Sábado à noite em Alvalade, no RCA Club, o duo Lebanon Hanover, de  Larissa Iceglass (guitarra e voz) e William Maybelline (voz, teclas e baixo) subiu ao palco para o segundo de dois concertos em território nacional, desta feita, engendrados pela At The Rollercoaster. Actuaram no dia anterior perante uma igualmente esgotada sala no Hard Club do Porto para gáudio dos amantes do género. E que género é esse? Se há uns bons anos atrás o dress code e a tribo do momento seriam quase exclusivamente amantes da negritude do gótico, do pós punk ou dark wave ( lá estou eu a tentar meter as coisas em gavetinhas…), hoje em dia a diversidade é já muito maior que isso, mas continua a ser essa a identidade predominante daquele momento.

O duo entrou em palco exactamente à hora prevista, ovacionado pela casa esgotada, mas não a abarrotar. Apesar de ser muito fã do aperto e do suor a cair do tecto, ele há concertos em que acho que isso não se adequa de todo, e a verdade é que neste caso era mesmo isso. Não é um som de andar ali tudo aos saltos, de todo, precisamente o contrário disso tudo, mas é música que pede espaço para dançar, para sentir e esse existia de facto. Navegaram pela discografia prolífica que têm vindo a construir desde 2010 e de cujo a última novidade foi o EP Better Than Going Under, que viu a luz no passado dia 10 de Novembro, mas que não presenciámos ainda desta vez. Os melhores momentos da noite foram mesmo para os “clássicos” da banda, Gallowdance e Albatross do já longínquo Why Not Just Be Solo,2012, apesar de antes disso termos tido Kiss Me Untill My Lips Fall Off, (Let Them Be Alien, 2018), a ser recebido por um suspiro colectivo e a ser cantado por boa parte do público.

Senti a falta de um ambiente mais intimista, de uma luz diferente, que a voz de Larissa pedia por diversas vezes, contrastando com as danças características mas sempre inusitadas de William em determinadas músicas. O público estava totalmente feliz com tudo o que lhe foi oferecido mas pareceu em muito momentos disperso. Muitos telemóveis no ar a todo o momento a desviar a atenção continuam a ser nota negativa nestas experiências. Pessoas que preferem ver o concerto pelo ecrã do telemóvel e obrigam os que estão à volta a passar pelo mesmo, mesmo que não queiram…. tirem uma ou outra foto e gozem aquilo pelo qual pagaram.

Lebanon Hanover é música para ouvir e dançar de olhos fechados e ainda bem. Foi o melhor que poderia ter feito durante o tempo que estive no meio da turba, mas para estar no meio da turba acabei por não tirar as notas habituais sobre o set, mas ainda assim temos ali no final uma playlist que se aproxima (aceito correcções). Sei que não foi muito diferente do que fizeram no Porto mas não consigo dizer se foi exactamente igual. Cerca de 12 músicas, secundadas por um esperado encore que termina com o seminal Come Kali Come de Sci-Fi Sky,2020  foi mesmo o momento que me deixou completamente espantada pela escolha para terminar um concerto destes. “Come Kali come, covered in blood, Snakes in the sun, Come Kali come, call to the sun, Call on the gods”, justiça lhes seja feita, finalizar com um mantra destes é no mínimo corajoso.

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