Correndo o risco de me começar a repetir, mas não sabendo como não o fazer, é inevitável falar deste festival sem falar do tempo. A rapidez com que regressamos a esta casa é tão assustadora como entusiasmante. Assustadora porque nos confronta com a fugacidade dos anos, que correm cada vez mais rápido, e reconfortante porque sabemos que se vamos ter aquela semana de paz, amor e boa música num cenário idílico.
Mais um ano do Festival Vodafone Paredes de Coura com um cartaz equilibrado e com a qualidade a que estamos habituados e, como é habitual, voltamos ao vosso encontro para vos dizer as nossas sugestões para os próximos dias 12 a 15 de Agosto.
Mas antes disso, temos o Festival Sobe à Vila que começa a 9 e vai até 11. Dia 9 de Agosto, com um novo lugar – Xapas Sessions temos Summer of Hate, Colinas, Hetta, DJ Shake a Leg, dia 10 vai ser com lex Moon, Sofia Araújo e Francisco AP e o dia 11 com Nunca Mates o Mandarim, La Familia Gitana e Halfpipe Records.
O primeiro dia do festival começa com uma exposição fotográfica no Centro Cultural de Paredes de Coura que estará todos os dias do festival e terá Joana Alegre e Janeiro no Jazz na Relva.
No recinto, no Palco Sem Paredes (secundário) temos o norte americano Greg Freeman que nos vai trazer uma mistura entre indie e folk perfeito para um fim de tarde.
Mantendo a suavidade da folk e juntando o calor do country com um banho de pop, temos no Palco Principal CMAT, trará na bagagem o seu último álbum EURO-COUNTRY, lançado no ano passado.
No mesmo palco, no seguimento, vamos receber as Wet Leg e o seu indie cruzado com algum rock estridente. Também com novo disco de 2025, têm provado ser um sucesso nos vários palcos que cruzam.
Regressamos ao palco secundário para aquele que é um dos concertos que anseio há muitos anos, The Horrors. Já com cerca de 20 anos de carreira e com discos grandiosos, com vários cenários auditivos, os ingleses trazem o seu último trabalho Night Life lançado no ano passado cheio de malhas negras, com muitq dark wave e texturas cruas e melancólicas.
Também britânicos e no mesmo palco temos Getdown Services com uma mistura de post punk e electrónica com spoken word, prometendo trazer uma bela e intensa experiência.
Para quem tiver forças e coragem, uma banda imperdível com as raízes das duas anteriores que mistura punk, com math rock, com noise e, certamente, bastante energia. São os University e esperamos aguentar para sentir este caos!
O segundo dia de festival começa, novamente, com o Jazz na Relva, para apaziguar os banhistas, com Miguel Marôco e Salvador Sobral com André Santos.
Já no recinto, começamos pelo Palco Coura Sem Paredes com um duo de electrónica experimental, os Pomerode da Suécia.
Rumamos, depois, a um reencontro com Aldous Harding no palco principal. Vai acompanhar a suavidade da descida do sol com a sua indie folk aveludada.
Regressamos ao palco secundário para ver os Friko, de Chicago. Com um indie rock vincado pelo cruzamento entre o post punk e o chamber pop, vêm apresentar o seu segundo disco Something Worth Waiting For You, lançado neste ano.
Mais um reencontro, muito ansiado! Kurt Vile & The Violators é um cantautor multi instrumentista norte americano, que me prendeu mal o conheci. A sua estética indie folk, indie rock lo-fi com um rasgo leve de pych é acompanhada de uma lírica cheia de beleza. Traz consigo o seu novo disco Philadelphia’s Been Good To Me, lançado em Maio deste ano
No mesmo palco, vamos sentir a intimidade das cordas dos Hermanos Gutiérrez. Dois irmãos que constroem texturas focadas no imaginário western,latino e algum desert blues e ritmo latino.
De regresso ao palco secundário, esperam-nos os WU LYF (abreviação de World Unite Lucifer Youth Foundation), banda britânica que mistura o indie rock com o art rock. Lançaram no ano passado a primeira música em 13 anos e vêm revelar-nos uma nova estética.
De seguida, um dos concertos mais esperados e, também, um reencontro com Underworld. O duo de música electrónica já com mais de 40 anos de carreira, regressa a Portugal para nos pôr a dançar e a reviver momentos do passado.
Terminamos a noite com a explosão sonora de Show Me The Body. Os norte americanos trazem-nos um post hardcore bastante electrizante que vai ser perfeito para terminar um dia que começou cheio de suavidade.
Terceiro dia de festival e ainda tanto para sentir! Arrisco dizer que este será o dia do descanso, onde o line up é menos chamativo e temos mais pausas para poder descansar o corpo. O Jazz na Relva tem Plaka e Maria Luiza Jobim.
Já no recinto, começamos pelo palco Vodafone com Sérgio & os Assessores com os Amigos, para que não nos esqueçamos da importância de Abril e daquilo pelo qual devemos lutar!
Temos depois um regresso às raízes americanas com Ryan David & the Roadhouse Band que nos trazem americana cruzada com blues e aquele quentinho que, pelo menos eu, tanto gosto. Trazem o segundo disco New Threats For the Soul lançado no ano passado.
Mantemo-nos no palco secundário para a atmosfera hipnótica de Terraplana, banda que viaja entre shoegaze, indie e post rock com bastante distorção e fuzz.
Por fim, terminamos o dia com a energia dos Block Party. Com quase 30 anos de carreira, mantém a sua sonoridade alternativa que mistura indie rock, post punk revival e alguma música electrónica. Vão, com certeza, trazer um concerto empolgante a esta noite para terminarmos em grande.
Último dia e um dos mais aguardados, na minha opinião.
No Jazz na Relva temos Rita Cortezão e Asa Cobra e a abrir as hostes no recinto, o encanto intenso de Noiserv no palco Coura sem Paredes. Com disco novo lançado no ano passado, Noiserv celebra os seus 20 anos de carreira.
Passamos para outro encanto, desta vez de Patrick Watson que nos vai deslumbrar com a sua loucura brilhante e a delicadeza que transfere para o piado.
De seguida, Sophia Stel espera-nos no palco secundário para nos fazer sonhar um pouco com a sua dream pop e voz elegante.
Passamos para a festa de Meute com uma alegria e euforia contagiantes. Combinam instrumentos de sopro e percussão interpretando faixas de techno e house.
Mantemo-nos no mesmo palco para Thundercat para saborearmos a sua soul coberta de acid jazz, funk e algum R&B progressivo.
De seguida, também americanos, mas no palco secundário, veremos os Prostitute. Banda de noise e post hardcore que nos vai fazer sentir vivos!
O concerto mais ansiado do festival, para mim, é a seguir com a carismática Amyl and the Sniffers. Com um punk rock endiabrado e uma atitude em palco contagiante, acredito que será a melhor forma de encerrar o palco principal deste último dia.
Para quem ainda tiver forças e vagar mental podem ir dançar com o duo experimental Dame Area que mistura industrial com, techno e post punk.
E termina, assim, mais uma grande edição deste festival que tanto nos aconchega e faz sonhar. A terapia de Agosto fica completa e nós de alma cheia.
Até já Paredes de Coura!



