Os Thirty Seconds To Mars vieram a Portugal para dar dois concertos – em Braga e em Lisboa – no âmbito da digressão de promoção de America – o seu quinto álbum de estúdio – denominada Monolith Tour. Na noite de quarta-feira, 12 de setembro, quem foi até à Altice Arena, em Lisboa, recebeu da parte da banda dos irmãos Jared Leto e Sannon Leto um concerto sem espinhas, não faltando nada daquilo que dele se podia esperar.

Antes dos Thirty Seconds To Mars, tivemos Xande a subir ao palco e a cumprir a sempre complicada missão de aquecer o público para as estrelas da noite. Xande fez parte dos More Than a Thousand e lança-se agora numa carreira a solo, tendo já lançado um EP intitulado It Is What It Is, gravado em Toronto e editado este ano.

Quando entrámos na Altice Arena, apercebemo-nos de imediato de que o concerto dos Thirty Seconds To Mars iria ocupar só uma parte da sala e mesmo essa não estaria totalmente esgotada. O ambiente dentro do pavilhão (onde reinava um forte calor, talvez para puxar a bebida) era algo apagado e só a realização da tradicional onda perto do início do espetáculo é que ajudou a aquecer um pouco um público que albergava várias gerações. Nessa altura, olhávamos para o palco e o que se via era uma bateria enorme de um dos lados e um imenso espaço vazio, com uma pequena passadeira a meio, para que Jared Leto se pudesse movimentar à vontade.

As luzes apagam-se e o público entra em euforia, começando, os que estavam na plateia, a agitar uma série de bandeiras com escritos e símbolos relacionados com o universo da banda. Os Thirty Seconds To Mars são agora um duo, já que o guitarrista Tomo Miličević anunciou a sua saída da banda em junho passado, e ao vivo, a acompanhá-los, está um terceiro músico, que na lógica deste espetáculo passa completamente despercebido, já que o seu posicionamento num canto do palco no meio de uma série de luzes e de fumos leva a que quem estivesse na bancada tivesse dificuldades em aperceber-se de que havia uma terceira pessoa em cena.

O início do espetáculo estava marcado para as 21h, mas só meia hora depois a banda deu início às hostilidades, atirando-se com tudo a “Monolith”, do álbum mais recente, regressando de seguida a 2013, ao disco Love Lust Faith + Dreams, com “Up In The Air”, recuando depois ainda mais no tempo com “Kings And Queens”, do álbum This Is War. Nesta altura, já estávamos totalmente convencidos das capacidades de Jared Leto em comandar um espetáculo, conciliando um enorme profissionalismo com uma excelente voz e uma tremenda forma física (mais parecendo, como o futebolista ídolo do nosso país, que tem um corpo de um jovem de 20 anos), passando todo o concerto a pedir às pessoas para levantarem os braços, as lanternas dos telemóveis e para os acompanharem com as suas vozes, o que não é difícil, tendo em conta que quase todas as suas canções têm os tradicionais “oh, oh, oh” à mistura, altamente propícios à participação vocal do público, que se revelou sempre totalmente envolvido com o que se passava em palco. Para além de toda a performance competente de Jared Leto, temos também um eficiente espetáculo de luz e de cor a servir de cenário às canções da banda. Passa-se seguidamente para a interpretação de “This Is War”, do álbum com o mesmo nome, no final da qual várias bolas de diferentes cores são lançadas para cima do público da plateia, dando assim ainda mais colorido ao que se passava dentro da Altice Arena. Mais à frente, em “Do Or Die”, Jared Leto agita a bandeira de Portugal, aumentando o estado de euforia dos presentes.

Ao décimo segundo tema tivemos um dos grandes momentos da noite, com a interpretação de “Rescue Me”. Antes do seu arranque, Jared Leto solicita a subida ao palco dos melhores dançarinos presentes no local, para em poucos segundos se ver envolvido por duas raparigas que se agarram a ele como se não houvesse amanhã. Juntam-se mais dois rapazes, que, apesar de se revelarem extremamente felizes por estarem ali, foram mais contidos quando se aproximaram do vocalista. No entanto, um deles acabou por ser o “herói” do momento quando levantou a camisola para mostrar o seu tronco todo tatuado com letras de canções dos Thirty Seconds To Mars. No final da canção, somos, novamente, surpreendidos quando Diogo Piçarra, que Jared Leto referiu como sendo um herói local (o que nesta altura é totalmente verdade), é chamado ao palco para com a banda interpretar a ponta final do tema. Seguem-se “Hurricane”, “Remedy”, esta cantada por Sannon, aproveitando o seu irmão para mudar de roupa, “The Kill (Bury Me)” e “Walk On Water”, que Jared Leto interrompe a meio para que uma fã, que se sentiu mal (será que foi do calor dentro da sala?!), fosse assistida. Para terminar, a inevitável “Closer To The Edge”, com aquele que é o caraterístico momento final de um concerto dos Thirty Seconds To Mars, em que algumas dezenas de pessoas são chamadas a subir ao palco para aí ficarem bem junto da banda. A acabar, a tradicional chuva de confettis brancos, criando o ambiente ideal de fim de festa.

Não houve qualquer encore e nem era preciso. Os Thirty Seconds To Mars deram tudo o que tinham para dar ao longo dos noventa minutos de espetáculo e a mais não era obrigados. Houve muita luz, bolas de diferentes cores, um convidado de peso, confettis, uma fã que se sentiu mal e, acima de tudo, houve dois irmãos que revelam um tremendo respeito por quem os segue nesta caminhada – e em que Portugal tem tido um papel fundamental –, dando um concerto completo, sem falhas e quase sem momentos menos intensos.

Texto – João Catarino
Fotografia – Nuno Cruz
Promotor – Everything is New