Os Caelum’s Edge fazem parte de uma nova geração de bandas portuguesas provenientes do Barreiro na margem a sul de Lisboa. O rock é a sua voz, foram vencedores da edição de 2014 do EDP Live Bands, e apresentaram recentemente o seu primeiro álbum “Enigma” resultado de uma produção com a Sony Music Portugal como prémio obtido do já conhecido concurso. O Música em DX esteve no concerto de estreia do álbum (reportagem em https://www.musicaemdx.pt/2016/02/13/caelums-edge-apresentaram-enigma/), e procurou depois saber um pouco mais da sua recente história e planos para o futuro.

Música em DX (MDX) – Como, e há quanto tempo, começaram os Caelum’s Edge?

Caelum’s Edge (CE) – Os Caelum’s Edge existem desde meados de 2012. Começou com um esboço de projeto que o Pedro (vocalista) idealizava e acabou por se tornar no que é hoje fruto de trabalho dos quatro integrantes. Tudo começou, como não poderia deixar de ser, na típica garagem pequenina e barulhenta. Da formação original estão o Pedro e o Diogo Lopes (baterista). Poucos meses depois entrou o Diogo Costa (Guitarra/teclas) e o Zé Ganchinho (baixo) está connosco há cerca de um ano.

MDX – Já eram amigos, ou juntaram-se por conveniência de constituição da banda?

CE – Éramos todos conhecidos do meio, sendo que a amizade facilmente floresceu. Percebemos e identificamo-nos imediatamente com o tipo de projecto que os Caelum’s Edge queriam ser e isso foi claramente uma mais-valia para a banda. Agora somos inseparáveis.

MDX – Que influências “musicalmente falando” trazem para este projeto?

CE – Cada um de nós é marcado individualmente pelos seus artistas favoritos e é inevitável que isso transpareça no resultado final. No entanto, é fácil distinguir à priori algumas bandas de influência comum, como Angels and Airwaves, U2, Linkin Park, 30 Seconds to Mars ou os icónicos Pink Floyd. Todas estas e muitas outras foram relevantes para o nosso amadurecimento como grupo compositor.

20160211 - Concerto - Calum's Edge - Lançamento "Enigma" @ Popular Alvalade

MDX – Falem um pouco da aventura do EDP Live Bands. Como nasceu o interesse pelo concurso, como foi participar, e sobretudo, reação à vitória.

CE – Na verdade, até chegarmos ao EDP Live Bands, podíamo-nos considerar uns verdadeiros “papa-concursos”! Nesse mesmo ano e no anterior participámos em vários concursos, do género ou não, sempre em busca do rasgo de visibilidade que precisávamos. Para os Caelum’s Edge, a vitória do EDP Live Bands foi um prémio pelo esforço e dedicação desde sempre manifestado pela banda. Mais do que isso, foram várias portas que se abriram, desde a possibilidade de poder atuar num dos grandes palcos do NOS Alive à gravação e edição do nosso primeiro disco pela Sony Music Portugal. Não foram boleias, porque muito tivemos de percorrer por nós próprios mesmo depois deste triunfo, mas foram oportunidades que decidimos agarrar com muita força e fazê-las valer a pena. Tem estado a valer.

MDX – Em relação ao álbum que recentemente lançaram com o apoio da Sony Music Portugal, como foi o seu processo de composição e edição?

CE – Como dito anteriormente, as influências individuais do que cada um gosta são cruciais para o produto final e a virtude está no equilíbrio e bom-senso entre elas, o ponto de encontro das opiniões de cada músico. Trata-se de um jogo constante entre dar e ceder, para podermos receber o melhor de nós como grupo: a música. Em estúdio, o brilhante trabalho dos nossos produtores (Vasco e Filipe, dos More Than a Thousand) teve também um papel crucial para conseguirmos a direção na qual pretendíamos percorrer para este álbum. Uma outra banda em que eles claramente se inspiraram para conseguir o melhor de nós foram os Biffy Clyro. O bom de termos trabalhado com eles é que, para além do enorme bom gosto musical, tinham também a visão de músicos profissionais ativos, encontrando na perfeição o ponto de equilíbrio entre o que é estimulantemente bom de se tocar e o estimulantemente bom de se ouvir.

A maioria das músicas nasceram de um processo progressivo de composição e não pode ser confinado temporariamente apenas ao processo de estúdio. Algumas ideias que se podem ouvir no “ENIGMA” inclusive já existiam antes de a banda nascer, individualmente na cabeça de cada um – só ainda não tinham ganho forma. Outras foram maturando naturalmente no processo quotidiano da sala de ensaio. Neste álbum podem encontrar temas como saudade, dor de quem perde alguém, amizade e desilusão, paixão ou sonhos e realizações pessoais. Outras são apenas histórias fictícias a que quisemos dar vida e torná-las em canções.

O que é certo é que estivemos todos juntos a morar em estúdio por 29 dias para gravar este álbum, onde só folgávamos para ir dar concertos, e isso fortaleceu-nos e ao nosso trabalho de uma maneira incrível.

MDX – Como tem reagido o público ao álbum “Enigma”?

CE – Tem sido muito bom. Tem sido rotina quase diária recebermos mensagens de amigos ou até de desconhecidos a felicitarem-nos por nos terem visto na TV ou ouvido nas rádios e isso deixa-nos sempre de coração cheio. Uma das melhores notícias que recebemos até então foi que o “ENIGMA” tinha entrado diretamente para o Top Nacional de vendas em menos de uma semana após o seu lançamento. Para nós, todo este apoio e feedback positivo é o que nos faz querer continuar todos os dias.

MDX – Tiveram a projeção que desejavam após a apresentação em concerto no Popular Alvalade?

CE – Não podíamos ter desejado melhor receção ao nosso novo álbum na apresentação ao vivo por parte do público. Foi simplesmente mágico. Entre amigos e família, conhecidos, desconhecidos e curiosos, enchemos a sala e fizemos a festa lá dentro. Aqueceram o Popular e os nossos corações.

MDX – “One last try” é na nossa opinião um dos temas mais “orelhudos” do vosso álbum “Enigma”. O registo é bastante similar a bandas maiores como os 30 Seconds To Mars. Esta aproximação é propositada, ou é resultado de todas as vossas influências enquanto músicos? Não temem que esta aproximação vos seja prejudicial?

CE – Confessamos que também é um dos nossos temas favoritos do álbum e estamos mega ansiosos por poder gravar um videoclip para a “One Last Try”.

Desde o início que assumimos 30 Seconds to Mars como uma das nossas grandes influências e sempre que nos dizem que notam alguma proximidade sonora só nos podemos alegrar e agradecer, porque acabámos de ser comparados a uma das maiores bandas de Rock norte-americanas. Mas já fomos surpreendidos com críticas semelhantes mas de caráter depreciativo e, para esses, reduzirem-nos apenas a uma imitação portuguesa do trabalho deles não nos parece nada adequado nem correto. Nesse caso, ou ainda não tiveram oportunidade de ouvir o nosso álbum por inteiro (ou até mesmo só o nosso primeiro single de lançamento, “O Jogo”, que [na nossa opinião] nada tem a ver com 30STM), ou não consomem muita música do género e sentem-se mais confortáveis em confinar tudo o que ouvem em pequenas caixinhas com os rótulos “Rock”, “Pop”, “Hip-Hop”, “EDM”, etc.

Música é música e, felizmente para todos nós, já foi criado um pouco de tudo para agradar a cada um e respetivas preferências pessoais. Num mundo ideal, deixemo-nos de rótulos e comparações mesquinhamente redutivas, comprem os álbuns dos artistas que admiram, procurem os novos músicos que cresceram influenciados por esses e apreciem o respetivo trabalho e o percurso que a música daí resultante toma.

MDX – A versão de “Melhor de mim” da Mariza está bem conseguida. Como é que apareceu a ideia de fazer esta versão, e se já tiveram feeback da artista?

CE – Mais uma vez, vimos nessa belíssima canção da Mariza mais uma oportunidade para abrir uma janela de visibilidade. Em poucos dias e ainda sem vídeo oficial na altura, o “Melhor de Mim” da Mariza já contava com centenas de milhares de visualizações no Youtube. Identificámo-nos de imediato com a música e com a letra eximiamente escrita pelo AC Firmino e colocámo-nos o desafio de pegar no tema de fado e transformá-lo com o ADN “caelumsedgiano”. Oferecendo o melhor de nós, acreditamos que as pessoas gostaram e receberam bem a nossa versão. Chegou-nos dias depois a informação de que a Mariza já tinha ouvido e gostado, mas não diretamente pela cantora.

20160211 - Concerto - Calum's Edge - Lançamento "Enigma" @ Popular Alvalade

MDX – E quanto ao futuro, já estão a trabalhar em novos temas?

CE – Ideias surgem diariamente na cabeça de um músico; outras, não aproveitadas ainda, estão pendentes e guardadas à espera de ganhar forma. Mas ainda não nos queremos sentar com calma e dedicar à composição de novos temas, sentimos que ainda temos muito para espremer deste novo álbum.

MDX – Onde podemos encontrar os Caelum’s Edge até final do Verão?

CE – Já temos algumas datas confirmadas e outras prestes a serem fechadas. Assim sendo, aguardamos a oportunidade para podermos divulgá-las todas de uma só vez num cartaz. Para os ansiosos, basta ficarem atentos às nossas redes sociais, está para breve.

MDX – O que podemos esperar dos Caelum’s Edge a médio/longo prazo, onde se imaginam estar como artistas daqui a 5 anos?

CE – A banda está super focada no presente, mas é claro que tem os seus objetivos a médio/longo prazo. Fazer a nossa música chegar ao maior número de pessoas possível e de uma forma positiva, agradando-as, é um deles! Não há nada melhor do que ver que o nosso trabalho tem um propósito e é válido para alguém. Felizmente existe em nós, como grupo, um espírito de união, força e amizade muito grande. Isso, aliado a muito trabalho e dedicação, já é por si uma pequena grande vitória. Tudo o resto virá por acréscimo e acreditamos que o empenho será sempre premiado. Esperamos que daqui a 5 anos os nossos sonhos já sejam palpáveis, que consigamos partilhar grandes palcos com artistas que idolatramos desde crianças e que a família Caelum’s Edge seja maior que nunca.

Ficamos a aguardar por mais novidades dos Caelum’s Edge, que podem ser encontradas no facebook da banda em https://www.facebook.com/CaelumsEdge/ .

Entrevista – Carla Sancho | Luis Sousa
Fotografia – Luis Sousa