Chegámos ao último dia e é já com um sentimento nostálgico que dizemos até para o ano. Ainda assim, há que aproveitar os últimos cartuchos do Alive, e ver tudo o que há para ver, humanamente possível, desde Mogwai a Azealia Banks, de Sam Smith a Disclosure ou Cave Story a The Jesus and the Mary Chain. Com pequenos, médios e grandes concertos, é com um sentimento de satisfação que se esteve entre mais de 155 mil espectadores nos três dias de festival.

HMB

Um registo musical totalmente diferente do que se veio a verificar marcou o início do último dia do NOS Alive. A subida ao palco dos portugueses HMB, marcada por um ambiente de festa veranil, satisfez quem estava nas primeiras filas, a fazer jus ao nome do álbum, Sente. Sem muito a destacar, foi um concerto competente de uma banda que se liga ao soul, RNB e gospel, sendo que até faz sentido uma frase que se ouviu nas imediações “há uns anos seria os Expensive Soul”. Como highlight do concerto ficou o Dia D, single do álbum, e também a interacção com os fãs verificada pelas imensas selfies já perto do final.


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Counting Crows

A primeira pergunta que ecoou na mente daqueles que ainda entravam no recinto era: “eles ainda existem?” Sim, a banda liderada por Adam Duritz e o seu cabelo peculiar, ainda existem. E diria que ainda estão para as curvas, mas também estaria a dizer uma falácia. Esta banda norte-americana, dos anos 90, regressou a Portugal para interpretar antigos êxitos que figuraram na adolescência de muitos mas também para acompanhar o pôr-do-sol. O “sha-la-la-la” característico do Mr. Jones, mas algo aborrecido (adjectivo que encaixa na perfeição para descrever a atitude da banda em palco), ou o Accidentally love e o outro êxito Big Yellow Taxi ajudaram a passar o tempo para quem estava à espera da chegada do Sam Smith.


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Sam Smith

Poucos minutos antes das 21h, já o Palco NOS se encontrava bastante cheio. As mesmas carinhas larocas de adolescentes, mas com um pouco mais de preto a dominar a indumentária e menos maquilhagem.

Na precisão das 21h, Sam Smith entra em palco de camisa preta com bolas brancas, colarinho apertado, e um sorriso largo. Aos primeiros acordes de “Life support” o público entregasse ao londrino de 23 anos que tem feito as delicias dos jovens, e Sam pede “Lisbon, sing with me”. Com uma banda de suporte à medida do seu sucesso, e um coro de vozes de gospel que combinam com a simpatia, foi conversando com o público praticamente em todas as músicas. Partilhou que é um dos seus festivais preferidos e que estava muito emocionado por estar ali, e isso vimos no brilho constante dos seus olhos.

Um concerto à medida dos anseios de quem foi ao palco NOS para ouvir “Money on my mind”, “I´m not the only one” e “Stay with me”. Sam Smith provou que é mais do que um sucesso de vendas e um fenómeno das vizualizações no youtube (“Stay with me” com 394 416 692), é um moço com uma sensibilidade comovente, com uma voz trabalhada e que gosta de partilhar as suas emoções.


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Cave Story

É numa correria desenfriada que se vai até ao RAW Coreto para assistir ao que de melhor se faz nas Caldas da Rainha. E não, não estou a falar daquele objecto de cerâmica de forma fálica que todos nós conhecemos como característico da região do Oeste. Os Cave Story e o seu pujante post-rock faz agarrar lá está, pelo objecto fálico, qualquer um dos presentes. Desde uns quantos seres a dançar como não houvesse amanhã e de forma peculiar, a um riff do delírio, a um público mais moderado que assistia mais atrás e aos lados, quem esteve ali ficou com o nome dos Cave Story anotado. O trio composto pelo Gonçalo Formiga, Ricardo Mendes e Pedro Zina apresentaram o novo e muito tótil EP Spider Tracks que, de forma muito honesta, merece voos muito maiores. Ainda bem que são de cá, ao menos dá para os ver mais vezes.

Sleaford Mods

Felizmente que entre dezenas de bandas, com instrumentos mais originais ou mais tradicionais, há uma que se destaca pela originalidade de simplesmente não ter instrumentos. Um palco, uma voz (Jason Williamson), um PC cheio de autocolantes coloridos e expressivos (Andrew Fearn), uma cerveja e uma garrafa de água (?). Os “Sleaford Mods” aparecem no NOS ALIVE no dia em que a critica social se fez sentir com mais intensidade. A dupla britânica de Nottingham, com sons pós-punk/hip-hop tomaram o palco Heineken com uma crueza de arrepiar. Estórias de uma Inglaterra real suburbana meio apodrecida, em ritmos monocórdicos de gestos repetitivos quase autistas. Um azul intenso do olho de Fearn (“o maestro”), que se aproximava do PC para carregar numa tecla no inicio de cada tema, enquanto Williamson transpirava a raiva das letras (“I´ve exhausted my self”). Revival quanto baste, com batidas de um hip-pop agressivo, os Sleaford Mods foram uma lufada de outros ares mais tóxicos, definitely.


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Dead Combo

Este foi um dos concertos mais aguardados do festival, apesar de muitos acharem que Dead Combo e Alive não são das combinações mais perfeitas. Pedro Gonçalves e Tó Tripes trazem dois convidados de peso nas percussões, Isaac Achega e Sérgio Nascimento. Um fim de tarde na envolvência de um cenário de romântico-decadente delicioso, com o altar mexicano do Día de los muertos entre os músicos. “Cacto” (2006) abre as hostes, com o Pedro dentro do fato escuro e com a gravata branca, que condiz com os sapatos brancos do Tó (o chapéu está de regresso!) Pedro Gonçalves troca a guitarra pelo contra-baixo em “Rumbero”, e em “Rodada” pela harmónia. Tó Tripes sobe um olhar fugido no final de cada tema, e dedica a música “A menina dança” a “todas as vossas mulheres”. Sérgio Nascimento e Isaac Achega vão entrando no gang Combo, tema após tema. Imagens vão surgindo no ecrã, dando ainda maior expressividade artística à sonoridade das guitarras. “Povo que cais descalço”, um dos temas mais conhecidos de “A Bunch of Meninos” (último álbum) e dos mais apreciados pelo público. Já com uma dezena de músicas, entra “Lisboa Mulata” numa comunhão perfeita entre as duas guitarras. O palco Heineken está nesta altura cheio, com o público a retribuir com aplausos o fabuloso concerto. Nesta boa disposição generalizada, eis que surge uma bandeira azul e branca projectada no ecrã! “Zorba o Grego” rasga as cordas das guitarras quase como um grito de revolta. Foram as letras que os Dead Combo não cantam a transmitirem a mensagem, “nós estamos aqui, por isso não estão sozinhos”. Esta arrepiou.


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Mogwai

Depois da adrenalina provocada pelos Cave Story era com ansiedade que se andava para o palco Heineken para ver os Mogwai. Embora eles venham com frequência a Portugal, era como que uma lufada de ar fresco assisti-los no último dia do Alive. Ainda assim, foi uma lufada de ar fresco, mas algo morna, visto que nunca foram capazes de dar o clique para algo mais, faltou sempre alguma coisa. Mesmo com I’m Jim Morrison, I’m Dead ou Hunted by a Freak na setlist, nunca foram capazes de mostrar algo mais que o seu lado algo mais post-rock instrumental. Deixaram o público com Remurdered e Bobcat e a sensação que ainda assim foi bom o concerto acabar naquele momento para aproveitar a inexistência de filas na restauração.


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Chet Faker

Para quem tinha assistido ao(s) concerto(s) no Coliseu na semana anterior foi com uma suave desilusão que se assistiu à actuação no palco principal. Não que tivesse actuado noutro registo, porque as diferenças foram mínimas. O alinhamento foi mais reduzido (muito mais), com natural destaque para o álbum Built in Glass, e sem direito a encore. A notar-se um aborrecimento que só não se notou, passe a redundância, na cover No Diggity, que se calhar é a música que ficou mais no ouvido por parte dos fãs do australiano. Os dois cêntimos que ficam deste concerto: Chet Faker não é para o palco principal, não que seja por falta de fãs (porque é um dos artistas da moda), mas porque o seu som não resulta num palco tão grande – por isso é que a actuação ao ano passado no Heineken foi o espectáculo que foi.


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The Jesus and Mary Chain

Na correria para o Palco Heineken, ouço “Just like Honey” e apresso-me em direcção aquela que foi uma das bandas de referência na minha adolescência. Muitos comentários foram proferidos ao longo do festival, que a ultima actuação foi muito fraca e decepcionante, e que os kilos acentuaram o “bad mood” dos irmãos Reid. Mas felizmente que a memória que trazia deles ao vivo, qual pavilhão do Restelo em distorção constante, e a da pouca simpatia que lhes dava um certo charme, alimentou-me as expectativas. Pois, os escoceses foram tão bons, tocaram tanto e tão bem, que me pareceu ver um ligeiro sorriso no rosto de Jim Reid (vocalista) quando estava a ir para o backstage! Nostálgica, é a palavra certa para descrever esta hora e meia de concerto. “Psicocandy” no fundo do palco, com os ecrãs laterais desligados (curioso,os “Echo & The bunnymen” também o fizeram em Paredes de Coura..), permitiu criar aquela atmosfera fabulosa dos cinzentos de luz na penumbra do palco. Dezassete temas num repertório variado, passando por todos os álbuns que mais sucesso tiveram. Saída triunfal com “Reverence”, que nos deixou consulados e felizes por (ainda) estarmos juntos numa comunhão de distorção de guitarras inigualáveis!


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Azealia Banks

Se fosse num jogo de futebol, Azealia Banks recebia um cartão [inserir cor segundo os seus critérios de arbitragem] por uma entrada a pés juntos logo no início do encontro. Depois de uma vinda algo conturbada a Portugal no SBSR de 2013, foi com um espírito de guerra e de megafone em riste que Azealia Banks veio apresentar o seu álbum de estreia, o Broke with Expansive Taste. Num reforço da prova que o Palco Heineken tem todos os anos mais qualidade que o palco principal, Yung Rapunxel ou Gimme a Chance foram combustível para incendiar o palco com uma das vozes mais hype (mas justificado) do hip-hop norte-americano. Para final ficou o 212, já conhecido de outras vidas, e uma despedida bem mais feliz de Portugal.


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Disclosure

Como fechar o NOS Alive, ou melhor dizendo, o palco NOS, da melhor maneira (possível)? A soltar os demónios do House com os Disclosure. O irmãos inglês proporcionaram um bom espectáculo graças ao Settle, lançado já em 2013, mas que continua a render o seu peixe. A despachar logo no início com as conhecidas White Noite e F for You, foi sempre a abanar o corpo que chegámos ao Bang That, material novo do duo, e ao final When a Fire Starts to Burn. Este show em modo Dj set, com ecrãs por todo o palco tive o final com a expectativa defraudada. Sam Smith não voltou a aparecer para cantar o Latch, mas era o final que todos queriam e com o sentimento de que para o ano há mais.


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Veja aqui as galerias de fotografia dos concertos:

DIA 9

– GALGO – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-galgo/
– LES CRAZY COCONUTS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-les-crazy-coconuts/
– SEÑORES- https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-senores/
– THE WOMBATS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-the-wombats/
– YOUNG FATHERS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-young-fathers/
– JAMES BAY – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-james-bay/
– METRONOMY – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-metronomy/
– ALT-J – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-alt-j/
– CAVALIERS OF FUN – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-cavaliers-of-fun/
– X-WIFE – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-x-wife/
– DJANGO DJANGO – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-django-django/
– AMBIENTE – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/14/nos-alive15-dia-9-ambiente/

DIA 10

– DANIEL KEMISH – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-daniel-kemish/
– BEAR’S DEN – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-bears-den/
– BLASTED MECHANISM – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-blasted-mechanism/
– COLD SPECKS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-cold-specks/
– MARMOZETS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-marmozets/
– BLEACHERS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-bleachers/
– SHEPPARD – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-sheppard/
– CAPICUA – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-capicua/
– KODALINE – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-kodaline/
– LOS WAVES – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-los-waves/
– THE TING TINGS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-the-ting-tings/
– MUMFORD AND SONS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-tape-junk/
– FUTURE ISLANDS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-future-islands/
– THE PRODIGY – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-the-prodigy/
– JAMES BLAKE – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-james-blake/
– MOULLINEX – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-moullinex/
– ROÍSÍN MURPHY – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-roisin-murphy/
– AMBIENTE – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/16/nos-alive15-dia-10-ambiente/

DIA 11

– HMB – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-hmb/
– SLEAFORD MODS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-sleaford-mods/
– COUNTING CROWS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-counting-crows/
– DEAD COMBO – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-dead-combo/
– SAM SMITH – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-sam-smith/
– MOGWAI – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-mogwai/
– TRACY VANDAL – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-tracy-vandal/
– THE JESUS AND MARY CHAIN –https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-the-jesus-and-mary-chain/
– CHET FAKER – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-chet-faker/
– AZEALIA BANKS – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-azealia-banks/
– DISCLOSURE – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-disclosure/
– AMBIENTE – https://www.musicaemdx.pt/2015/07/19/nos-alive15-dia-11-ambiente/

Texto – Carla Sancho e Carlos Sousa Vieira
Fotografia – Luis Sousa