Os Paranoid são o Miguel Carretero (voz), o João Moura (guitarras), o Marcelo Ribeiro (baixo/coros) e o Tiago Fernandes (bateria/percussão), vêm de Sintra e trazem-nos uma sonoridade que reflecte as mais diversas influências que os acompanham desde a adolescência.

The Evidence é um EP composto por 4 faixas. Em cada uma sentimos o cheiro do nascimento de algo com força e garra. A voz, é rouca e acompanha, de forma acertada, a essência de cada riff pesado. Encontramos ecos de diversas bandas que, no seu todo, revelam um resultado que não podia escorregar melhor no ouvido. A bateria faz-se notar bem, tendo alguns traços de thrash e heavy. Estas 4 faixas revelam o suficiente para nos deixarem com curiosidade de explorar a sua música e conhecer melhor estes 4 rapazes.

Encontrámo-nos com o João e o Miguel e conversámos um pouco com eles sobre o nascimento dos Paranoid e do EP de apresentação.

20170509 - Entrevista - Paranoid @ Largo São Paulo

Música em DX (MDX) – Qual é a vossa paranóia?

Miguel – Nós somos mesmo paranóicos, se ouvires as músicas e leres as letras vês que tentamos ser um pouco alternativos e regemo-nos um bocado por ai.

João – Acho que é por ai. A capa do nosso EP tem um colete-de-forças e a paranóia passa um bocado por ai. Da maneira de como estamos um bocado presos e queremos libertar tudo aquilo que está dentro de nós que está um bocado mais contido na sociedade, hoje em dia. Esta libertação passa, sobretudo, pela componente mais agressiva da nossa música e, depois, através das letras do Miguel que trazem uma mensagem um pouco mais política. Tem mais a ver com aquelas experiências do dia-a-dia e é um pouco isso que tentamos passar.

MDX – Dai o nome Paranoid?

João – Foi um processo muito de tentativa/erro, estávamos à procura dum nome que nos identificasse e chegamos a uma shortlist e optámos por Paranoid, também um pouco em homenagem à música dos Black Sabbath.

MDX – É uma influência vossa?

João – Sim! Está mesmo na base daquilo que nós somos enquanto músicos. A música não o vai transparecer, mas está na génese.

Miguel – Nós somos tocamos um metal abrangente, não estamos direccionados numa cena específica.

20170509 - Entrevista - Paranoid @ Largo São Paulo

MDX – E como é que foi a preparação do EP?

João – Nós gravámos uma intro e mais três músicas, que era o que tínhamos. Deu algum trabalho, claro. Quisemos construir uma boa parte instrumental, mais complexa, que levou um pouco de mais tempo… Mas a partir do momento em que consegues encontrar uma linha, depois as coisas fluem e consegues por tudo em cima da mesa e depois é só gravar.

MDX – A edição é vossa?

João – Sim, é edição própria. Acabámos por seguir o conselho do César Craveiro, que nos produziu o álbum e é o dono do nosso estúdio. Disse que devíamos gravar e divulgar o nosso trabalho e foi um pouco isso que fizemos! Não andámos propriamente atrás de editoras ou de quem nos ajudasse. Praticamente tudo o que nós conseguimos fazer foi tudo feito com os nossos meios, quer seja o EP, quer todos os vídeos… até agora o trabalho é quase 100% nosso. Não temos ninguém por trás de nós e também não somos propriamente um produto do meio do metal underground, não temos muitos conhecidos, mas é algo que gostamos de fazer e nos dá prazer e estamos a fazer as coisas passo a passo.

MDX – Estão a preparar algum álbum ou vão mastigar o EP?

João – O EP para nós, não para o público, já está muito mastigado. Temos alguns originais que vamos apresentando em concerto para estarmos, também, à vontade. Posso dizer que 50% do álbum já está feito e estamos a pensar gravar no final do ano e depois algures em 2018 será o lançamento, esperamos que, desta vez, com uma grande festa.

MDX – Qual é a vossa ideia do panorama do metal em Portugal?

Miguel – Eu não imaginava que fosse tão restrito, mas é. Uma coisa que me surpreendeu foi a interajuda entre as bandas, puxam umas pelas outras, não e aquela faceta individual e isso surpreendeu-me no mundo do metal. Eu vinha mais duma onda grunge e pensei que fosse mais difícil, mas temos tido muito apoio e feedback positivo.

João – Gostávamos, obviamente, se calhar, que fosse tudo um pouco mais aberto, mais concertos, mais bandas, mais público. Mas não nos podemos queixar.

MDX – Quando gravaram o EP já tinham nome para ele?

João – Sim, já tínhamos tudo e foi só distribuir pelas pessoas.

MDX – Foram deixando umas pistas, então…

João – Sim, fomos semeando e agora vamos colhendo alguma coisa. Chegou às mãos certas, distribuímos no Hell In Sintra’16.

20170509 - Entrevista - Paranoid @ Largo São Paulo

MDX – Com quem gostavam de tocar um dia?

Miguel – Não é preciso tocarmos com alguém muito conhecido, é preciso sentirmos bem o palco e estarmos à vontade. Vamos subindo devagarinho e  logo se vê.

João – Gostava de tocar com 2 bandas que nos têm apoiado, os Legacy Of Cynthia e os Diabolical Mental State, porque temos uma grande afinidade com elas. Ainda não se proporcionou estarmos juntos e em sintonia, mas espero que aconteça.

De bandas internacionais, gostava muito de tocar com Metallica, claro! Com Gojira, Mastodon, Alter Bridge. O Miguel gostava de abrir para os Bush, de certeza. Mas ainda não estamos num patamar suficiente para isso.

MDX – Como é que os Paranoid vêm o futuro? 

João – Um futuro risonho, acho eu.

Miguel – Com muito trabalho, é preciso muito trabalho! Temos de nos esforçar para ir subindo os tais degraus e chegar a um bom nível.

João – Temos um rumo definido e temos de mostrar trabalho e empenho para as coisas acontecerem no máximo das capacidades que temos e vamos esperar que o fruto disso vá dando os seus resultados, esperamos que sejam bons.

MDX – Querem deixar algumas pistas para os nossos leitores? 

Miguel – Se o pessoal se sentir paranóico deve ouvir Paranoid! Somos o remédio para os paranóicos.

Compareçam os concertos, apreciem as nossas músicas, ponham like no facebook, vão seguindo as nossas coisas que nós faremos com que não se arrependam!

O EP The Evidence foi produzido e gravado no Fingerprint Studio e saiu no ano passado! Vale a pena conhecer este The Evidence e ficar atento ao que vem por ai.

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Entrevista – Eliana Berto
Fotografia – Luis Sousa