«I am slowly learning the art of letting go, or at least I think so…». É desta forma que se inicia “Black (or the art of letting go)“, o 1.º single/vídeo extraído de Migrations – The Travel Diaries #1, o 5.º álbum dos conimbricenses Birds Are Indie.

O videoclip foi gravado no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, por Bruno Pires, com conceito e edição da própria banda. A música e os três Birds Are Indie movem-se entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição.

A faixa áudio foi misturada e masterizada por João Rui, que no estúdio conimbricense Blue House trabalhou em discos de bandas como a Jigsaw, From Atomic, Raquel Ralha & Pedro Renato e Wipeout Beat. Teve ainda a participação no baixo e teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), como já vem sido habitual.

A componente instrumental de “Black (or the art of letting go)” mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes. Mas, na letra adivinha-se de imediato uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are Indie. No refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it’s over, I’ll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem…

No ano em que celebram 10 anos, o que é muito tempo para uma banda que começou sem (se) dar conta, os Birds Are Indie assinalam este aniversário redondo com a edição de “Migrations” em duas edições distintas, uma em CD e outra em vinyl. Ambos os formatos contarão com a revisita de 5 canções da sua discografia anterior, reinterpretadas e regravadas, no estúdio Blue House, em Coimbra. Mas como a música lhes parece surgir naturalmente, haverá também lugar para mais 10 faixas novas, estando 5 delas no CD (a editar dia 17 de Abril) e outras 5 no vinyl (com lançamento em Setembro), tudo pela mão da Lux Records.

Com mistura e masterização de João Rui, todas as faixas tiveram a participação no baixo e algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano, e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker.

É conhecida e vincada a geografia musical deste trio: o seu ninho foi construído em forma de bedroom pop, com a folk pelo meio, numa postura DIY minimalista, própria dos primeiros voos, tal como aconteceu com Belle and Sebastian, Yo La Tengo, Moldy Peaches ou Juan Wauters. Com o tempo, as asas da sua pop foram crescendo e aproximaram-se do rock que lhes foi ensinado por nomes como Lou Reed, Dean Wareham, Black Francis e Stephen Malkmus.

Ao longo destes 10 anos de história(s), os Birds Are Indie acumularam diversas viagens, umas físicas e outras sonoras. Se muitas vezes se aventuraram à descoberta, noutras preferiram voltar ao ponto de partida. Com dificuldade em estar muito tempo no mesmo lugar, foram migrando entre conforto e desprendimento, atravessando latitudes bem conhecidas e meridianos algo esquecidos.

Em “Migrations – The Travel Diaries #1“está muito presente a ideia de ida e regresso, seja porque o disco vagueia entre diferentes períodos na vida musical e pessoal de Ricardo Jerónimo, Joana Corker e Henrique Toscano, seja porque o mote para as letras que o compõem é a sua própria inquietude, ora desamparada, ora desafiante. No fundo, quem vive entre o aqui e o ali, prefere é estar além, como a mestria de Variações tão bem sintetizou.

E assim, entre começos e (a)fins, 10 anos depois, inicia-se mais uma viagem…

TOUR

9 ABR | Salão Brazil, Coimbra

17 ABR | Sabotage, Lisboa

29 ABR | Casa da Música, Porto

20 MAI | Costello, Madrid

21 MAI | Asklepios, Valladolid

22 MAI | Sala Creedence, Zaragoza

23 MAI | Llimac Elèctric, Lleida

24 MAI | Panorámic, Barcelona

6 JUN | Festival UKP Day, Ribadavia

11 SET | Festival Xiria Pop, Carballo

+info Birds Are Indie

Fotografia (capa) – Francisca Moreira

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