A felicidade tem vários significados e é demasiado relativa. Mas, a meu ver e sentir, consigo encontrá-la no puro Rock’n’Roll e acredito que seríamos todos muito mais felizes se pudéssemos ter, no mínimo, um concerto desta pureza por mês!
Com alguma saudade desta lufada de ar fresco vinda de Coimbra, fomos na passada sexta-feira, dia 15 de Março, até ao MusicBox ver os The Twist Connection.

Depois da reedição do álbum Homónimo em vinil em Janeiro passado com a inserção de duas novas músicas, o agora quarteto do rock regressou à estrada. A percorrer Portugal de norte a sul com o circuito SuperNova, passaram por Lisboa para relembrar o efeito rejuvenescedor que é um concerto deles.

Faltavam 15 minutos para as 23 horas quando, uma a uma, as posições foram assumidas e a magia começou. A sensualidade quente de “Sweet Little Dimond” inundou-nos de um frio saboroso e a vontade de voar com a voz poderosa da Raquel apoderou-se de nós. Sem pausas, “Breath In” soltou-nos os pés e encheu-nos do sabor a frescura ritmada com analogia a um baile que tanto tem de brilhante como de cru que nos acompanharia até ao final do concerto. O swing, o ritmo, o groove e toda a envolvência dos riffs que tanto nos fazem sorrir são o forte destes senhores e a estrada, sem a menor dúvida, anda-lhes a fazer muito bem. A bateria de Kaló e a sua caixa de ritmos dá-nos o acompanhamento perfeito à cabeças e as cordas à anca e é impossível não nos entregarmos de corpo e alma a este calor que nos percorre. As vozes de Kaló, Samuel e Raquel, em uníssono, ganham uma força poderosa e tudo resulta numa combinação perfeita entre o ritmo e a perdição auditiva.

Stranded Downtown e o último trabalho misturam-se e a maturidade revela-se! 50 minutos souberam a muito pouco naquele espaço onde as pessoas que faltaram deveriam arrepender-se, todo o amante de Rock’n’Roll deveria apreciar um espectáculo de envolvência, presença e sabedoria como o destes senhores.
Entre palavras e poesia, Kaló falou com o público e deu-nos um pouco de si. “Dancing In The Dark”, música presente nesta reedição do álbum, levantou o véu da profundidade, sensualidade e densidade equilibrando o concerto com todos os encantos bipolares do rock. A versão “Heyday” dos The Sound deixou muitos de boca aberta e contribuiu para que os sorrisos fossem cada vez mais rasgados. Por fim, “Night Shift” e a vigorosa “Turn Off The Radio” encerraram aquele que foi um momento que passou demasiado rápido no tempo.

Que esta magia a que se chama música nunca deixe de existir e que estes concertos de genuíno Rock’n’Roll nos encham sempre o coração.

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