Na passada segunda-feira, o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, recebeu uma das figuras incontornáveis da história do Rock britânico. Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, apresentou-se a solo acompanhado pela sua banda, numa noite dedicada a uma carreira que atravessa seis décadas e algumas das páginas mais importantes da música popular das últimas décadas.
O concerto surge integrado na digressão associada a “FEARLESS: THE ANTHOLOGY 1965–2025”, a extensa antologia que assinala 60 anos de carreira de Ronnie Wood e percorre diferentes momentos do seu percurso enquanto músico, desde os primeiros anos até às passagens pelos Faces e Rolling Stones, sem esquecer o seu trabalho a solo.
Em Lisboa, o alinhamento seguiu muito de perto aquele que Ronnie Wood e a sua banda têm apresentado nas restantes datas europeias da digressão, depois de passagens por cidades como Barcelona, Valladolid e Amesterdão. Mais do que uma sucessão de êxitos, a noite construiu-se como uma viagem pelas diferentes linguagens musicais que marcaram o percurso do guitarrista, com o Rock, Blues, Soul e Country a cruzarem-se ao longo do concerto.
A abertura ficou entregue a “It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)”, dos Rolling Stones, estabelecendo desde logo a ligação a uma das bandas que definiram a carreira de Wood. Seguiram-se temas como “Am I Grooving You”, “Take It Easy”, “Flying”, dos Faces, e “Hey Negrita”, dos Rolling Stones, numa primeira parte que deixou evidente a diversidade das referências presentes no repertório.
A componente de versões teve também um peso significativo no alinhamento. Ronnie Wood recuperou temas de artistas como Bob Dylan, The Shangri-Las, The Falcons e Jimmy Reed, entre outros, numa seleção que reflecte algumas das suas influências e a relação permanente com as raízes do Blues, Soul e Rhythm & Blues.
A meio do concerto surgiu um dos momentos particularmente aguardados da noite: Imelda May, artista irlandesa convidada para esta digressão, juntou-se a Ronnie Wood em palco, acrescentando a sua voz a uma celebração que atravessou diferentes épocas e geografias do Rock. A presença de May reforçou igualmente a dimensão de partilha musical que tem acompanhado esta série de concertos.
O alinhamento prosseguiu depois por “Show Me”, “Mystifies Me”, “River Deep, Mountain High”, “Country Honk”, “Chain of Fools”, “Boogie Disease” e “Spoonful”, antes de chegar a dois dos momentos mais directamente ligados ao legado dos Faces: “Ooh La La” e, já perto do final, “Stay With Me”.
Entre os temas dos Rolling Stones, dos Faces e as várias versões recuperadas ao longo da noite, Ronnie Wood apresentou em Lisboa um repertório que funciona quase como uma biografia musical. “Can’t You Hear Me Knocking”, um dos clássicos dos Rolling Stones, e “Outlaws” prepararam o caminho para o encore, que começou com um solo de guitarra antes de “Stay With Me” encerrar a noite.
A passagem pelo Coliseu dos Recreios acabou assim por ser mais do que uma visita de uma das figuras dos Rolling Stones. Foi a oportunidade de acompanhar, em palco, uma carreira iniciada nos anos 60 e construída através de algumas das bandas e músicos mais relevantes da história do Rock. Aos 79 anos, Ronnie Wood continua a levar essa história para a estrada, desta vez através de um repertório que coloca lado a lado Rolling Stones, Faces, versões e material da sua carreira a solo.
Uma noite em que seis décadas de Rock ‘n’ Roll passaram pelo palco do Coliseu de Lisboa.





































































