O terceiro dia do Primavera Sound Porto 2026, correspondente ao segundo dia de reportagem do Música em DX no Parque da Cidade, apresentou um dos cartazes mais aguardados de toda a edição. Com uma programação diversificada que atravessou diferentes linguagens musicais, o festival voltou a demonstrar a capacidade de reunir nomes emergentes e artistas consagrados perante milhares de espectadores que encheram o recinto portuense.
A tarde começou com os espanhóis Aiko El Grupo no Palco Primavera, num concerto marcado pela energia contagiante do seu indie rock de espírito punk, que rapidamente conquistou os primeiros festivaleiros do dia.
Seguiram-se os britânicos The Sophs no Palco ZYN, que deixaram uma atuação segura e envolvente, confirmando o crescente interesse em torno da banda.
No Palco Vodafone, os galegos Triângulo de Amor Bizarro trouxeram a sua habitual intensidade sonora, combinando shoegaze, noise rock e post-punk numa atuação densa e emocional.
Já os britânicos Yard Act assumiram o controlo do Palco Estrella Damm com a irreverência e sentido crítico que os caracterizam, proporcionando um dos concertos mais descontraídos e simultaneamente interventivos da tarde.
A norte-americana Sudan Archives regressou ao Palco Primavera para uma atuação singular, onde fundiu R&B, eletrónica, hip-hop e influências clássicas numa performance artística que se destacou pela originalidade e pela forte presença em palco.
À medida que a noite avançava, a afluência ao recinto aumentava significativamente, antecipando aquele que seria o momento mais aguardado do dia. Os Massive Attack assumiram o Palco Estrella Damm perante um Parque da Cidade completamente lotado, oferecendo muito mais do que um simples concerto. Ao longo da atuação, o coletivo de Bristol apresentou um espetáculo visualmente impressionante e profundamente interventivo, transformando o palco numa plataforma de reflexão política e social.
Entre projeções, mensagens e conteúdos audiovisuais cuidadosamente integrados no espetáculo, a banda abordou temas particularmente relevantes da atualidade, desde a disseminação de desinformação e fake news, à utilização maliciosa da inteligência artificial, passando pela influência das grandes potências mundiais, os interesses económicos associados aos conflitos armados e o crescente poder de figuras políticas e económicas à escala global. Num concerto onde música e mensagem caminharam lado a lado, os Massive Attack reafirmaram a sua posição como uma das vozes mais conscientes e interventivas da música contemporânea, numa atuação que ficará certamente entre os momentos mais memoráveis desta edição do festival.
Pouco depois, os Idles assumiram o Palco Vodafone para mais uma demonstração da força do seu punk rock moderno. Num concerto intenso do primeiro ao último minuto, a banda liderada por Joe Talbot canalizou a energia do público através de um alinhamento explosivo, onde a música serviu igualmente de veículo para diversas mensagens sociais e políticas. Entre declarações antifascistas, apelos à solidariedade e manifestações de apoio à causa palestiniana, os britânicos reforçaram o caráter combativo que tem marcado a sua carreira, encontrando eco numa audiência que respondeu com enorme entusiasmo e participação.
O encerramento dos concertos destacados ficou a cargo dos norte-americanos Model/Actriz, que transformaram o Palco Primavera numa autêntica descarga de tensão e intensidade sonora. A combinação entre noise rock, pós-punk e eletrónica experimental resultou numa atuação hipnótica e visceral, encerrando da melhor forma uma jornada recheada de momentos marcantes.
Com mais um dia de grande afluência e uma sucessão de concertos memoráveis, o Primavera Sound Porto 2026 voltou a confirmar o seu estatuto como um dos mais relevantes festivais europeus. Antes mesmo do encerramento da presente edição, a organização anunciou já o regresso ao Parque da Cidade entre os dias 10 e 13 de junho de 2027, datas que ficam desde já marcadas na agenda dos milhares de festivaleiros que, ano após ano, continuam a fazer deste evento uma referência incontornável do calendário musical nacional.















































































































































































































































































































































