideramos um dos melhores álbuns de 2014. A seguir com muita atenção, e com muitas surpresas em breve (clicar aqui para ler entrevista Música em DX com a banda).

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Para nós, finalizar a nossa noite de Baltar com Linda Martini resultou numa mistura de sentimentos: de expetativa por ver como a banda superaria tudo o que já havia acontecido até então; de certeza porque eram a banda, em autêntico estado de graça, que provavelmente a maioria do público quereria ver; e também de alguma curiosidade por observar como uma banda, que tem já vários milhares de quilómetros “nas pernas” numa sequência quase interminável de concertos neste final de verão, se iria comportar frente ao público do Indie Music Fest. Se por um lado é verdade que é necessário renovação e novidades no repertório da banda composta pelo Pedro, Hélio, André e pela Cláudia – que foi substituída em Baltar pelo Makoto Yagyu (PAUS), por outro lado é também verdade que verificamos que este set não se esgota para o público mais fiel que continua a viver intensamente cada riff tocado. Confessamos-nos também fãs da banda, mas, já aguardamos alguma curiosidade por ver material novo de Linda Martini. Concerto que se iniciou com alguns problemas técnicos na guitarra de André Henriques, brilhantemente “secundado” pela guitarra de Pedro Geraldes, que teve direito a um “xoxo” na cara pela “safa” à “partida” da guitarra, mas que rapidamente normalizou para uma grande noite.

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Temos a certeza que não foi em vão a nossa visita a Baltar no último dia de festival. Ficou a enorme vontade de lá voltar, e mais importante, de continuar a apoiar projetos que juntam gente que gosta verdadeiramente de música – público, artistas, promotores. Embora por poucas horas, sentimos Baltar como nosso também, e o Indie Music Fest a fazer inveja a muitos eventos maiores pela forma como de forma eficiente e discreta recuperou no resto da noite a hora de atraso que tinha marcado o arranque do primeiro concerto do dia. Só por isto, parabéns, e obrigado também.

Texto – Carla Santos
Fotografia – Luis Sousa