O segundo dia do Festival Jameson Urban Routes era dedicado à dança. Vários estilos musicais dentro da eletrónica foram apresentados e, apesar de haver menos afluência, o público ficou satisfeito e com menos uns gramas em cima.

Os convidados deste dia eram os Holy Nothing e as Telepathe e para entrar madrugada fora El Guincho (DJ set). Nicola Cruz, Babaz Foz,  Nunex & Famifox.

Do Porto para a sala do Cais do Sodré vêm os Holy Nothing, cheios de sintetizadores e vontade de fazer dançar. Entraram um a um por entre nuvens de fumo e iniciam o espetáculo com sabor a fim de tarde de verão.

Os ritmos são bastante quentes e tropicais e os caminhos que percorrem entre universos gigantes de efeitos de sintetizadores, distorções vocais com 2 microfones, uma drum machine e um baixo que dita o compasso. Assiste-se a uma mistura de ritmos sensuais e densos explorando caminhos da eletrónica que se cruzam com uma narrativa visual enigmática e impactante.

Os Holy Nothing vieram apresentar o seu primeiro álbum, lançado no mês passado – Hypertext – e não faltaram “Mind”, “Nothing is Fun” e “Rely On”.

Era a vez da dupla de nova-iorquinas Telepathe dar continuidade ao percurso entre os caminhos da eletrónica.

Apenas com um baixo e sintetizador, estas meninas percorrem o mundo do rock experimental e da synthpop com uma naturalidade de quem nasceu para isto.

Há claras influências de New Order e alguns toques subtis de Peaches. A música que fazem remete em muito para as pistas de dança dos anos 80, construindo um balanço bastante equilibrado entre a música eletrónica e o rock, sendo impossível manter os pés no chão.

Vieram apresentar no novo álbum após alguns anos de silêncio, Destroyer. Ouviram-se “Destroyer”, “Drown Around Me” e “Fuck You Up”, entre muitas outras.

Em versão que não deveria ser de clubbing, mas acabou por ser, El Guincho apresenta um DJ Set inesperado carregado de ritmos latinos, quentes e até algum reggaeton, deixando no público um sabor estranho que variou entre a surpresa e o descontentamento.

De seguida e já num registo um pouco diferente ainda que continuando pelo tropicalismo, mas desta feita seguindo entre paisagens e rituais, vem Nicola Cruz com o objetivo de sossegar e saciar a alma.

Para terminar a noite, partilham a cabine o setubalense Babaz Fox e os lisboetas Nunex & Famifox.

Chegou assim ao fim a segunda noite do Jamson Urban Routes, deixando os corpos cheios de ritmo e energia.

Reportagens dos restantes dias do festival:
Dia 22 – JAMESON URBAN ROUTES’15 DIA 22, O QUE É NACIONAL É BOM
Dia 24 – JAMESON URBAN ROUTES’15 DIA 24, EXPLOSÕES DE PERCUSSÃO
Dia 30 – JAMESON URBAN ROUTES’15 DIA 30, E AO QUARTO DIA RESSUSCITOU!
Dia 31 – JAMESON URBAN ROUTES’15 DIA 31, CÁPSULA ORBITAL

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Luis Sousa
Promotor – Musicbox Lisboa