A agência Ride The Snake já nos habitou a escolhas cirúrgicas dos ambientes mais puros do Rock and Roll. São os sons orgânicos das guitarras dos anos 70, as batidas ritmadas e os refrões orelhudos que nos alimentam a alma. É quase numa espécie de contracorrente em relação às sonoridades sustentadas por botões eletrizantes, de acordes pré-construídos e colagens fáceis. E foi com bastante agrado que assistimos, no sábado passado, à atuação de uma banda que recupera esta linha mais despretensiosa, sem artefactos sintéticos ou performativos, e que primam pela qualidade dos arranjos. Os Slander Tongue terminaram no Village Underground, em Lisboa, a November Tour que arrancou na cidade onde vivem, Berlim. Depois de oito concertos seguidos na vizinha Espanha (onde são bastante acarinhados), o quarteto de Automatic Alex (voz e guitarra) tocou mais de uma dúzia de temas dos seus dois álbuns de originais, o recente “Monochrome” e do disco homónimo editado em 2019 pela Slovenly Recordings.

Músicas bastante oleadas que permitiram uma entrada semelhante à saída, certeira e limpa. Interação com o público q.b., pedindo apenas que nos aproximássemos um pouco mais deles, diminuindo a distância constrangedora de um espaço que deveria estar cheio. Não obstante a qualidade de todos os músicos em palco, destaco Chico M. o baixista que me prendeu durante quase toda a sua atuação. A serenidade transmitida pelo baterista, o músico John Boy Adonis (dos The Black Jaspers), conseguiu surpreender, dado o aceleramento que o ritmo exigia. Uma maior cumplicidade na proximidade física e na alternância nos riffs, entre o domínio de Klaus da guitarra e a versatilidade do timbre vocal de Alex.

Apesar de não ter havido encore, os berlinenses permaneceram na sala demostrando disponibilidade e simpatia junto do público que por ali ficou. Houve tempo para uma cerveja, dar uns autógrafos e rever amigos. Um fim-de-semana com muita oferta musical na cidade de Lisboa, mas os Slander Tongue foram uma boa escolha e até já os imaginamos de regresso a Portugal num festival de música a Norte da capital (!).

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