A cantautora canadiana Michelle Gurevich regressou a Portugal para duas datas muito aguardadas, passando pelo Porto a 19 de fevereiro e por Lisboa no dia 21, numa noite quase esgotada no Lisboa Ao Vivo. A digressão serve de apresentação ao mais recente trabalho, It Was the Moment, um disco que aprofunda ainda mais o universo emocionalmente denso e cinematográfico que tem definido a sua carreira.
Promovido pela UGURU, o concerto em Lisboa confirmou a forte ligação da artista ao público português, que a recebeu com a habitual devoção silenciosa e intensa. Em palco, Gurevich manteve a postura contida e magnética que a caracteriza, conduzindo a audiência por narrativas de amor desencantado, vulnerabilidade e ironia mordaz. As novas canções integraram-se de forma orgânica no alinhamento, revelando uma maturidade composicional que reforça a sua identidade sonora — minimalista, melancólica e profundamente expressiva.
A abrir a noite estiveram os Ronley Tepper’s Lipliners, projeto liderado por Ronley Tepper, que trouxe uma abordagem mais performativa e teatral ao início da sessão. Com uma presença descontraída e momentos de subtil excentricidade, prepararam o terreno para a intensidade emocional que se seguiria. O contraste entre a leve estranheza lúdica da primeira parte e a densidade dramática de Gurevich acabou por enriquecer a experiência global da noite.
Em Lisboa, perante uma sala praticamente cheia, Michelle Gurevich reafirmou-se como uma criadora singular no panorama da canção alternativa contemporânea — uma artista que transforma fragilidade em força estética e que continua a encontrar em Portugal um público atento, cúmplice e fiel.



































































