O Sabotage Rock’n’Roll Club recebe aquela que vai ser a primeira edição de um festival que une a consagrada Fuzz Club à mítica sala do Cais do Sodré para um dia de concertos de bandas com o selo da editora. No dia 29 de Junho, poderemos assistir a 10 000 Russos, Pretty Lightning e Servo. Um lineup chamativo para os amantes de e da Fuzz, aqueles que gostas de ser perder nos caminhos da mente e viajar nas estradas do deserto quente. A propósito deste evento, a Música em DX esteve à conversa com o mentor da Fuzz, Casper Peterson para matar curiosidades e perceber a génese de tudo.

Música em DX (MDX) – Pode ser este o mote para início de um novo Festival da Fuzz Club em Portugal?

Casper – Temos de ver como corre este evento para pensar no que fazer a seguir. Fazer nascer e crescer um festival é algo que requer sempre muito trabalho e investimento e para nós, estando em Inglaterra, dependemos sempre dos promotores e produtores locais para que o desafio seja levado para a frente. Mas estamos, sem dúvida, prontos a ser curadores de um novo festival.

MDX – Achas que Portugal está preparado?

Casper – Parece-me que neste momento Portugal tem uma boa cena musical. Muitos músicos estão a ir viver para aí e é um sítio bonito para um festival destes. Por isso, se não estiver preparado temos de tratar de o preparar.

MDX – Costumávamos ter o Lisbon Psych Fest com algumas bandas da Fuzz (quando eu conheci melhor a Fuzz) e, normalmente, quando bandas vossas vêm dar um concerto, ouve-se sempre entre as pessoas: “é uma banda da Fuzz”, tens consciência disto?

Casper – Sim, tenho consciência disso. A editora é o que une as bandas com que trabalhamos e um dos benefícios de pertencer a uma editora como a Fuzz Club é que se alguém descobre uma banda nossa, há uma probabilidade alta de irem à procura das outras bandas que temos. Ser uma editora tão específica da-nos a esperança de colocar nas bandas um selo de qualidade para as pessoas que confiam em nós e se identificam com o nosso gosto. E já que falas nisso, acho que o conseguimos fazer.

MDX – As bandas foram escolhidas por disponibilidade, gosto, encaixe com o Sabotage ou tudo junto?

Casper – Um pouco de tudo. Eu penso que em cada evento tens de tentar criar uma boa atmosfera e que faça sentido, por isso não se podem escolher bandas aleatoriamente. Mas também tens de ter alguma diversidade, se não fica um pouco aborrecido, tem de ser algo bem pensado e pesado. Estou muito contente com o line up do Feedback Fever, são todas bandas muito boas ao vivo e acho que as pessoas vão ter um bom momento de prazer.

MDX – A Fuzz Club já tem 7 anos de existência. Tem sido um trabalho difícil?

Casper – Sim, com toda a certeza! Tem sido sangue, suor e lágrimas. Acho que cada negócio é um grande desafio especialmente na indústria da música por ser demasiado complexa. Pessoalmente, nunca tinha tido nenhuma experiência na indústria da música antes de começar a editora e, muito menos, na gestão de uma empresa. Por isso tem sido uma curva de aprendizagem íngreme com inúmeras horas a bater com a cabeça contra a parede. Por outro lado, tem sido um trabalho bastante gratificante de várias maneiras e isso faz com que todo o trabalho duro e sacrifícios valham a pena.

MDX – A Fuzz Club nasceu numa noite escura de inverno. Achas que as emoções são influenciadas pelo tempo que, por sua vez, influencia a música e que tudo é uma bola gigante de emoções?

Casper – É uma boa pergunta e vou ter de pensar bem nela, para ser sincero. É fácil e romântico pensar que o teu gosto musical é influenciado pelo meio ambiente que te rodeia, mas não acho que seja o caso. Conheço pessoas de todas as partes do mundo e com vários estilos de vida que partilham a mesma paixão por este tipo de música. Por isso penso que que as emoções que influenciam o teu gosto musical são influenciadas por muito mais que o tempo e a natureza à tua volta.

MDX – Esta linha coerente que seguem foi algo que fixaste desde o início ou veio com o decorrer dos anos? 

Casper – Sim, a linha que sigo ou a identidade da editora foi sempre um aspecto importante. Na minha opinião, é muito importante para uma editora ter uma identidade associada para que as pessoas saibam aquilo que defendes. Um dos trabalhos mais importantes para uma editora é filtrar as coisas boas neste grande mundo de expansão sonora. As pessoas geralmente não têm tempo para procurar por música que gostem e eu quero que a Fuzz Club seja uma espécie de encubadora do tipo de música que promovemos.

MDX – Para além da experiência de ouvir música, queres que o álbum seja uma experiência visual e sensorial, algo que se possa coleccionar, isto faz com que a Fuzz seja diferente de outras editoras. Acredito que vocês são têm uma editora muito subjectiva. Se calhar é por isso que eu e outras tantas pessoas gostamos da Fuzz. O que me podes dizer acerca disto?

Casper – Para mim e muitos outros, um álbum ou uma banda é algo mais que música. O aspecto visual adiciona outra camada a tudo. Dá ao trabalho final um novo contexto e permite uma maior conexão com o artista. Se não te podes conectar com o artista que cria o trabalho, na minha opinião, o artwork não vale a pena.

9. Quais são os teus sonhos para a Fuzz Club?

Casper – Já estou velho para sonhar ahahah. Mas tenho metas e algumas delas passam por ter, pelo  menos, um festival anual onde possa juntar a nossa comunidade e fazer showcases com as bandas com as quais trabalhamos. Quero ter o nosso próprio estúdio de gravação e a nossa agência. Além disso, espero que uma empresa grande como a Google, Facebook, etc um dia comece a pagar direitos de autor por usar música e outras artes nos produtos deles.

MDX – Vens ao festival? 

Casper – Não, não consigo ir. Fui pai recentemente e o tempo encurtou um pouco.

Apesar de o mentor da Fuzz Club não estar presente, esperamos seja o início de um novo ciclo e que as pessoas consigam saborear um festival onde as bandas têm um dos melhores selos europeus de qualidade musical.

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