Conquistou o cinema indie com We Need to Talk About Kevin e The Perks of Being a Wallfower. Uns anos depois, a cultura geek ficou rendida aos seus pés, quando se tornou Barry Allen/The Flash para o DCEU (DC Extended Universe) e Credence Barebone, este na saga Fantastic Beasts (Harry Potter).

Com o passar dos últimos anos, Ezra Miller tem-se tornado num dos actores mais promissores de Hollywood, com as franquias a que está ligado a serem algumas das mais rentáveis nestes últimos tempos. Porém, não é só no grande ecrã que o ator se tem destacado: Ezra Miller tem também dado falar no mundo da música, através dos seus Sons of an Illustrious Father.

20190513 - Concerto - Sons of an Illustrious Father @ Musicbox Lisboa

Os Sons of an Illustrious Father são Ezra Miller, Josh Aubin e Lilah Larson. Os Sons of na Illustrious Father são um indie rock que tende a pedir emprestado a irreverência do punk e a energia oriunda de sintetizadores; são difíceis de descrever, mas assumem-se como genre queer. Porém, por mais interessante que seja este projecto, a curiosidade pelo mesmo só surge ao ler-se o nome do ator; os Sons of na Illustrious Father bebem da fama de Ezra Miller para se manterem vivos

Pouco passava das 22h15 quando as portas do MusicBox abriram e a fila que se fazia sentir à porta da sala até ameaçava uma enchente. Errado: apesar do público – muitos equipados a rigor com vestimentas alegóricas a Harry Potter – estar bem concentrado, sem pessoal ‘solto’, o mesmo mal chegava ao bar (20€ por bilhete é um pouco carote, não?).

Primando pela pontualidade, o trio apresentou-se bem-disposto e até satisfeito com a ‘multidão’ que marcava presença; “achávamos que ninguém viria”, confessou Ezra Miller em tom de graça. As fãs, pois claro, fizeram questão de se ouvir, isto enquanto ‘bombardeavam’ o ator com inúmeras fotografias e vídeos.

20190513 - Concerto - Sons of an Illustrious Father @ Musicbox Lisboa

A escassez de público acabaria por elevar o concerto dos Sons of an Illustrious Father a um patamar de intimismo que não seria de todo espectável. Como tal, pairou no ar a sensação de que a banda dissecou as suas canções para que o público as absorvesse na sua totalidade, como “Extraordinary Rendition” e “Very Few Dancers”. De forma a repartir o ‘momento de fama’ pelos três, a banda repartiu sempre, e de igual modo, a função de vocalista, com a voz de todos sempre a surpreender pela positiva.

Apesar de já contarem com um repertório considerável, ficou a sensação de que o MusicBox muito pouco conhecia do material dos Sons of an Illustrious Father, mostrando-se apáticos durante quase toda a atuação; apenas uma versão de “Don’t Cha” (Pussycat Dolls), cantada por Miller, é que reuniu umas tímidas cantorias.

A falta de investimento por parte do público transmitiu a impressão que a banda se conteve a partir de metade do concerto; ao fechar-se os olhos, era como se ouvisse uma banda amadora a dar os primeiros passos num bar qualquer por Lisboa, e não uma banda com o calibre destes Sons of an Illustrious Father. Se calhar, essa falta de ‘pica’ justifique o porquê de o concerto ter demorado apenas 45 minutos… especialmente quando se tem em conta o preço.

As ideias e a irreverência estão lá. A simpatia, durou a noite inteira. Já a execução das canções neste concerto dos Sons of an Illustrious ficou a pecar – e muito. Que a carreira de ator de Ezra Miller é promissora, ninguém se questiona. Já a de músico, está muito longe de um Oscar.

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