Concertos Reportagens

Uma viagem ao passado num serão com uns Placebo de cera

Tinha 10 anos de vida quando os Placebo apareceram. Só os conheci depois, já na adolescência. Aquela que fomos os últimos a viver: livres da tecnologia, unidos e com tempo.
Talvez fosse aí que o Brian quisesse chegar com a sua proibição exagerada de uso de telemóvel: voltar há 30 anos atrás, quando não havia telemóveis para filmar concertos, uma vez que a sua explicação para essa proibição, não bateu certo com o que aconteceu.
Mas já lá vamos!

Naquela altura pensávamos que nos aconteciam as piores coisas do mundo, vivíamos de forma intensa todos os sentimentos e emoções sem consciência do que efectivamente eram problemas. Vivíamos da amizade, do tetris e da batalha naval. Apaixonávamo-nos sem saber o que era o amor e queríamos morrer quando nos partiam o coração. 

Esta noite de 29 de setembro de 2026 trouxe-nos isso de volta. Enquanto amante de música, acho que é incrível podermos ter músicas que, inconscientemente, ligamos a momentos, pessoas ou coisas. A magia de podermos viajar no tempo através da música dá-nos o prazer de olhar para trás e sorrir. Mesmo que sejam lembranças más, hoje olhamos para elas de forma diferente desse dia. Isto, para além de ser romântico, ajuda-nos a crescer enquanto indivíduos. 

Foi uma noite de compreensão: quando regressamos ao passado, quando pensamos sobre as coisas bonitas da vida e quando temos consciência do presente. 

Durante o concerto percebi que tinha visto 3 vezes Placebo: quando a banda tinha 10 anos (Super Bock Super Rock), quando a banda fez 20 anos (Coliseu dos Recreios) e agora, na celebração dos 30 anos. No entanto, estes 30 ficaram aquém do que esperava que fossem.
A noite foi bonita, mas ambivalente. 

Começou com Elisabeth Elektra, de Glasgow. Vinha em trio com guitarra, baixo e backing tracks de bateria. Euphoric art pop é a descrição que faz da sua música e a verdade é que arte não sei, mas pop, euforia e um pico de azeite estão lá. A voz é muito boa e podia ser usada de várias formas que não esta, mas gostos não se discutem.

  • 20260929 - Elisabeth Elektra @ Sagres Campo Pequeno
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  • 20260929 - Elisabeth Elektra @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Elisabeth Elektra @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Elisabeth Elektra @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Elisabeth Elektra @ Sagres Campo Pequeno

Pouco antes das 21h aparecia uma voz em Português a pedir para que não fossem usados telemóveis. O intuito seria existir uma verdadeira conexão entre a banda e o público, uma comunhão completa entre o público que não se iria incomodar com telemóveis no ar. Depois, aparece o Brian a dizer a mesma coisa em inglês. A intenção era realmente boa, só que não correu bem. Efectivamente, a banda de suporte estava simplesmente a trabalhar e Brian e Stefan estavam só a cumprir mais uma data. Não houve conexão, empatia, ligação nem sequer um esforço. Foi um concerto seco e frio com ameaças de expulsão caso houvesse telemóveis e expulsões reais por parte de vigilantes. 

O concerto teve início com uma tela gigante onde passaram os vários anos, momentos e vídeos da carreira de Placebo ao longo dos anos com a “Bionic” mixada de fundo.
Para além dos dois primeiros discos (
Placebo e Without You I’m Nothing) tocados quase na totalidade, houve tempo para mostrar a música que tinha saído no dia anterior “Hellen Keller” e as habituais versões “I Feel You” dos Depeche Mode e “Running Up That Hill (A Deal With God)” de Kate Bush que encerraram o concerto
A voz de Brian continua como há 30 anos e isso é louvável. É sempre necessária muita disciplina para conseguir este feito. O mesmo não se pode dizer da cara, coberta de botox e com jeitos de velha dos gatos. Mas, qualquer que fosse a aparência, a importância será sempre depositada na música e essa resiste ao tempo e mantém as memórias dentro de nós.
O alinhamento foi bem construído e entre melancolia, euforia disfarçada e puro rock notaram-se arranjos diferentes em algumas músicas e isso revela que é bom olhar para trás com os olhos de hoje, como o sítio onde nos deixaram durante o concerto inteiro e que descrevi atrás.
Mas… Faltou emoção. Faltou agarrar o público. Faltou amor. 

A viagem ao passado foi incrível, mas talvez a tivesse feito melhor em casa, com um gira discos.
Que o resto da tour possa ter mais calor ao invés de frio. 

  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
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  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
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  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
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  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
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  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
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  • 20260929 - Placebo @ Sagres Campo Pequeno
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