Quem não conhece a história da Factory e a loucura que se vivia em Manchester naqueles tempos? Como em qualquer cidade com uma forte propensão para a criação musical, Manchester foi berço de algumas das bandas com mais relevo na new wave, post-punk, synth pop e até dance rock.
Joy Division, New Order, Happy Mondays e Stone Roses, entre outras, fazem parte deste leque e das delícias de muitos. E desta lista, tirando Joy Division, por claras impossibilidades de existência, só me faltava ver os Happy Mondays que tanto me alegraram muitas noites em pistas de dança.
Precursores do movimento Madchester e cúmplices de noites loucas na Hacienda, os Happy Mondays construíram cedo uma reputação de caos e loucura que começava no uso de drogas sintéticas como o MDMA e seguia para o palco, levando à mistura entre rock e dance tendo, inclusive, um dançarino excêntrico que variava entre danças descoordenadas e o uso de maracas de forma assimétrica.
Foi no passado Domingo dia 28 de Setembro, (mas podia ter sido na Segunda-Feira), que os Happy Mondays nos visitaram no Sagres Campo Pequeno.
Para primeira parte, contaram com os londrinos The Gulps e a sua boa disposição.
Com seis elementos no palco, fizeram jus aquilo que se esperava da noite – uma festa. Misturam várias sonoridades entre o rock e a pop, variando os tons vocais, não se afastam muito da vaga sonora dos anos 80, passando por uma onda mais negra com uma voz mais Peter Murphy mas indo a locais mais limpos como a pop com contornos atuais. Em palco são alegres e divertidos, com uma atitude bem disposta e festiva e alguns floreados à mistura.
Agradecem ao público com um “muchas gracias” pensando, como vários, que Portugal e Espanha é a mesma coisa.
Gostava muito de vos dizer que me senti no meio de strobes e luzes rosa na pista da Hacienda com este concerto de Happy Mondays. Mas não o posso fazer.
Apesar de se fazerem acompanhar por músicos notáveis, Shaun Ryder está velho. Não no sentido literal da palavra, uma vez que ninguém pode fugir à idade, mas no sentido de estar gasto. Não seria para menos claro! A vida foi bem vivida, mas em palco precisava de um pouco mais do que aquilo que consegue dar. Para além do pouco movimento existente, a voz ia falhando e falhava quando não podia falhar.
Para contrabalançar a voz mais fraca, faziam-se acompanhar da pessoa que está a substituir Rowetta Idah e que tem uma voz de fazer estremecer qualquer chão e coração.
O concerto começou com uma intro onde ficámos a conhecer os dotes vocais da senhora para depois passar à “Kirky Afro”. Foram seguindo com a música de dança fazendo o público dançar mas capaz de se tornar algo aborrecido algum tempo depois. Apesar da presença de Bez, o concerto não é dinâmico. As poucas vezes que falaram com o público pouco se percebeu ou pelo sotaque demasiado fechado ou pela qualidade do som. O público exaltou-se com “Hellelujah”, “24 Hour Party People” e “Step On” que vieram de rojo mas sem a força suficiente de antigamente, faltando ritmo e pujança.
Houve ainda tempo para um encore de uma música onde tocaram “Wrote for Luck”. A casa estava longe de estar cheia e notou-se que era um concerto geracional, apesar de ver muitos jovens entre o público. Mas ainda que os loucos anos 80 já tenham ficado lá atrás, há magias que ainda se podem fazer e sentir e, apesar de ter sido um concerto bom, não houve magia.































































