A noite estava cinzenta e chuvosa, mas isso não impediu a romaria que se fez ao Lisboa ao Vivo no Sábado, dia 25 de Outubro, para celebrar os 40 anos de uma banda que influenciou algumas das nossas bandas preferidas. Os The Young Gods são uma ode aos deuses do rock industrial e trazem com eles o encantamento divino de nos deixar em estado de transe.
A abrir as hostes, os lisboetas Decline and Fall. O trio vagueia entre um post rock e uma dark wave morna com atmosferas densas e extensas. Os samplers são os reis da atuação, deixando espaço para a distorção da guitarra que deveria ser usada com maior ênfase. A voz de Armando Teixeira assenta que nem uma luva neste estilo, como já bem sabemos, e apresenta várias tonalidades fazendo, por vezes, lembrar Andrew Eldritch. É uma banda com potencial, mas que precisa de colocar mais fervor na guitarra, caso contrário estaremos perante uma morte lenta em estado contínuo. Apresentaram o seu EP de estreia Scars and Ashes e uma música nova, que encerrou o concerto.
Os The Young Gods estavam prestes a proporcionar-nos uma jornada sonora e visual de puro regalo onde tudo parecia uma espécie de ritual de celebração. A celebração de 40 anos de carreira, a do lançamento de Appear Disappear e a da prova que a idade não lhes pesa.
O industrial vive de samplers e os The Young Gods foram uma das bandas pioneiras a usá-los no estilo, no entanto, a bateria faz sempre a diferença. A deles, grande e robusta, serviu para dar corpo e forma às músicas tal como a guitarra de Franz Treichler desenhava os contornos distorcidos que compunham a densidade sonora que nos ofereciam.
A música dos The Young Gods constrói-se de atmosferas fumarentas e ritmadas que nos abraçam com intensidade e nos colocam em diversas paisagens de cores e texturas que nos obrigam a fechar os olhos e entrar numa espécie de transe. O corpo acompanha o ritmo e a mente perde-se na distorção, podendo desintegrar-se aos poucos.
Com uma entrega genuína ao público e do público, rodeados de um notável jogo de luz, provaram que não precisam de hits para ter um bom concerto. Provaram que merecem ter o estatuto que têm e que ainda conseguem conquistar e arrastar multidões.
Appear Disappear foi lançado a 13 de junho deste ano e foi a estrela da noite. Das 10 músicas que o compõem só ficou 1 de fora e foram todas aprovadas com distinção. A banda suíça mostrou que o industrial da era moderna não fica aquém do do passado nem desvanece no sentir. Fora isso, T.V. Sky teve direito a destaque vincado, havendo espaço para “All My Skin Standing” do Data Mirage Tangram e “L’Amourir” do L’eau Rouge.
O concerto teve direito a dois encores, terminando com a “Did You Miss Me?” do primeiro disco. E sim, vamos ter saudades!
Destaco a contínua falta de respeito do público português que teima em achar que as regras não são para cumprir e passam a noite a fumar num local onde é proibido fazê-lo. Mantendo a atitude egoística de pensar que são superiores a tudo, sem ponderar que podem estar a causar desconforto a alguém e contribuir para um mau bocado num momento que deveria ser único. Infelizmente só vejo isso acontecer em Portugal e, na verdade, para além de lamentar, tenho vergonha.
O concerto de The Young Gods e Decline And Fall no dia anterior no Hard Club (Porto) contou apenas com a nossa fotógrafa Helena Granjo, pelo que apresentamos também neste artigo com as fotografias dessa noite.










































































