Os irlandeses Murder Capital apresentaram-se pela primeira vez em nome próprio na passada terça feira dia 29 de Abril na sala 2 do Lisboa Ao Vivo e no dia seguinte no Auditório da CCOP no Porto como parte da Blindness World Tour, centrada em Blindness editado no passado mês de fevereiro .
Com actividade iniciada em 2018 estes irlandeses aguerridos, já passaram por nós em Paredes de Coura e mais recentemente na primeira parte do concerto de Nick Cave e tem andado por aí mais ou menos a par e passo de uma série de outras bandas que surgiram mais ou menos na altura nos escaparates, mas aparentemente ainda não atingiram a mesma dimensão. Acho que o que os diferencia aqui nesta situação será o facto de além de serem muito mais sombrios em termos de temas, são também muito mais pesados em termos de riffs, apesar de trazerem colado a eles o rótulo do post-punk a força das letras e das guitarras acaba por os colocar mais à margem. Menos comerciais talvez.
A primeira parte coube ao duo Hex Girlfriend, projecto experimental dos artistas Noah York e James Knott que em cerca de meia hora debitou meia dúzia de músicas manobradas entre faixas pré gravadas, bateria e baixo e voz. Compreendo que talvez seja muito menos dispendioso circunscrever uma banda ao mínimo dos mínimos mas a força dos Hex Girlfriend parece precisar de mais do que apenas dois elementos que concorrem entre si na distorção e força dispendida.
Quando os Hex Girlfriend entraram em palco a sala ainda se encontrava bastante despida de público, algo que foi mudando até os The Murder Capital entrarem palco com The Fall e com uma sala já bastante composta e completamente disposta a acompanhar a banda na aventura de Blindness.
As linhas de baixo distorcidas e a energia mais caótica do seu material inicial ainda permanecem, e são evidentes em “Moonshot” ou “Can’t Pretend To Know”, mas há muito mais em Blindness, como o momento mais intimista em “Swallow” ou a faixa com que terminaram a noite “Love of The Country”.
Foi fantástico ver a sala completamente rendida ás palavras de James McGovern cantando grande parte das músicas em uníssono, e surpreendentemente a receber as faixas de Blindness com grande entusiasmo.
Gostava que tivessem voltado lá atrás ao primeiro single, Feeling Fades, foi a música que os pôs no meu radar e continua a ser das minhas favoritas apesar de encontrar bastantes ecos dela em outras.
James McGovern diz que nos voltaremos a ver em breve, por meio de juras de amor ao público, tenho é dúvidas que seja neste formato. Provavelmente será num desses mil festivais onde a mensagem que passam enquanto banda chega decerto a muito mais gente do que nesta noite de Abril, mas será que chega com a mesma pungência? Ou será que a seriedade de muitas das suas mensagens não se dilui simplesmente na euforia própria dos festivais? Espero que não.
Espero que voltem na próxima tour, em nome próprio, para os fãs e não para encher as redes sociais dos festivais e que continuem a gritar “Free Palestine” a cada concerto e a cada hipótese que tenham. Se há gente que sabe o que é uma ocupação de território são os irlandeses.
















































































































































