É indiscutivelmente uma das caras mais acarinhadas da música portuguesa. Manel Cruz marcou toda uma geração com os seus Ornatos Violeta, isto numa época em que os discos da banda portuense eram uma compra quase certa para qualquer amante do cancioneiro de música portuguesa.

Passados quase vinte anos desde a separação da banda, o tão antecipado primeiro disco a solo do Manel Cruz viu finalmente a luz do dia: Vida Nova foi lançado em Abril último. Para a ocasião, o Capitólio foi a sala escolhida para a apresentação do novo disco de Manel Cruz, e logo com direito a lotação esgotada.

Sorridente, como sempre nos habituou, Manel deu o pontapé de saída com “Como um Bom Filho do Vento” e “Anjo Incrível”, os primeiros vestígios de Vida Nova.

A bem disposição característica de Manel Cruz não tardou em aparecer, respondendo praticamente a todas tiradas que vinham do público, oferecendo palhetas ou brincando com as suposições de um fã sobre o tamanho do seu ‘manelito’. Outro exemplo viria durante uns problemas técnicos com o seu teclado, berrando-se da plateia para “desligar e volta a ligar”, algo que, em tom de troça, Manel disse que já tinha tentado. Foram tiradas como estas que proporcionaram um ambiente descontraído e intimista ao longo de toda a noite; afinal, Manel Cruz é quase como se fosse família.

Ainda pelas marés de Vida Nova, “Cães e Ossos”, “O Navio Dela” e “Ainda Não Acabei” foram das mais celebradas da noite, com esta noite a terminar num extenso loop, possivelmente em jeito de mensagem subliminar que veio assegurar o que já era certo: Manel Cruz está de volta!

Mesmo que a estrela da noite fosse esta nova fase de Manel Cruz, não seria totalmente descabido distribuir o concerto em duas partes: Vida Nova e as reminiscências ao passado; “vamos lá regressar à toca do bandido”, anunciou Manel antes de revisitar “As Minhas Saudades Tuas” e “Canção da Canção Triste”, memórias dos seus tempos com Foge Foge Bandido.

Para o final, “Ovo” e “Maluco” antecipariam o primeiro ligar de luzes, mas não se esperou muito para que o regresso para o encore fosse feito, ao som de “Onde Estou Eu”, “Vida Nova” e “Canção da Canção da Lua”. Porém, a noite não terminaria ali, com mais dois regressos a palco, onde o inconfundível “um, dois, três” de “Capitão Romance” deixou o Capitólio em êxtase e unido a uma só voz, mas seria com “Não Aldrabes” que a noite teria o seu desfecho.

Em Julho, há jantar de família marcado com os Ornatos Violeta. Contamos as horas para sermos novamente acolhidos pelo nosso capitão de serviço.

Deixa um comentário