“It Might Hurt” é o nome do novo EP da banda portuguesa Powow, cujo evento de lançamento decorreu passada sexta-feira dia 20 de Fevereiro no Tokyo Bar no Cais do Gás, em Lisboa.
Para os acompanharem na primeira parte do concerto, foram convidados os ecléticos Damn Sessions que, mais uma vez, encheram a sala com cenários Lynchianos e com os vibrados arrastados da voz quente de Pedro Pereira. Com dois trabalhos editados, o álbum homónimo em 2021 e “El Impostor” em 2023, o quinteto blues boémio está cada vez mais refinado nos seus concertos, tornando-os cinematográficos e intimistas. Do blues meio preguiçoso e ritmado, passando pelas sevilhanas enegrecidas pela bruma de vidas impustoras, e terminando num punk-gótico com pujança e uma raiva harmoniosa. Os Damn Sessions são daquelas bandas que ao vivo se transformam num imaginário tão vasto quanto diverso, mas com uma encorpada sonoridade. São momentos que nos deixam de alma aquecida, e com vontade de ouvirmos uma e outra vez.
Mas a noite era mesmo da Sara Dancer e dos Powow, que viram a sua formação consolidada em finais de 2020 com a gravação do videoclip ‘Redlands’, tema do seu primeiro EP homónimo lançado um ano depois. Em 2022 começaram a tocar ao vivo em Lisboa e nos arredores, até que na semana passada regressaram ao Tokyo para a apresentação do segundo EP, lançado em janeiro.
Uma dezena de músicas, onde as quatro novas músicas deste EP foram intercalando com as mais antigas, fazendo as delícias dos amigos que se foram juntando ao longo do concerto, conseguindo assim tornar a sala confortável. As trocas das guitarras de Sara, entre elétricas e acústicas, aconteceram a meio do concerto depois do tema ‘Whole’ que, com uma base bastante assertiva da guitarra-baixo, elevou ainda mais a projeção harmoniosa da voz de Sara.
Apesar do grunge anglo saxónico injetado no espinhal dorsal, também se consegue ouvir uns resquícios de country-pop e de indie rock. Guitarra (Pedro Poceiro) e baixo (Miguel Libório) assertivos, mesmo que por vezes pareça que a guitarra está envergonhada, ambos acabam por cruzar muito bem com os acordes mais simples de Sara. Uma nota também para o baterista (Ricardo Catarina) que manteve sempre uma pose descontraída, mas muito profissional.
Os Powow são uma boa surpresa na música portuguesa atual, não só pelas camadas sonoras que conseguem colocar nos temas, como a própria composição escrita (também da Sara) é cuidada, o que faz com que a interpretação vocal nos deixe agradavelmente surpreendidos.













































































