Crónicas Opinião

Três dias, quinze momentos: guia de destaques do MEO Kalorama 2025

A cidade de Lisboa prepara-se para receber mais uma edição do MEO Kalorama, que de 19 a 21 de junho transforma o Parque da Bela Vista num ponto de encontro essencial para amantes da música e das artes. Com uma curadoria ousada e um cartaz que cruza nomes consagrados com revelações de vanguarda, o festival promete três dias de experiências intensas, num ambiente onde a diversidade sonora e a liberdade criativa se encontram. Eis os nossos destaques escolhidos para cada jornada sonora.

19 de junho: entre o lirismo e a eletrónica emocional

A abertura faz-se às 19h30 no Palco San Miguel com Cara de Espelho, o projeto de Pedro da Silva Martins, Carlos Guerreiro, Nuno Prata, Luís J. Martins, Sérgio Nascimento e Maria Antónia Mendes, que nos propõe um espelho lírico da canção portuguesa contemporânea, com teatralidade e densidade poética. Às 20h35, no Palco MEO, Father John Misty promete um espetáculo entre o sarcasmo folk e o existencialismo pop, onde cada canção é uma pequena peça cinematográfica.

Segue-se às 21h40 a enigmática Sevdaliza, que regressa ao Palco San Miguel com a sua eletrónica sofisticada, marcada por enorme sensualidade, atmosferas densas, performance intensa e visualidade quase ritualística. A noite ganha estatuto de celebração com os lendários Pet Shop Boys, às 22h44 no Palco MEO — uma viagem retrofuturista entre clássicos e novas paisagens synthpop. A madrugada pertence aos lisérgicos The Flaming Lips, que às 01h30 trarão ao Palco MEO o seu imaginário psicadélico em formato de espetáculo total.

20 de junho: dança, sombras e glamour noturno

O segundo dia começa às 17h30 com Heartworms, no Palco San Miguel, que alia o pós-punk sombrio a uma estética marcada por intensidade e vulnerabilidade. Às 18h40, o coletivo lisboeta Maquina traz o seu rock industrial, cru e eletrizante, a um palco que já se anuncia como um dos mais movimentados da tarde.

Já pela noite dentro, às 22h45, Boy Harsher tomam conta do mesmo palco com os seus beats sombrios e minimalistas, ideais para uma dança introspectiva sob as luzes do crepúsculo urbano. O Palco MEO recebe depois, às 23h50, o regresso dos irreverentes Scissor Sisters, com o seu glam pop efervescente e teatral, capaz de pôr qualquer plateia em modo festa. Para encerrar a jornada com classe e excentricidade, Róisín Murphy sobe ao Palco San Miguel às 00h55, numa performance onde a eletrónica, a moda e a liberdade se fundem em pleno.

21 de junho: viagens sónicas e afetos em mutação

O último dia arranca às 17h35 com Yakuza, banda que desafia géneros ao fundir jazz, metal e experimentalismo no Palco San Miguel — ideal para ouvidos curiosos e espíritos indomáveis. Às 18h45, Jasmine.4.T traz ao Palco MEO uma proposta R&B contemporânea com toque emocional, apontando ao futuro da pop feita a partir de dentro.

Às 19h55, no San Miguel, os canadenses BadBadNotGood oferecem um concerto que transita entre o jazz moderno e as paisagens do hip-hop instrumental, criando momentos de pura levitação sonora. Royel Otis, às 22h15 no mesmo palco, representam a faceta mais leve e solarenga do indie rock australiano, com canções que parecem feitas para finais de tarde embalados por corações ao rubro. Já a despedida faz-se com Damiano David, vocalista dos Måneskin, que às 01h55 assume o Palco MEO com o seu novo projeto a solo — um misto de rock performativo, sensualidade e reinvenção.

Kalorama: três dias, quinze concertos imperdíveis

A seleção de concertos aqui destacada oferece um retrato representativo da diversidade artística que marca a edição de 2025 do MEO Kalorama. Entre nomes consagrados como Pet Shop Boys, The Flaming Lips e Father John Misty, e propostas emergentes como Heartworms, Jasmine.4.T ou Maquina, o cartaz equilibra nostalgia e descoberta. Há espaço para diferentes linguagens — da eletrónica introspectiva de Sevdaliza e Boy Harsher ao ecletismo jazzístico de BadBadNotGood, passando pelo rock performativo de Damiano David ou o revivalismo glam dos Scissor Sisters.

Para quem quiser estruturar a sua experiência no festival com base em projetos sólidos, consistentes ao vivo e com propostas visuais ou sonoras distintivas, estes quinze nomes constituem um ponto de partida seguro e estimulante para três dias de música intensa no Parque da Bela Vista.