De Heartworms a FKA Twigs, passando por Máquina, Model/Actriz, Boy Harsher e Róisín Murphy, o segundo dia do festival no Parque da Bela Vista foi um hino à intensidade performativa e à surpresa em palco.
O segundo dia do MEO Kalorama 2025 trouxe ao Parque da Bela Vista uma sequência de atuações que souberam captar, provocar e surpreender o público, reforçando a diversidade e qualidade de um cartaz pensado para desafiar gostos e expectativas. Se à partida tínhamos delineado um percurso mais focado nas sonoridades intensas, alternativas e performativas do Palco San Miguel, a verdade é que o dia acabou por nos levar além do esperado, com um dos momentos mais marcantes a surgir precisamente fora do plano inicial.
Iniciámos o dia com os Heartworms, projeto britânico liderado por Jojo Orme, que mostrou a sua força e personalidade desde o primeiro acorde. Entre riffs crus e uma postura firme, a vocalista e guitarrista equilibrou entrega, beleza e presença com uma segurança notável, deixando marca logo nas primeiras horas do festival.
Logo de seguida, os lisboetas Maquina trouxeram uma descarga de energia crua e ininterrupta ao mesmo palco. Com um som denso e poderoso, foram capazes de pôr um público bastante numeroso num estado coletivo de transe — uma atuação hipnótica e arrebatadora.
Ainda no Palco San Miguel, os Model/Actriz voltaram a provar porque são uma das mais excitantes propostas do circuito alternativo atual. Cole Haden, com a sua abordagem performativa, intensa e visceral, estreitou ao máximo a ligação com o público, num espetáculo onde corpo e som se fundiram numa experiência partilhada.
Boy Harsher tomaram conta do mesmo palco ao cair da noite, com um espetáculo onde a sensualidade e o som maquinal da darkwave envolveram o espaço numa atmosfera única. Foi mais um dos grandes concertos do dia, com a dupla a mostrar o porquê de ter conquistado uma base de seguidores tão fiel.
Interrompemos o percurso pelo palco San Miguel para visitar o Palco MEO, onde os Scissor Sisters apresentaram uma produção visualmente irrepreensível e enérgica. No entanto, apesar da qualidade inegável do espetáculo, a sua linguagem estética e sonora acabou por destoar do restante alinhamento que estávamos a acompanhar mais de perto.
De volta ao San Miguel, Róisín Murphy encerrou as atuações no palco com uma performance que voltou a misturar teatralidade, extravagância e pop inteligente. É sempre difícil prever o que Róisín fará a seguir — e isso continua a ser uma das suas maiores forças em palco.
E quando já pensávamos ter encerrado o dia, surgiu a surpresa absoluta: FKA Twigs. Inicialmente fora da nossa rota, a possibilidade de fazer reportagem fotográfica levou-nos ao Palco MEO, onde Tahliah Debrett Barnett e os seus bailarinos ofereceram um espetáculo elegante, coreografado ao detalhe, mas profundamente emocional. A sua presença magnética e domínio de palco transformaram o concerto numa experiência inesquecível — provavelmente, um dos pontos altos de todo o festival até ao momento.
Com o segundo dia fechado em grande, preparamo-nos agora para o terceiro e último capítulo do MEO Kalorama 2025. As atenções estarão voltadas para o regresso dos Yakuza ao palco San Miguel, a promessa emocional de Jasmine.4.T no palco MEO, os universos jazz e experimentais de BadBadNotGood, o pop cintilante de Royel Otis, e, claro, o fecho grandioso com Damiano David, já de madrugada, no palco MEO. Espera-se um último dia de celebração, comunhão e descoberta — como deve ser.













































































































































































































































































































































































