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SonicBlast Fest 2026, a antevisão da 14ª edição

A pouco mais de uma semana para o regresso do SonicBlast e o nosso entusiasmo não poderia ser maior para assistir uma das edições mais ambiciosas de sempre! Nesta antevisão, os destaques são muitos mesmo, com alguns regressos de artistas que marcaram e apostas novas que talvez surpreendam. O grande palco é novamente em Vila Praia de Âncora, entre os dias 5 (warmup) a 8 de Agosto, onde o drone de Ungraven, o psych/rock de Early Moods ou blackgaze de Deafheaven farão parte do quotidiano.

Dia 5 de agosto (warmup)

Francamente temos de começar por Bongzilla, os lendários do verdíssimo stoner/doom marcam presença duas vezes nesta edição, após inesperado cancelamento em 2023 na tour que visitaria Porto e Lisboa, o que duplica a nossa euforia e alguma sentida glória de “finalmente, cara–“. A banda tem slot marcado para palco 3 no warmup, onde a alegria costuma ser mais próxima e a poeira mais alta. Spin The Skull são um dos estreantes aqui também, com influências de punk/doom/psych com muitos solos e que soam das Grutas de Mira de Aire são prova das apostas do festival para uma audiência mais interactiva. Sim, mosh.

Dia 6 de agosto
Honestamente, o que não é destaque aqui? O primeiro hype terá de ir para os Elephant Tree, com um stoner super fuzzy muito doom que irá estremecer o chão e os tímpanos. Por favor usem earplugs. Mais logo teremos Midnight! Outra escolha irreverente mais dinâmica, mais black, mais speed! Incrivelmente rock ‘n’ roll sem reféns, sem remorsos. Neste estaremos na trincheira.
Antecipávamos um back-to-back entre Deafheaven e Chat Pile mas isso não torna a recepção menos dolorosa. Os primeiros são discutivelmente a wildcard do festival, assim como foi Amenra no ano passado, com o seu repertório mais extremo. Acreditem que há fãs e certamente haverão mais depois, mas com presenças de bandas que misturam black, só seria inevitável trazer uma deste calibre. Por falar em Korn, os Chat Pile iniciam a sua tour europeia aqui mesmo. Estes simpáticos com música não-simpática são uma das bandas da actualidade (desde 2022 – é uma “actualidade” longa), e têm um novo trabalho a ser lançado em inícios de setembro. Provavelmente não teremos oportunidade de ouvir muita coisa nova mas garantimos que haverá trivia cinematográfica.

O palco 2 encerra com o doom de Mephistofeles, algo mais sonante de Electric Wizard mas mais psych e menos sacrifícios. Marcarão regresso ao nosso país após passagem no ano passado. Sem dúvida, uma das melhores do género. Madmess fecha o dia com psych mais imersivo, será mais descompressão para a mente e corpo.

Dia 7 de agosto
Com psych finaliza-se o dia 1, com psych inicia-se o dia 2. “Ethereal Waters” é o novo trabalho dos Jesus The Snake, com sonoridade mais ambiental, presencial, com algumas vibes de Yawning Man, e é esta elevação que ansiamos. Os Hög, assim como os Deathchant, são as escolhas do psych/rock do dia, sendo a primeira iniciante e os segundos residentes. Em tom mais sério, a RidingEasy é claramente uma editora que sabe lançar bandas deste género, e esta sempre foi a base do SonicBlast. De mencionar que a banda de Los Angeles irá lançar o seu novo trabalho, Kova, neste mesmo dia. Voivod sobem no palco 2 às 18h25, com o seu tranquilizante thrash para testar o pulso do público. Os míticos regressam depois de uma passagem em 2022 na capital; aqui este género ainda é uma ideia embrionária mas se o speed consegue… Logo de seguida, os Conan têm no calendário a palavra “esmagar” às 19h35. Será um contraste brutal mas se thrash destrói, o doom esmaga. Dispensam apresentações mas para os menos atentos, é face-ripping doom. Não estar lá à frente não garante que fiquem com a face inteira. Querem ver concertos ou criar memórias?

Não podemos descartar outros dois importantes regressos a Portugal, Kylesa e Turbonegro. Coincidentemente a ouvir a “We’re Taking This”, os norte-americanos podem não ter novos trabalhos mas têm uma nova alma e após uma ausência de 12 anos (foda-se!), está na altura de termos em nosso repertório esta experiência, com uma das vocalistas mais incendiárias. O auto-proclamado deathpunk dos noruegueses, regressa também após uma última visita cá que preferimos omitir (foi em 2007). A banda atravessa uma excelente forma e reinvigorada, estaremos lá para gritar “All My Friends Are Dead”!

Dia 8 de agosto
Com o último dia, chegam os derradeiros cartuchos; chamemos-lhes de Necrot. Um death metal munido com tudo o que seja inflamável, irão provar que o festival não tem receio de fazer este tipo de exemplos algo memorável. Elder de regresso, após lançamento do Through Zero. O colectivo que continua a surpreender com novas explorações cósmicas estará no palco 1 às 22h15. O mesmo palco receberá os titãs High On Fire, a única banda até ao momento vencedora do galardão “Acordei A Vila Durante o Soundcheck”. O pesadíssimo sludge está de volta ao palco 1, agora com Ben Koller na bateria e a dupla Pike/Matz a fazerem o fazem melhor.

Ungraven será a última do festival, mas sem provar que o drone pode também fazer jus. O projecto paralelo de Jon Davis (Conan) e David Perry (ex-Conan) trarão vibrações espaciais orgásmicas, algo mais transcendente após a loucura dos dias anteriores.

Um festival que pretende arriscar mais, nota-se que este ano há mais extremidade, entre a introspecção e a explosão. Se não dermos novidades depois, procurem-nos. Um até já!