O rock’n’roll tem várias vertentes, mas há um sítio onde ainda se faz aquele à moda antiga. Aquele com nos levanta os pêlos e nos cria uma espécie de furacão dentro do corpo que nos enche de calor e nos deixa com vontade de saltar e abanar, numa espécie de libertação de tudo o que nos é tóxico. É, também, para isso que serve o rock’n’roll! Para percorrer uma estrada de libertação e onde podemos despir toda e qualquer capa e deixar que a genuinidade e a atitude pura de amar a música se apodere de nós.

“O rock’n’roll é algo que não podemos passar sem e  com vontade de o pôr em prática.”

Há uma banda que vem da melhor escola, a de Coimbra, e nos oferece disco após disco, concerto após concerto, tudo o que precisamos para ser bem vindos na casa do rock’n’roll.
O meu texto recai sobre os
The Twist Connection e o seu segundo trabalho, Homónimo, lançado no passado dia 08 de Junho de 2018 pela Lux Records. Trabalho esse que foi reeditado em vinil, agora, no passado dia 28 de Janeiro, com a adição de duas músicas e a participação e co-produção de Boz Boorer. Esta edição já conta com Raquel Ralha na capa, parte integrante da banda desde o ano passado que se juntou a Kaló (bateria e voz), Samuel (guitarra) e Sérgio (baixo).

“A Raquel passou a parte integrante de forma natural, já vinha a colaborar connosco neste 2º disco, surgiu a oportunidade de a convidar e aqui estamos.”

Depois de um Stranded Downtown ritmado, agitado e completamente viciante, vem o amadurecido Homónimo. Aqui, podemos sentir a força consistente do rock’n’roll e um passo à frente na elaboração. A carga instrumental está mais completa e trabalhada e, sentimos, a força transcendente que tão bem os caracteriza. Deparamo-nos com certas encruzilhadas mentais criadas pelas cordas, tanto a feminina como a masculina. Sentimos o conforto do mellotron e do theremin e o calor do piano.

Faixa a faixa, caminho a caminho, vamos sentindo uma espécie de combustão a apoderar-se de nós. A tela fala de escuro, bruxas, demónios, pesadelos e Pessoas e consegue envolver-nos numa mística quente da qual se forma um círculo de energia do qual não queremos sair. A viagem divide-se em 10 temas + 2 nesta nova edição e começa com “Evil (Always Wins)” que é composta por um ritmo ardente e intrigante como se estivéssemos a fugir de algo que desconhecemos mas, ao mesmo tempo, queremos que nos toque. “Losin’ Touch” apresenta-nos um baixo caloroso que compõe um ritmo sensual, electrizante e viciante que abre caminho à densa e intensa “Blind Spot”. “Dancin’ In The Dark #1” na sua primeira versão mostra-se uma faixa apaixonante com umas pinceladas de deserto. É lenta, quente, sensual e apaziguante. De seguida, o primeiro single apresentado, “Who Are These People” dá-nos uma boa dose de rock’n’roll que podemos ingerir de um só trago, mas saboreando toda a sua essência e textura ao pormenor. Trata-se de uma bomba de sabores que explode dentro de nós, espalhando-se por cada canto do nosso corpo.

Passamos para cima de um cavalo e vamos romper o asfalto num entardecer já com uma lua grande e brilhante a olhar para nós. Falo da viagem ao som de “Season Of The Witch” e a sua magia circundante. “Scum” entra-nos de rompante como se quisesse fazer uma limpeza ao nosso mundo! Traz ecos desconcertantes a uma velocidade feroz que transformam a faixa em algo denso e, extremamente, forte. Depois de “Big Shame”, “I Can’t Stay” leva-nos ao mesmo asfalto e quase nos perdemos! A segunda versão de “Dancin’ In The Dark” traz a companhia de Raquel Ralha na voz e Augusto Cardoso no mellotron fazendo terminar o disco de forma transcendente e entusiasmante que nos coloca precisamente num Pub de pequenos portões de madeira no meio do faroeste a sentir aquele momento como se fosse o mais significativo das nossas vidas.

“Sweet Little Dimond” é uma faixa apaixonante e corpulenta coberta de um ritmo de encantamento onde só quase ouvimos a voz intensa de Raquel que carrega consigo a força de um rock’n’blues arrepiante.

“Heyday”, versão dos The Sound, pega em nós e abana-nos a uma velocidade louca! Faixa da festa, do caos e da vontade de subir para o cimo de colunas e palcos num frenesim ébrio de rock’n’roll! Ligeiramente mais lenta que a original, não deixa de nos fazer tremer e mordiscar os lábios.

Um disco que nos devia acompanhar nas várias viagens que escolhemos fazer e que deve ser mostrado aos mais novos, tal como os nossos pais fizeram connosco!

“O Boz é amigo de longa data, os bunnyranch já tinham gravado com ele vários álbuns. Tem uma carreira que fala por si e é um tipo cheio de talento.”

Boz Boorer participou e co-produziu esta reedição é limitada e pode ser adquirida aqui.
O disco pode ser escutado e degustado aqui.

Respostas – Kaló
Fotografia (capa) – Iolanda Pereira

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