6 anos dos melhores concertos da música emergente nacional e internacional merecem ser celebrados em 3 noites distintas com concertos e seguidas de um vasto leque de DJ‘s que passam pela cabine do Sabotage ao longo do ano.

02 maio | Löbo + Jibóia

Quanto pesa a alma? Se esta fosse medida pelos Lisboetas Löbo, o seu peso seria uma tonelada, segundo a sua obra-prima de atmosférica lentidão “Alma”, prova de que peso, melodia e elementos electrónicos conseguem coexistir e criar paisagens auditivas capazes de enegrecer a alma porem abrindo um caminho para a luz ao fundo do túnel.

Como o amanhecer após uma morte, há uma qualidade elegíaca no Alma que simplesmente puxa as cordas do coração enquanto simultaneamente afoga o ouvinte num som esmagador. São estes contrastes que põem Löbo em geral e Alma em particular numa liga removida do que é o “doom” convencional.

Para os membros de Löbo, Alma provou ser uma obra bastante influêncial que pavimentou o caminho para novos grupos e inúmeros projectos paralelos. A sua historia não deveria acabar neste ponto, E por isso os Löbo estão a reagrupar e a trabalhar novamente em lançar uma nova peça musical que demarque uma recente jornada para todos os que sentiram falta do seu pulso ao vivo.

Quando Óscar Silva apresentou Jibóia no início desta década tornou bem claro que a sua música iria beber a diferentes trópicos deste mundo, procurando uma conexão entre climas e ritmos que não obedeceriam estritamente a regras de tempo e espaço. Procurar influências na sua música é um exercício imperfeito, porque ela se abre de forma cósmica, sem barreiras, à procura de novos sons ao invés de reflectir sons que se têm presentes.

A partilha é um elemento crucial na criação da música de Jibóia. Nos seus três lançamentos anteriores procurou colaboradores que ajudassem a criar a dinâmica que queria no seu som. No passado trabalhou com Makoto Yagyu (If Lucy Fell, Riding Pânico e Paus) como produtor do primeiro EP, homónimo, (2013); Sequin e Xinobi no disco seguinte, Badlav (2014), e juntou-se a Ricardo Martins para criar Masala (2016), produzido por Jonathan Saldanha (HHY & The Macumbas, Fujako). Em OOOO assumiu o formato banda, e a Ricardo Martins (Lobster, Pop Dell’Arte, BRUXAS/COBRAS, entre outros) juntou André Pinto (aka Mestre André, Notwan e O Morto), para formarem o trio com que actualmente Jibóia se apresenta.

A viagem de “OOOO” é mais partilhada do que nas anteriores. Os três músicos partiram à experiência para criar música através de um conceito, pegando em Musica Universalis, de Pythagoras, que relaciona o movimento dos planetas e a frequência (onda) que eles produzem, com uma harmonia interespacial que essas frequências somadas produzem. Como os músicos descrevem, “é uma relação matemática, algo religiosa até, já que essa musica é inaudível. Uma espécie de conceito poético que designa, ao fim e ao cabo, o som do universo em movimento.” Bem redondinho, é música de cosmos, e não é exagero pensar em Sun Ra como inspiração, dado o diálogo rico, fluente e aberto que acontece entre os músicos ao longo dos quatro temas de “OOOO” .

Os primeiros três temas são referências às 3 principais relações entre as frequências propostas no conceito de Musica Universalis e em cada um deles há um ênfase nos instrumentos de cada um dos músicos: nos de Óscar Silva em Diapason, nos de Ricardo Martins em Diapente e nos de André Pinto em Diatessaron.

Os Parkinsons têm uma carreira dividida maioritariamente entre Portugal e o Reino Unido, são uma banda de culto e considerados por muitos como uma das melhores bandas Punk-Rock a surgir no circuito musical britânico no principio deste século, são inquietos, reivindicativos e altamente ruidosos. “A Parkinsons gig is probably the closest most of us will come to experiencing what an early Sex Pistols appearance was actually like.” in The Guardian.

Biznaga: “Madrid año 11. Dos tíos que llevan unos meses ensayando canciones en una habitación de Lavapiés, ponen un anuncio con el que pretenden reclutar un batería y un guitarrista a los que les guste cosas como TV Personalities, ‘La Conjura de los Necios’ y la serie The Office (la americana) No obtienen ningún éxito.

Los días se suceden y, así, entre la cola del Wurli y la del inem, pasan tres años en los que, mientras encuentran a esos músicos, publican un cassette con Musagre Tapes, un single con Discos Walden, aparecen en recopilatorios como ‘Nuevos Bríos’ de la Fonoteca o ‘Matado por la Muerte’ VOL 2, y arrojan a la red un ya célebre videoclip lleno de desnudos y violencia gratuita. Para entonces ya son una formación estable de 4 miembros plenamente conscientes de que a veces lleva tiempo morirse y, mientras, hay que ocuparse en algo para no aburrirse.

Es junio de 2014 y Holy Cuervo saca su primer LP, ‘Centro Dramático Nacional’, que supone una evolución hacia derroteros musicales más oscuros y , por decirlo así, más ‘autóctonos’. El disco entusiama a público y crítica y eso les permite recorrerse casi toda España . Madrid año 17. Cinco años y muchos más bares y experiencias de precariedad laboral despúes, los Biznaga se encuentran en un momento dulce después de la aparición de ‘Sentido del Espectáculo’, su segundo largo en Slovenly Records (USA), que les permite girar por Puerto Rico, Mexico, UK y Estados Unidos, tocar en festivales como Mad Cool, BBK Live, FIB, Low, Ebrovisión y, con él, tener un nuevo vehículo para joderse la vida.

Recientemente han sido nominados a los Premios Ruido, tras arrasar en todas las listas de lo mejor del año en 2017. Actualmente se encuentran preparando su nuevo LP que saldrá en mayo de 2019.

Dois anos depois do primeiro EP Morning After, após muito sangue, suor e lágrimas, os Fugly seguem o seu percurso em busca do caos e da excentricidade frenética do noise e do garage, bem como a cura para a ressaca, com o novo “Millennial Shit“, a ser lançado pela editora independente O Cão da Garagem.

Os millennials são a Geração Y, os jovens nascidos entre os anos 80 e os anos 90, época que culminou na maior taxa de nascimentos per capita. São a voz do emprego precário, dos estágios intermináveis, da abstenção política, dos direitos dos animais, do vegetarianismo, da erradicação dos estigmas populares, da preguiça, do aborrecimento, da legalização da marijuana, dos smartphones, da falta de emoção e capacidades sociais, da depressão antecipada, do controlo hormonal e do capitalismo forçado.

Com este mote, o álbum gira à volta do romance jovem, das noites loucas e espalhafatosas em que tudo de mau e bom acontece. O arrependimento causado por um dia seguinte cheio de perguntas sem resposta e todo o existencialismo associado.

O álbum, completamente produzido e gravado pela banda no Adega Studios, arranca a todo o gás com “Hit the Wall“, “Ciao (You’re Dead)“, “Millennial Shit“, “Take You Home Tonight” e “Yey“. Todas elas com um registo harmónico e melódico muito simples, directo ao assunto. Músicas rápidas, com pouco tempo e que em poucos versos, introduzem a história: a decadência emocional de quem acabou de ficar sozinho, perdido no meio de copos e tal, em que nem os amigos conseguem fazer nada para mudar, apenas uma epifania causada por muito desgaste psicológico.

É em “Delirium” que temos esse ponto de viragem, o momento de reflexão. “Rooftop“, “Inside My Head” e “The Sun“, dão esperança à personagem de poder mudar tudo, de começar de novo e perceber a lição que foi aprendida. Vemos aqui também um registo mais apurado, fugindo um pouco à estética punk e dando-nos uma espécie de viagem ao centro do Ser. As letras são mais expressionistas e mais densas. Finalizando com uma surpresa no disco, uma música sem nome, “XXXXX“, Fugly homenageam o fechar de um ciclo e o recomeço de outro que estará para vir.

Sunflowers: dito pelos próprios “Somos uma banda rock e tocamos música rock para pessoas que gostam de ouvir música rock e assistir a concertos de música rock. Mais info sobre nós, vão ao Google.

Os Sunflowers voltam às edições com “Castle Spell”, o seu muito aguardado segundo álbum. Para comemorar o anúncio, partilham connosco o primeiro single e faixa que dá nome ao álbum, “Castle Spell“: “A “Castle Spell” deixa um sentimento de paranóia no ar. É uma música sobre estar encurralado dentro de um castelo no sul de França com uma entidade psicótica que tem como único objectivo devorar-te a alma. Quisemos que soasse a algo repetitivo, paranóico e flutuante. Quisemos que quem ouça a música inserida no álbum sinta a história de onde veio e para onde vai. Deve ter sido das primeiras músicas que escrevemos para este álbum e que ditou o trajecto do mesmo.” – Carlos Jesus

Os Moon Preachers são um duo. Tocam garage rock, punk rock, psicadélico, tocam o caos. Tocam a vida de dois miúdos de 19 anos. De frente para o mundo, lançam em Março de 2018 o seu primeiro disco, “A Free Spirit Death“, documento que retrata uma vida adolescente paranóica, confusa e fugaz.

Não tendo nada a perder, apresentam desde honestos hinos à loucura (The Beast/Shake My Head) a tratados punk das periferias (High Street). Desde o rock tribal desassossegado de “Death Hallway” ao balancé de “Walking and Trembling”. Desde canções barulhentas que dizem que é tempo de mudar (Ghost on the Hill) a instrumentais frenéticos que acompanham o teu pensar (Confusion Beat).

Depois de estoirarem diversos palcos pelo país inteiro, preparam-se agora para estoirar o restante. E o mundo.

A programação vai ser direccionada para vários gostos e o bilhete pode ser adquirido por 10€ (diário) ou 25€ (geral – apenas 30 unidades vendidas exclusivamente online – https://bit.ly/2ICu2YE).

+info Sabotage

Fotografia (casa) – Sabotage

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