Ficou disponível no dia 31 de Maio, em todas as plataformas digitais e em formato vinil, Commutator, o segundo disco de originais dos CZN. Gravado no Porto, o registo marca a transformação do duo composto pelos percussionista João Pais Filipe e Valentina Magaletti em trio, com a entrada do produtor Leon Marks. Commutator é uma edição Lovers & Lollypops e Offen.

Os acasos, como o ritmo, repetem-se e não raramente seguem padrões — às vezes com o intuito claro de os quebrar. Quando, em 2017, a convergência dos dois percussionistas podrígio João Pais Filipe e Valentina Magaletti levou à criação de CZN, a repetição de acontecimentos ficou inscrita nos destinos dos músicos, tal como os eventos que resultariam no capítulos que sucederiam The Golden Path (2018). A forma como estes se desenrolariam, contudo, é apenas um eco dos passos anteriores, modulado pela constante evolução dos seus intervenientes.

Commutator é uma metáfora do processo que guia os CZN (ou copper-zink-nickel, os metais que compõem as esculpturas sonoras, ou instrumentos com dimensão visual, de João Pais Filipe): uma convergência de percussionistas que trilha direções além dos caminhos óbvios através do apontar de coordenadas a evitar. Os tempos óbvios, a repetição de cadências, o fixar de um ritmo e o desígnio de os evitar são a matéria que liga Valentina Magaletti, João Pais Filipe e Leon Marks neste registo, onde o ritmo é antítese de dança, onde a possibilidade de decorar gestos se dilui nos movimentos dos percussionistas e as texturas melódicas do produtor mergulham nos timbres da parefernália singular dos três músicos.

O resultado será, inevitavelmente, a antítese da regra, sendo a norma de evitar. O aborrecimento não faz parte da música dos CZN, a circularidade só entra na equação por via de rodas dentadas e da sua relação simbólica-simbiótica, de uma química análoga à combinação de metais que marcam o som do trio. Numa sucessão de avanços seguros e hesitações clínicas sobre sons ambientais, Commutator é mais do que um tento novo para cada um dos músicos que dele fazem parte; é um documento de valor perene, esdrúxulo e com vida própria.

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