Os 5ª Punkada são uma banda que, recorrendo a instrumentos convencionais e outros adaptados, compõe e interpreta temas originais e que tem sonhos comuns a muitas outras bandas – gravar um disco ou fazer uma digressão. Neste ponto, talvez valha a pena dizer que dois dos seus elementos são pessoas com deficiência mental e outras duas com paralisia cerebral – um grupo de desordens no desenvolvimento do controlo motor e da postura, que podem originar uma incapacidade motora grave – e que o grupo nasceu no seio da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra.

Fausto Sousa nasceu para compor música, escrever letras, cantar e tocar, mas quem o vê na sua cadeira de rodas, com a paralisia cerebral a tomar conta dele, dificilmente imaginaria que ele conseguiria fundar uma banda. Mas, com muito trabalho e com o espírito mais punk que pode haver, Fausto prova o contrário há já quase três décadas, quando fundou este projeto. Desde 2008, é acompanhado nesta aventura por Fátima Pinho, teclista (que integra também a orquestra de samples “Ligados às Máquinas”, também na APCC) e é uma espécie de referência estética dos 5ª Punkada, sempre preocupada com a segunda parte do binómio ‘som + visão’. Jorge Maleiro e Miguel Duarte são os elementos mais recentes, tendo ambos entrado para a banda em 2018. Jorge, além de garantir boa disposição, tem toda a ambição das grandes estrelas rock e começou a tocar guitarra elétrica apenas quando passou a integrar o grupo, mas hoje já fala em fundar uma outra banda e talvez até em ter uma carreira a solo. Miguel é o mais novo dos quatro e o otimista de serviço, discreto q.b. mas seguro de como quer fazer as coisas.

Mesmo existindo vários exemplos de jovens e adultos com estas características que conseguem encontrar na música um instrumento para a sua participação social e artística, são raros os exemplos de bandas em que estejam integrados.

Todos nós temos dificuldades, as deles são apenas um pouco mais acentuadas mas não há nada que a música não esbata. E os elementos dos 5ª Punkada têm muitas diferenças e muitas especificidades, a começar por uma diferença etária de mais de 20 anos (dos 22 do baterista Miguel aos 56 da teclista Fátima) mas, quando se juntam horas a fio na sala de ensaio sentem-se iguais. Iguais entre eles e perante todos.

Ao abrigo de uma candidatura da APCC co-financiada pelo INR, IP a equipa da Omnichord montou, durante algumas semanas, um estúdio de gravação na Quinta da Conraria (espaço da APCC onde os utentes estão diariamente) num processo conduzido pelo produtor Rui Gaspar (dos First Breath After Coma), mediado pelo musico-terapeuta Paulo Jacob (da APCC e membro dos 5ª Punkada) e com as colaborações de Surma e de Victor Torpedo.

Blues da Quinta é o single de antecipação de Somos Punks ou não?, o disco de estreia dos 5ª Punkada que será lançado em formato físico e digital a 23 de Dezembro com um concerto ao vivo no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria. Os bilhetes custam €7,50 e já se encontram à venda aqui.

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