O Cais do Sodré tem muitos locais de perdição e palcos que nos fazem sentir vivos. Na passada quarta-feira fomos parar ao Tokyo Lisboa para passar um bom bocado.

A noite estava a cargo dos LODO e dos Strobelight Newborns e esperava-nos o libertar de muitas tensões, fobias e tristezas.

Já pela noite dentro, a uma hora tardia e com 1h de atraso, os LODO assumem posições. Para a viagem, traziam o primeiro EP, homónimo, lançado no final do ano passado (https://www.musicaemdx.pt/2015/12/16/lodo-o-primeiro-ep/).

A fome e a sede de música destes 4 rapazes nota-se a cada construção musical feita. A música que tocam é capaz de sugar almas para universos paralelos cheios de desconexões e transformações flutuantes insensíveis ao toque. A maioria das músicas, mesmo sem voz, contam histórias arrepiantes que conseguem fazer despertar todos os sentidos do nosso corpo. As faixas são todas inteligentemente construídas e compostas com introdução, corpo e conclusão. Aquelas que têm letra, por vezes falada e outras cantada, são envolvidas em significados quase opostos que contemplam a simplicidade e, ao mesmo tempo, uma grande carga social e emotiva com um simbolismo forte.

O rock que tocam, que tanto tem de progressivo como de alternativo e até post-rock, vem carregado de complexidade e inquietações. Numa hora de concerto apresentaram o EP na íntegra e ainda tocaram “Escuta”, uma das primeiras músicas que fizeram, “Cor”, “Nós” e ainda uma música nova à qual ainda não deram nome, tendo pedido ao público sugestões depois de a ouvir. A minha sugestão seria “Sede”, por tudo o que ela transmite e desperta.

Assim nos deixaram, com sede, um sorriso e os sentidos apurados.

A segunda parte da noite cabia aos Strobelight Newborns. Nascidos em 2011 assumem-se como uma banda de indie, rock, rock progressivo e psicadélico.

Entraram em palco timidamente e timidamente continuaram a noite. Trata-se de uma banda com talento e com boa capacidade de criar belas malhas, no entanto algo se dissipa por entre o medo e a falta de confiança. Este factor, afecta a garra e por vezes pode interferir com desempenho em palco.

A verdade é que trazem um rock’n’roll bastante apetecível que por vezes tem umas pinceladas de rock progressivo e psicadelismo. Com uns riffs coesos e bem trabalhados, um teclado subtil e uma bateria forte, estes rapazes proporcionaram 1h de música boa, faltando apenas a garra e a confiança. Ouvimos temas como “God’s Flesh”, “Hapiness Behind What Would be Expected Under the Circumstances” e “Moonrock House”.

Embora com sono, terminámos a noite completos e satisfeitos.

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Daniel Jesus