Ao longo de uma carreira que há muito atingiu a meta dos duplos dígitos de duração, os Linda Martini já estabeleceram como ponto bem assente a sua incapacidade de dar um mau concerto, independentemente da data, local, horário, sala ou contexto.

Um pouco por todo o país, desde inúmeras salas de espetáculos a quase todo o roteiro festivaleiro, queremos acreditar que os milhares de fãs do quarteto lisboeta que gritaram ‘presente’ – a sala não esgotou, mas sentiu-se casa cheia – na segunda ocasião dos Linda Martini em nome próprio no Coliseu dos Recreios, já contam com uma mão cheia de concertos da banda em cima. E como tal, dificilmente não contaremos com o seu apoio face à nossa premissa.

O 31 de Janeiro, porém, era ocasião especial, ou não tivesse sido pregada como o ‘fechar do círculo’ do homónimo quinto disco. De facto, o arranque com “Semi Tédio dos Prazeres”, poderia acusar vestígios de uma noite inteiramente dedicado a Linda Martini, quiçá ser tocado na íntegra, mas rapidamente tal ideia dissipou-se quando surgiram “Nós os Outros” e “Mulher-A-Dias”, dois importantes marcos no início de carreira dos Linda Martini e que há uns bons tempos que já tinham perdido o seu estatuto de titulares indiscutíveis nos alinhamentos da banda.

“Volta” e “Juventude Sónica” foram mais dois clássicos resgatados do baú que iam caindo no bom grado de um público que, julgando pelos suaves trauteios, certamente passou grande parte da juventude com os Linda Martini como banda sonora. Seria “Boca de Sal” a adoçar a boca ao público e a fazer o gosto às intensas cantorias da praxe, rasgando-se cordas vocais por uma sequência que contaria ainda com dois outros temas prediletos da plateia: “Gravidade” e “Ratos”.

Pelo meio dos braços no ar e das gargantas ao alto, a pérola “As Putas Dançam Slows” e a mais recente versão de “Frágil” (Jorge Palma) representaram dois extremos opostos na carreira dos Linda Martini, isto é, entre o passado e presente, funcionando como uma espécie de demonstração de toda a evolução que a banda atravessou ao longo destes dezassete anos. E numa noite que veria a jogar em campeonato de best-offs, passou-se por todos os discos e EPS dos Linda Martini, onde nem “Partir Para Ficar”, “Queluz Menos Luz” ou a primordial “Lição de Voo Nº1” ficaram de fora.

Após um final de concerto meio anti-climático protagonizado por “Se Me Agiganto”, o merecido encore surgiu ao som de “Dá-Me a Tua Melhor Faca” e “O Dia Em Que a Música Morreu”, mas o inevitável desfecho não poderia ter sido feito de outra forma do que ao som de “Cem Metros Sereia”, tema fecho de Casa Ocupada e que terminaria numa reminiscente invasão de palco e com um Coliseu dos Recreios em gritar o icónico verso em uníssono.

Com um final em beleza, energia contagiante do início ao fim e um repertório capaz de provar o delírio de qualquer acérrimo fã da banda, voltamos a colocar a mesma pergunta: “mas ainda há quem ache que os Linda Martini dão maus concertos?”.

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