Entre os dias 28 e 30 de agosto, o Parque da Bela Vista volta a receber o MEO Kalorama. Ao longo de três dias, Lisboa será palco de uma programação que cruza diferentes gerações, géneros e linguagens, colocando lado a lado nomes incontornáveis da música internacional e artistas que merecem ser descobertos.
Como já é habitual, o Música em DX analisou a programação e seleccionou alguns dos concertos que consideramos merecer uma atenção especial. Não se trata apenas dos nomes maiores do cartaz, mas também daqueles artistas que podem proporcionar algumas das melhores surpresas desta edição.
Aqui ficam as nossas escolhas para os três dias de festival.
SEXTA-FEIRA — 28 DE AGOSTO
O primeiro dia arranca cedo e apresenta desde logo uma das características mais interessantes do MEO Kalorama: a capacidade de colocar propostas muito distintas no mesmo alinhamento.
18h15 — Anna von Hausswolff | Palco Sagres
Anna von Hausswolff é a nossa primeira recomendação. A artista sueca chega ao Kalorama com uma proposta que dificilmente se enquadra nas fórmulas mais convencionais, cruzando rock, electrónica e ambientes de forte intensidade dramática.
É uma escolha para começar o festival sem pressas e para perceber, desde cedo, que o Kalorama continua a apostar na diversidade.
19h00 — Angine De Poitrine | Palco MEO
Pouco depois, Angine De Poitrine representa uma das apostas que merecem ser acompanhadas com atenção.
Num cartaz onde os grandes nomes naturalmente concentram grande parte das atenções, são precisamente estas propostas menos óbvias que podem acabar por proporcionar algumas das melhores descobertas do fim-de-semana.
19h55 — Melody’s Echo Chamber | Palco Sagres
O final da tarde fica entregue a Melody’s Echo Chamber. O projecto de Melody Prochet regressa a Lisboa com o seu universo psicadélico e alternativo, numa proposta que deverá encaixar particularmente bem no ambiente do Palco Sagres.
É um concerto para quem prefere deixar-se levar pela música, sem grande preocupação com fronteiras entre rock, pop e electrónica.
22h05 — Judeline | Palco Sagres
A partir daqui começamos a entrar nos grandes momentos do primeiro dia.
Judeline é uma das artistas que mais atenção tem despertado na nova música espanhola e chega ao Kalorama com uma linguagem própria, onde pop, electrónica e referências da sua Andaluzia natal se cruzam.
É também uma das nossas apostas para descoberta do festival.
23h10 — Interpol | Palco MEO
Os Interpol dispensam grandes apresentações. A banda nova-iorquina é uma das referências fundamentais do rock alternativo das últimas décadas e deverá encontrar no Kalorama um público particularmente receptivo.
Entre clássicos que fazem parte da memória colectiva de uma geração e material mais recente, será um dos concertos de maior peso do primeiro dia.
00h15 — Grace Jones | Palco Sagres
Grace Jones é, provavelmente, uma das figuras mais singulares de todo o cartaz.
A sua presença em palco ultrapassa a música e aproxima-se da performance, da moda e da cultura pop. Aos 78 anos, continua a ser uma artista absolutamente única e a sua passagem pelo Kalorama poderá resultar num dos momentos mais marcantes da edição.
Para nós, é um dos concertos obrigatórios da sexta-feira.
01h20 — Robbie Williams | Palco MEO
O primeiro dia termina com Robbie Williams.
Poucos artistas têm a capacidade de transformar um concerto num verdadeiro espectáculo de massas como o britânico. A extensa carreira, o repertório recheado de êxitos e a conhecida relação com o público deverão fazer do concerto no Palco MEO um dos grandes acontecimentos do festival.
Depois de Grace Jones, a mudança de registo será total — e essa é precisamente uma das virtudes deste cartaz.
A nossa escolha do dia: Grace Jones, sem esquecer a oportunidade de descobrir Judeline.
SÁBADO — 29 DE AGOSTO
O segundo dia apresenta uma programação onde o hip-hop e as suas diferentes ramificações assumem especial protagonismo. É também o dia em que uma das maiores figuras da música contemporânea regressa a Lisboa.
16h10 — Joshua Idehen | Palco MEO
Joshua Idehen abre as nossas escolhas de sábado.
O artista britânico tem construído um percurso particularmente interessante entre spoken word, electrónica, jazz e hip-hop, tornando a sua actuação numa proposta diferente daquilo que habitualmente encontramos nos grandes palcos de festivais.
É um nome para descobrir.
16h50 — Tyler Ballgame | Palco Sagres
Tyler Ballgame surge pouco depois com uma proposta mais próxima do universo indie e folk.
Num horário ainda relativamente cedo, poderá ser precisamente o momento ideal para descobrir um artista que dificilmente terá a mesma exposição mediática dos grandes nomes que mais tarde ocuparão os palcos.
19h55 — Vince Staples | Palco MEO
A partir das 19h55, o nível de intensidade sobe com Vince Staples.
O norte-americano é hoje uma das figuras mais respeitadas do hip-hop contemporâneo e os seus concertos são conhecidos pela força da interpretação e pela dimensão particularmente directa das suas canções.
É uma das escolhas obrigatórias do sábado.
21h00 — Unknown Mortal Orchestra | Palco Sagres
Unknown Mortal Orchestra trazem ao Kalorama um universo completamente diferente.
A música de Ruban Nielson mistura psicadelismo, funk, soul e rock, criando uma sonoridade que funciona particularmente bem ao vivo. Depois de Vince Staples, será interessante acompanhar esta mudança de ambiente entre os dois palcos.
Mais uma das nossas recomendações.
00h05 — Ms. Lauryn Hill | Palco MEO
E então chega um dos grandes momentos de todo o festival.
Ms. Lauryn Hill é um nome cuja importância ultrapassa largamente o universo do hip-hop. A carreira a solo, o legado dos Fugees e, naturalmente, The Miseducation of Lauryn Hill colocam-na num patamar reservado a muito poucos artistas.
A presença de convidados como Wyclef Jean, YG Marley e Zion Marley acrescenta ainda maior expectativa ao espectáculo.
A nossa escolha do dia: Ms. Lauryn Hill. Mas Vince Staples será, certamente, uma das actuações a não perder.
DOMINGO — 30 DE AGOSTO
O último dia é aquele em que o cartaz do MEO Kalorama assume uma dimensão particularmente rock. Punk, hardcore, post-punk, noise e metal alternativo ocupam boa parte da programação e conduzem o festival até uma recta final de enorme intensidade.
16h05 — Panic Shack | Palco Sagres
Panic Shack dão o pontapé de saída nas nossas escolhas.
A banda de Cardiff leva ao Kalorama uma dose considerável de punk e atitude, numa actuação que deverá funcionar particularmente bem para quem ainda tiver energia para começar cedo o último dia.
E convém guardá-la, porque o domingo será longo.
17h00 — TRAVO | Palco MEO
Uma hora depois é a vez dos portugueses TRAVO.
A presença da banda bracarense é uma excelente oportunidade para descobrir uma das propostas nacionais que melhor representa o lado mais psicadélico e experimental do rock português.
Para o Música em DX, é uma das escolhas nacionais do festival.
18h55 — High Vis | Palco MEO
High Vis são uma das bandas que mais curiosidade nos despertam no último dia.
Partindo do hardcore, a banda britânica expandiu progressivamente a sua sonoridade para territórios próximos do post-punk e do indie, sem perder a intensidade que está na sua génese.
É uma banda que ganha particular dimensão em palco e, por isso, uma das nossas recomendações mais fortes do domingo.
19h45 — Wednesday | Palco Sagres
Wednesday representam outra das faces do actual rock alternativo norte-americano.
Com uma sonoridade que cruza indie rock, shoegaze, noise e country alternativo, a banda liderada por Karly Hartzman tem vindo a conquistar um espaço próprio e chega ao Kalorama como uma das propostas a descobrir.
Mais uma razão para não ficar apenas pelos nomes mais conhecidos.
20h30 — Peaches | Palco MEO
A noite continua com Peaches.
A canadiana construiu uma carreira onde música e performance se confundem e onde a provocação é parte integrante do espectáculo. No contexto do Kalorama, será certamente uma das actuações visualmente mais fortes do fim-de-semana.
Um concerto para ver tanto quanto para ouvir.
22h30 — Turnstile | Palco MEO
E chegamos a uma das grandes apostas do Música em DX para esta edição.
Turnstile são hoje uma das bandas mais importantes da renovação do hardcore. Conseguiram levar a energia do género para públicos muito mais abrangentes sem perder a identidade que os tornou relevantes na cena underground.
O resultado é uma banda feita para palcos grandes e para concertos intensos.
No Kalorama, tudo aponta para uma enorme descarga de energia.
00h30 — Deftones | Palco MEO
E se Turnstile prometem intensidade, os Deftones encerram o festival com uma proposta diferente, mas igualmente poderosa.
A banda de Chino Moreno construiu ao longo de décadas uma identidade que cruza metal, rock alternativo, shoegaze e ambientes mais atmosféricos. É precisamente essa capacidade de alternar peso e melodia que continua a distingui-los.
Depois de três dias de festival, não haverá melhor forma de terminar do que com uma banda que ajudou a redefinir os limites do rock pesado.
A nossa escolha do dia: Deftones, sem esquecer Turnstile.
O MEO Kalorama 2026 apresenta-se assim como um festival que continua a recusar uma identidade musical demasiado rígida. Do experimentalismo de Anna von Hausswolff ao espectáculo de Robbie Williams, do hip-hop de Vince Staples à dimensão histórica de Ms. Lauryn Hill, ou da energia punk de Turnstile ao peso atmosférico dos Deftones, há uma preocupação clara em colocar no mesmo espaço artistas de diferentes gerações e linguagens. O programa oficial confirma precisamente essa diversidade.
Para o Música em DX, será também mais uma oportunidade para regressar ao Parque da Bela Vista, acompanhar de perto alguns dos nomes mais interessantes da actualidade e, naturalmente, transformar cada concerto em imagens.
De 28 a 30 de agosto, Lisboa volta a ter o seu próprio ponto de encontro para quem acredita que um festival não se mede apenas pelos cabeças de cartaz, mas também por tudo aquilo que se descobre pelo caminho.
O MEO Kalorama está de volta. E nós estaremos lá para contar — em palavras e imagens — tudo o que acontecer.



