Um (ou mais) saxofones numa muito frutuosa carreira de 30 anos com participações em projectos tão importantes e únicos como The Legendary Tigerman, Dead Combo e Cais do Sodré Funk Connection, e tantas outras inumeráveis presenças em fichas técnicas de álbuns com as suas composições e arranjos. Assim se começa a definir João Cabrita. É aquilo que se pode chamar de “um bom começo” para se chegar finalmente ao primeiro disco, em nome próprio.

O que começou por ser um exercício de escrita no inverno de 2018, com algum tempo livre entre concertos e a terminar as misturas do “Back on Track” dos Cais Sodré Funk Connection, tornou-se num continuado processo de composição cuja única premissa era ter quatro saxofones e uma secção rítmica.

O processo criativo de João Cabrita embora maioritariamente isolado, tem um momento chave em que um bloqueio na nona musica é resolvido com um esboço de riff enviado pelo Tó Trips e que se transformaria, nesse mesmo dia, no tema “Dancing With Bullets”. A partir daqui Cabrita compõem nos meses seguintes, mais doze temas. Destes são escolhidos dez para serem gravados em estúdio. Dando continuidade à participação de Tó Trips, foi natural que fossem chamados vários dos seus amigos para participarem em várias faixas:  o Gui no “Whatever blues”, o Rui Alves, na bateria do “Dancing With Bullets”, o Hélio Morais, João Gomes e David Pessoa no “Afronaut’s Lament”. O disco foi misturado e masterizado pelo Guilherme Gonçalves.

No outono de 2019 surge o convite de Nuno Calado para Cabrita apresentar o seu projecto a solo no Indigente Live. O showcase de 3 temas com uma banda formada para este propósito tem um forte impacto em Hugo Ferreira da Omnichord Records que de imediato o convidou para que fosse sua editora a lançar o disco. A data oficial de lançamento: o próximo dia 1 de outubro.

Em 2020, mais concretamente a 6 de Março, sai oficialmente o primeiro single, “Whatever Blues”, no mesmo dia em que o disco é apresentado ao vivo pela primeira vez no festival Leiriense Clap Your Hands Say F3st!, mesmo antes do encerramento total por causa de um tal “Novo Corona Virus”.

Depois de uma lenta reabertura da sociedade a uma ligeira normalidade, Cabrita tem a possibilidde de mostrar novamente o seu trabalho ao vivo. A oportunidade surge no MAPAS, iniciativa cultural que decorreu em leiria no início de julho, e onde surge também uma nova colaboração, desta vez com Surma, o projecto multi-instrumental de Débora Umbelino, que naturalmente torna-se a convidade especial deste concerto no Teatro Maria Matos.

Apresentar a MINHA música ao vivo é muito diferente de tocar nos projectos dos meus amigos. Fico muito mais nervoso antes e mais autoconsciente e autocrítico o tempo todo.

Felizmente rodeei-me de uma banda de gente incrivelmente talentosa, o Gonçalo Prazeres, André Murraças, João Capinha (saxofones), João Rato (teclas e guitarra) e Filipe Rocha (bateria), que funcionam como uma espécie de guarda costas para diminuir a minha ansiedade.

No fundo isto começou por ser um acto isolado, onde estava eu sozinho, foram entrando os amigos todos do disco, depois a banda, e agora por fim, o público. É uma casa que se vai enchendo.” 

João Cabrita

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