Em mais uma noite de plena confusão de trânsito em excesso (de turistas) pelas ruas de Lisboa, lá fomos nós com destino à Galeria Zé dos Bois para apresentação de “The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy”, o último trabalho de The Sunflowers. A banda que veio do Porto, e que já conhecemos de outras paragens como o Indie Music Fest ou o Reverence Valada, prometia rebentar com tudo. Não vieram sozinhos, ou melhor, não se apresentaram sós em palco. Como primeira e segunda partes, faziam-se acompanhar dos Moon Preachers, também um dueto a guitarra e bateria, de Lisboa, e, os 800 Gondomar, com quem, a par dos The Sunflowers, já nos tínhamos cruzado antes por ocasião do Reverence Valada.

Começaram os Moon Preachers, para nós uma estreia. Em pose de gente tímida lá foram entrando no palco para abrir a todo o gás as hostes desta noite. Aos restantes presentes, não sabemos. A nós surpreenderam-nos, e da melhor forma. O Rafael na guitarra e voz, e João Paulo na bateria, desconcertantes no ritmo, criavam a cada passo a noção de expetativa do que se seguiria a seguir. Atitude e energia não faltaram destes jovens provenientes da margem Sul de Lisboa, sobre quem um dia Phil Mendrix dizia “são dois, mas parecem quarenta”. Confirmamos, foi do caraças.

Seguiram-se os 800 Gondomar. Estando já a fasquia da alta voltagem bem elevada pelo primeiro concerto da noite, seria o dever desta banda de Rio Tinto manter, no mínimo, o ritmo que todos já esperavam. Não só mantiveram, como ainda elevaram dando azo aos primeiros moches e viagens de crowdsurf da noite, que era de rock, punk, e de risco para os fotógrafos que se encontravam na ZDB. Tudo certo, era para isso que lá estávamos. Entre o sempre bem humorado sentido da palavra, a capacidade quase gimno-olimpica dos artistas, a rudez pura da malta do norte, e o rock duro de garagem dos anos 80 e 90, estes 800 Gondomar foram um excelente aperitivo para o que se seguia.

Entravam finalmente em palco os protagonistas principais da noite, os The Sunflowers. Traziam a missão, mais ou menos organizada, de apresentar ao vivo o novo trabalho com um dos maiores títulos de trabalhos recentes em bandas portuguesas. Pormenores estes à parte que não interessam para o caso, apresentaram-se em palco com a ajuda de duas mãos que têm sido frequentes nos últimos concertos, Fred de seu nome, vocalista e guitarrista dos “manos” 800 Gondomar. Se até este momento as intervenções dos “crowdsurfers” de serviço tinham sido mais ou menos esporádicas, assistimos a partir de então a um autêntico festival de molhada, invasões de palco, e biqueiro & empurrão para a frente, em homenagem e a condizer ao ritmo frenético do som desta banda portuense. Da apresentação de todos os temas ao vivo temos apenas a dizer “Obrigado” pelo incrível power que este album confirma, onde a sala da ZDB foi pequena demais para quem assistia e curtia, dentro, e fora da sala através do vidro deste “aquário”, a energia incrível que a Carol e o Carlos metem nos seus riffs. Quer seja o lugar que ocupam, na bateria ou na guitarra, estes par traz algo de novo e diferente à música portuguesa que nos agrada e muito. Perigos ignorados, rampas de lançamento para moches que também não nos importamos de servir – a não ser que partamos um bracinho – é destes concertos que fazem parte a história da música. Não temos qualquer dúvida, as três bandas que passaram nesta noite na ZDB fazem bem jus ao rótulo de bandas de garage surf & punk, e representam o melhor do género que se ouve actualmente em Portugal.

Texto – Carla Santos
Fotografia – Luis Sousa