Barreiro Rocks’17, dia 2: A saciedade profunda da alma

O segundo dia de Barreiro Rocks começava com uma união improvável de músicos: Cave Story + Duquesa + RA FA EL. A conjugação instrumental resultou trabalhada e bastante bem definida. Cada um interpretava as respectivas músicas com arranjos novos e mais trabalhados. Os sintetizadores soavam a anos 80 com toque de inícios de 90, e a distorção imperava tornando as faixas longas, densas e bem delineadas. No entanto, a duração do concerto foi extensa, o que não benéfico para o mesmo.

20171104 - Festival - Barreiro Rocks'17 @ GD Ferroviários do Barreiro

+ fotos na galeria Barreiro Rocks’17 Dia 2 Cave Story + Duquesa + Ra Fa El

De seguida, os meninos de ouro de Alcobaça, Stone Dead. Não me vou cansar de repetir que estes bons rapazes me reportam à adolescência sempre que os ouço. Trazem-me as boas memórias do rock e das energias que dele absorvemos enquanto crescíamos. A forma como tocam e dão vida aos instrumentos, conquistam-nos em segundos! A energia e garra é de miúdos e o poder e talento de graúdos. O verdadeiro rock sem aditivos delineado pelos riffs brilhantes de Jonas, a bateria enlouquecida de Bruno, o baixo caloroso de Leonardo e a voz crua de João. “Silver Ball”, “Candy” e Good Boys” criaram explosões entre o público e nos nossos corações.

20171104 - Festival - Barreiro Rocks'17 @ GD Ferroviários do Barreiro

+ fotos na galeria Barreiro Rocks’17 Dia 2 Stone Dead

A abrir o palco #Partyfiesta, o duo Moon Preachers e uma energia sobrenatural. Uma bateria forte, uns riffs loucos e uma voz distorcida desenvolveram um surto de disparos poderosos e maquiavélicos que, automaticamente, nos encadearam e fixaram ali. Espasmos corporais e estalos dentro da mente faziam-nos sorrir e absorver cada nota como se de um vício se tratasse.

20171104 - Festival - Barreiro Rocks'17 @ GD Ferroviários do Barreiro

+ fotos na galeria Barreiro Rocks’17 Dia 2 Moon Preachers

Posso assegurar a quem gosta de rock’n’roll que, no panorama actual, os reis deste género se denominam de Twist Connection. Uma garra e sabedoria incansável conjugam-se com as energias emanadas e a interacção quente que desenvolvem com o público. A densidade instrumental alcançada com apenas três instrumentos fazem com que cada acorde se instale em nós e nos faça dançar de olhos fechados e sorriso no rosto por tempo indeterminado. Os riffs de Samuel são penetrantes e dão a mão ao baixo poderoso de Sérgio enquanto que Kaló, em pé, faz magia com as mãos, os pés e a boca. “Night Shift”, “Move Over”, “Breathe In” e “Turn Off The Radio” (esta última com a participação do baterista de The Dirty Coal Train) trazem sempre com elas a magia de que todos precisamos.

20171104 - Festival - Barreiro Rocks'17 @ GD Ferroviários do Barreiro

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De regresso ao bar para mais uma injecção de adrenalina quente e saborosa, os barreirenses Tracy Lee Summer. Com traços americanos e uma garra fenomenal, o rock’n’roll arranhado fez-se acompanhar de muito caos e uma voz rouca e esguia, fazendo com que não perdessemos a emoção e força para continuar.

20171104 - Festival - Barreiro Rocks'17 @ GD Ferroviários do Barreiro

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Que a adrenalina faz bem ao coração e purifica a mente, já muitos sabem. O que não sabem é que podemos atingir este estado com um concerto de punk na sua forma mais pura e crua. A verdade é que, o Barreiro Rocks é pro nisso e, este ano, não foi diferente. Os The Cavemen entraram, tocaram, destruíram, gritaram, pularam e encantaram. A paixão desenvolveu-se de imediato e, na verdade, só precisei de fechar os olhos e eles fizeram o resto. Caras de anjo, miúdos tímidos com medo de partir um prato que, em cima do palco, se transformam em algo transcendente e frenético. As faixas, rápidas, intensas e donas de uma brutalidade gigante espalharam uma espécie de loucura conjunta onde a felicidade, adrenalina e satisfação eram as palavras chave. O verdadeiro punk tem destas coisas, é capaz de unir pessoas e almas, ainda que se vejam grades no ar e mosh a circular. A bateria assustava e fazia crer que no final existissem feridas nas mãos no entanto, sem ela, o ritmo acelerado e endiabrado seria impossível. Os riffs simples mas crus e sujos combinavam com a voz enraivecida e rouca de Paul que, antes do final do concerto, foi para junto do público partilhar o mosh com ele. Depois de 17 faixas, ainda fomos prendados com um encore de mais 3, parecendo tudo demasiado pouco para o estado eufórico com que nos deixaram.  Foi, sem a menor dúvida, o concerto da noite e do festival!

20171104 - Festival - Barreiro Rocks'17 @ GD Ferroviários do Barreiro

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A festa continuou no bar com The Dirty Coal Train e o DJ Set de Candy Diaz.

20171104 - Festival - Barreiro Rocks'17 @ GD Ferroviários do Barreiro

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Obrigada ao Barreiro Rocks por nos envolver sempre na essência mais pura do rock’n’roll e do punk e nos deixar sempre com aquele sorriso de miúdo que acabou de receber rebuçados.

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DIA 1

Barreiro Rocks’17, dia 1: A emoção do reencontro
Barreiro Rocks’17 Dia 1 Ambiente
Barreiro Rocks’17 Dia 1 The Brooms
Barreiro Rocks’17 Dia 1 Mighty Sands
Barreiro Rocks’17 Dia 1 Mr. Gallini
Barreiro Rocks’17 Dia 1 Samesugas
Barreiro Rocks’17 Dia 1 Debut!
Barreiro Rocks’17 Dia 1 Johnny Trottle
Barreiro Rocks’17 Dia 1 El Señor

DIA 2

Barreiro Rocks’17, dia 2: A saciedade profunda da alma
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Texto – Eliana Berto
Fotografia – Luis Sousa
Evento – Barreiro Rocks’17
Promotor – Hey, Pachuco! Associação Cultural