É sob um signo de cruzamentos multidisciplinares que tem como ponto de partida a música que o MIL – Lisbon Interntional Music Network se constrói. À partida, ou à primeira vista poder-se-ia olhar para o MIL como mais um festival urbano que se divide por vários espaços em simultâneo. É um pouco mais que isso. Não falámos sobre esse aspecto anteriormente mas há que fazer esse parênteses. Para lá dos cerca de 60 concertos a decorrer por oito espaços icónicos da noite de Lisboa existem conferências deveras interessantes a decorrer durante o dia, assim como a projecção de alguns documentários ligados à música em várias vertentes. Posto isto, existe também a vertente multicultural um pouco mais aberta que o habitual (atenção não estou a falar de cenários experimentais…) embora isso seja algo a que nos temos vindo a habituar com o crescimento dos festivais urbanos que passaram de ciclos ou circuitos mais ou menos fechados sobre si mesmos para passarem a ser espaço livre passível de ser ocupado em simultâneo por uma multiplicidade de géneros. E agora, para onde aponta a bússola? Para a qualidade nas escolhas com os olhos postos na descoberta

É sobre essa égide de intercâmbio que o MIL se rege, providenciando este ano um maior destaque às relações musicais luso brasileiras.

Assim faz todo o sentido que a festa de abertura seja um evento único e irrepetivél, de preferência a ser rigorosamente documentado, onde os Boogarins convidam Paus, Paulo Furtado a.k.a Legendary Tiger Man e Capitão Fausto a partilhar com eles o palco do B.Leza.

A noite começou mesmo antes de começar a festa em palco com a projecção dos ensaios deste evento. Imagens dos músicos em estúdio a construir o que iria ser a nossa noite. O B.Leza com todo o seu espaço permitiu que se circulasse sempre por toda a sala por forma a aproveitar o que de melhor tem porque muitas vezes estas ocasiões não são apenas um concerto mas oportunidade de troca de ideias.

20180404 - Boogarins convidam Capitão Fausto, PAUS e The Legendary Tigerman - MIL 2018 @ B.Leza

Os Boogarins entraram em palco e logo de imediato o público que já se havia movimentado após a retirada da tela, aproximou-se um pouco mais. São uma banda feliz a viver momentos felizes, pelo menos assim parece. Os sorrisos são mais que muitos e dirigidos a todos os presentes e entre músicos. O alinhamento não fugirá decerto por muita margem ao habitual dos Boogarins. É a adição de outros músicos às composições da banda brasileira que suscita mais curiosidade.

20180404 - Boogarins convidam Capitão Fausto, PAUS e The Legendary Tigerman - MIL 2018 @ B.Leza

Depois de entrarem em palco com o sempre fresco 6000 dias (ou mantra dos 20 anos) rapidamente o ambiente de festa e sorrisos se espalhou pela sala. Chamados ao palco em primeiro lugar os Capitão Fausto, ao cabo de mais duas músicas, para acompanhar a boa onda já instalada.

20180404 - Boogarins convidam Capitão Fausto, PAUS e The Legendary Tigerman - MIL 2018 @ B.Leza

Fluido e descontraído o momento inicial de espanto não deu lugar á monotonia, e a entrada dos Paus em palco num ritmo tribal e quente aqueceu ainda mais o B.Leza. Terá sido possivélmente o momento que mais contagiou todo o espaço cincundante. Paus e Boogarins como bandas irmãs a concertarem esforços para deslumbrar a plateia. No final os próprios músicos pareciam surpreendidos com o que ali conseguiram, a felicidade e os abraços trocados entre todos espelharam sem sombra de dúvida esse sentimento de dever cumprido.

20180404 - Boogarins convidam Capitão Fausto, PAUS e The Legendary Tigerman - MIL 2018 @ B.Leza

Algumas músicas mais até os Boogarins chamarem ao palco Paulo Furtado, ou o “Tigrão”. A distorção da guitarra de Paulo Furtado rasga e preenche todos os espaços na música dos Boogarins. No meio de todo o som, ouviu-se o tacão de Tygerman bater o palco, que, impetuoso conduziu os Boogarins até uma catarse inesperada com Dinho a deixar o palco por minutos como se precisasse de respirar fora de toda a emoção.

20180404 - Boogarins convidam Capitão Fausto, PAUS e The Legendary Tigerman - MIL 2018 @ B.Leza

Após o final do concerto a noite foi entregue às mãos de A Boy Named Sue, significando isto que enquanto alguém dançar a noite não acaba.

Uma noite em B.Leza. Uma festa a inaugurar outras mil.

 

Texto – Isabel Maria
Fotografia – Luis Sousa
Evento – MIL Lisbon International Music Network’18